Os bombardeios não acabaram. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou no sétimo mês alternando períodos de ofensivas intensas, semanas de relativa redução dos ataques e novas escaladas.
Dados mais recentes do Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), atualizados em 17 de setembro e com registros até o dia 14, mostram que os confrontos continuam.
Desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram a ofensiva contra o Irã, o ACLED contabilizou 3.692 eventos de ataques atribuídos ao lado americano-israelense e 2.084 eventos de ataques iranianos.
Somados, são 5.776 episódios registrados. O número, porém, não corresponde à quantidade individual de bombas ou mísseis, o instituto considera como um único “evento” vários ataques contra o mesmo local no mesmo dia.
Ataques persistem
Somente entre 8 e 14 de setembro, o ACLED identificou dez eventos de ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, atingindo oito localidades em três países ou territórios.
Do outro lado, foram registrados 11 eventos iranianos em nove localidades distribuídas por quatro países ou territórios.
Isso significa que a guerra está longe da intensidade observada em determinados momentos dos primeiros meses, mas não existe um cessar-fogo capaz de sustentar a afirmação de que os bombardeios terminaram.
O Brasilianista mostrou que os Estados Unidos haviam retomado ataques contra alvos ligados à Guarda Revolucionária iraniana depois de mais de um mês de relativa trégua. O Irã respondeu com disparos contra instalações americanas na região.
A Reuters registrou em 2 de setembro a maior troca de ataques desde julho. Washington atingiu sistemas de defesa aérea, radares, estruturas marítimas e instalações de comunicação na costa iraniana, enquanto Teerã lançou ataques contra alvos americanos na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Iraque.
Guerra irregular
O formato da guerra também mudou. Em 9 de setembro, o conflito alcançou navios comerciais e petroleiros no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã.
O Irã afirmou ter atacado dez embarcações, enquanto os Estados Unidos disseram ter destruído cinco petroleiros iranianos. Teerã também disparou mísseis contra uma base americana na Jordânia.
A sequência ajuda a explicar por que períodos sem grandes bombardeios sobre cidades não significam o fim da guerra.
As hostilidades passaram a incluir bases militares, navios, instalações estratégicas e rotas de transporte de petróleo, além das operações aéreas.
Nesta sexta-feira (18), a Reuters ainda descrevia o conflito como uma guerra em andamento, já no sétimo mês.
A agência afirmou que a disputa se transformou em um impasse prolongado, enquanto o Irã mantém capacidade de atingir bases e parceiros americanos e os Estados Unidos continuam combinando pressão militar, bloqueio marítimo e sanções econômicas.
Congresso reage
A continuidade das operações também aparece no debate político americano.
Em 15 de setembro, a Câmara dos Representantes aprovou por 220 votos a 204 uma resolução baseada na War Powers Resolution para determinar a retirada das Forças Armadas dos Estados Unidos das hostilidades contra o Irã, salvo em situações autorizadas pelo Congresso. Sete republicanos votaram ao lado dos democratas pela medida.
A votação não encerrou as operações militares. Medidas semelhantes já haviam passado pela Câmara anteriormente sem interromper a guerra, e uma tentativa paralela no Senado foi bloqueada em julho por 49 votos a 47.
Saída incerta
Donald Trump afirmou nesta semana esperar que o conflito esteja próximo do fim e disse que o Irã estaria interessado em um acordo.
Ao mesmo tempo, a Reuters ressaltou que não há um encerramento imediato à vista.
O presidente americano deve discutir a guerra com líderes do Golfo durante a Assembleia Geral da ONU. Portanto, a situação atual é de guerra ativa, mas com intensidade variável.
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