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Justiça

O que está por trás da fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA

Aliados confirmam viagem do senador ao território americano, mas não esclarecem como ele deixou o Brasil

Flávio Bolsonaro
Polícia Federal cancela passaportes após descumprimento de determinação de Alexandre de Moraes (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos EUA após descumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

Pessoas próximas ao senador confirmaram a viagem nesta terça-feira (27). Uma fonte ligada à família Bolsonaro e ao governo de Donald Trump informou ter conhecimento da partida, enquanto outro interlocutor afirmou que o parlamentar chegaria à Flórida durante a tarde.

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O senador do PL chegou há pouco nos EUA, segundo a CNN.

A viagem ocorreu menos de 48 horas depois da derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial.

O deslocamento também contraria a declaração feita pelo senador na segunda-feira (26), quando afirmou que permaneceria no Brasil e cumpriria a ordem judicial.

A Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do parlamentar após o vencimento do prazo de 24 horas para a entrega dos documentos. A corporação deverá comunicar o descumprimento ao STF. 

Articulação americana

Uma fonte que mantém contato com integrantes do Partido Republicano há mais de uma década afirmou que Flávio poderia estabelecer uma atuação política a partir da Flórida.

O interlocutor levantou a possibilidade de o senador tentar organizar uma espécie de governo no exílio, sem apresentar evidências de que exista uma estrutura constituída ou de que Flávio tenha adotado essa estratégia.

A hipótese ocorre após manifestações de Eduardo Bolsonaro contrárias ao resultado das eleições brasileiras.

O irmão de Flávio reside nos Estados Unidos e já havia defendido publicamente que o senador deixasse o Brasil caso fosse derrotado.

Durante a manhã desta terça-feira, Eduardo negou a viagem. Em resposta à imprensa, ironizou os relatos sobre a saída do irmão e afirmou que as informações eram falsas. 

Rota desconhecida

Como apontou O Brasilianista, Flávio Bolsonaro deixou o país pela região da Tríplice Fronteira. A viagem poderia continuar a bordo de um avião particular que partiria de Puerto Iguazú, na Argentina.

A aeronave identificada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly. O jato chegou à cidade argentina na noite de segunda-feira, mas não realizou a decolagem prevista para a madrugada.

O piloto Mauro Mattosinho relatou que um funcionário do aeroporto identificou o nome do senador na lista de quatro passageiros.

Segundo o relato, três pessoas haviam se apresentado para embarque, enquanto o campo destinado à documentação de Flávio permanecia vazio.

O governo argentino declarou que não encontrou registro migratório da entrada do parlamentar.

A Polícia Federal brasileira também iniciou verificações nos pontos de fronteira e nos registros de voos internacionais.

Passaportes cancelados

A determinação de Moraes foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de movimentações financeiras envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam a existência de credenciais bancárias que poderiam permitir movimentações conjuntas de recursos. O senador e o advogado negam ter compartilhado uma conta.

Flávio também é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, envolvendo negociações com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A investigação sobre o filme utiliza informações reveladas inicialmente pelo The Intercept Brasil. O senador nega irregularidades e afirma que os recursos empregados na produção possuem origem privada e legal.

A ordem de entrega dos passaportes não equivale a um mandado de prisão. Entretanto, o descumprimento de uma medida cautelar pode levar o STF a examinar a necessidade de novas restrições, conforme as circunstâncias verificadas.

A Polícia Federal deverá informar ao ministro Alexandre de Moraes que os documentos não foram entregues no prazo determinado. A localização oficial do senador e as condições de sua entrada nos Estados Unidos ainda dependem de esclarecimento pelas autoridades competentes.

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