Informações obtidas com exclusividade pelo O Brasilianista indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou ao menos um senador do PSDB para pedir apoio na votação da PEC 6X1, que põe fim à escala de jornada de 44 horas semanais.
O pedido ocorreu nesta terça-feira (6). A primeira ligação foi para a liderança do governo. Jaques pediu à liderança que fizesse a mobilização. A primeira tentativa foi com a assessoria. A segunda tentativa foi diretamente com o senador integrante do PSDB.
O Brasilianista procurou o senador petista para entender qual é a estratégia e o motivo de ter tomado a frente da senadora Teresa Leitão, que assumiu o seu posto.
O governo não tem certeza sobre o placar que deve alcançar, e uma fonte dos bastidores, ligada ao parlamentar, confirmou que a conversa ocorreu em tom de apelo, a fim de melhorar a reta final da disputa do segundo turno para os petistas.
Jaques, então, fez essa articulação fora da liderança do Senado. Não é estranho esse tipo de atividade nos bastidores dos senadores. Wagner deixou a função de líder do governo ainda em junho, pressionado pelo escândalo do Banco Master.
A Operação Compliance Zero apura a relação entre o político e o ex-CEO Augusto Lima, por suposta troca de favores legislativos por presentes exclusivos, ingressos para shows e, inclusive, a compra de um apartamento em um bairro nobre de Salvador (BA), avaliado em R$ 2,5 milhões.
Teresa e Camilo
Após uma reunião com o presidente Lula, o senador deixou a função de líder do governo. Os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) assumiram os postos em pautas de peso para o governo do PT, como a PEC da Segurança Pública e a 6X1 — temas centrais da campanha do governo Lula, que busca a reeleição para concretizar essas ideias.
A prioridade da agenda é a segunda proposta. Acontece que, como O Brasilianista explicou, a senadora Teresa Leitão está em busca de apoio para fazer a proposta avançar sem seguir o rito constitucional. O PT quer apresentar um calendário especial, ideia descartada antes do primeiro turno.
A oposição ficou incomodada, e Teresa Cristina foi a porta-voz para conversar com Alcolumbre, a fim de entender se ele cumpriria a sua palavra. Na avaliação de Marinho, não dá tempo para votar antes do segundo turno. A votação precisa seguir um rito, com o debate, antes da votação da matéria, dividido em dois turnos.
A primeira semana de discussão segue em reta final. Faltam ainda mais duas sessões. Depois de um intervalo entre três e cinco dias, entra o segundo turno de discussão e, por fim, a votação da matéria. A especulação, no momento, é se integrantes do governo fariam esse pedido ou buscariam uma possível quebra de interstício antes do segundo turno da apreciação da matéria.
Socorro
A súplica de Wagner não é a única. Como O Brasilianista revelou, o senador e líder do governo, Davi Alcolumbre (União-AP), também está preocupado com a sua imagem após o primeiro turno das eleições.
Para reverter a crise, pautou a PEC. A pressão ocorre em um momento em que o Partido Liberal (PL) se torna a maior bancada do Senado na próxima legislatura e Alcolumbre não deve receber, como da última vez, o apoio do partido de Valdemar para ser reeleito presidente do Senado. Ao invés disso, Rogério Marinho é o nome da oposição, que fez maioria, para comandar a Casa nos próximos anos.
O Brasilianista procurou o senador Jaques Wagner e sua assessoria para manifestar a motivação do pedido de apoio e o motivo da mobilização, uma vez que cabe aos líderes do governo e ao líder do PT tentar emplacar o projeto com os senadores.
O espaço segue aberto para manifestação e resposta.
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