Conversas de Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master, obtidas pela Polícia Federal (PF) indicam que ele tinha proximidade com o governo Lula.
Reportagem do Poder360 mostrou que Vorcaro conversou com sua defesa sobre "frear" o empresário Joesley Batista para evitar uma "guerra".
As mensagens trocadas em maio de 2025 aconteceram na mesma época em que o Banco de Brasília (BRB) analisava a compra do Master. Também em maio de 2025, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, chegou a falar para Vorcaro que Wesley e Joesley Batista tentavam impedir a compra por meio de conversas com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Visando frear a articulação de Joesley Batista, Vorcaro chegou a pedir ajuda do advogado Walfrido Warde, que integrou sua defesa no Caso Master, para pensar em uma estratégia que blindasse o presidente da República.
Em outra conversa, dessa vez com Fernando Mascarenhas, Vorcaro admite que é tão próximo do governo quanto os irmãos Batista. Na ocasião, ele disse que a afirmação, escrita em uma reportagem, "é verdade".
Não ficou comprovado, no entanto, qual era o tipo de relação que Vorcaro tinha com membros do governo. Em outro momento da mesma conversa, Vorcaro pede para Macarenhas enviar a reportagem "pro Lula e pra base aliada”.
Vorcaro, ministros e ex-presidente do BC
Alexandre Silveira
O ex-dono do Master se encontrou com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em diferentes momentos.
Mensagens obtidas pelos investigadores mostraram que o banqueiro ainda foi convidado pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para uma reunião em sua casa.
O Globo divulgou diálogos do celular de Vorcaro que identificaram três reuniões marcaras entre 2024 e 2025 com Silveira. Os encontros aconteceram em 20 de abril de 2024, 21 de abril de 2024 e 12 de agosto de 2025. Supostamente as reuniões tratavam sobre um apoio de Silveira à fusão da concessionária Light com a Enel.
O ministro de Minas e Energia também estava presente na reunião do banqueiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024.
Vale lembrar que a Light teve concessão renovada pelo governo em maio de 2026. Mensagens de Daniel Vorcaro com o empresário Nelson Tanure, ex-conselheiro e acionista da Light, mostram que Tanure pediu uma reunião com “A.S.”, as mesmas iniciais de Alexandre Silveira, para tratar sobre o tema em julho de 2024.
As mensagens não foram trocadas diretamente entre Vorcaro e Silveira, que por sua vez afirmou que nunca trocou mensagens com o banqueiro. Ele também disse que não conhece o contexto das conversas obtidas pelas autoridades.
Alexandre Padilha
Voracro também confirmou um jantar com o ministro da Saúde em outubro de 2024, mostrou a Folha. Na época, Padilha ainda era chefe da Secretaria de Relações Institucionais.
As conversas aconteceram por meio de um interlocutor e, em nota, a assessoria de Padilha disse que ele comparecia diariamente a eventos com representantes de diversos setores.
Roberto Campos Neto
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chegou a convidar Vorcaro para uma reunião em sua casa, em condomínio de luxo no interior de São Paulo. Porém, o encontro não aconteceu no local.
Os diálogos extraídos do celular de Vorcaro pela PF aconteceram em 20 de dezembro de 2023 e foram revelados pelo jornal O Globo. Campos Neto saiu da presidência do BC em dezembro de 2024.
O Estadão mostrou que o ex-BC sabia dos problemas de liquidez do Master enquanto estava na liderança da autarquia.
Mantega
O ex-ministro dos governo Lula e Dilma, Guido Mantega, virou um dos principais defensores de Daniel Vorcaro em grupos de WhatsApp petistas após a sua prisão.
Vale lembrar que Mantega tinha contrato com Vorcaro para serviços de consultor. O aliado de Lula também articulou o encontro do presidente e o ex-dono do Master em 2024.
Fontes da CNN indicaram que Mantega começou a enviar mensagens nesses grupos que mostravam uma perspectiva diferente sobre o caso Master. As postagens indicavam que Vorcaro caiu porque grandes bancos da Faria Lima tentaram impedir seu crescimento.
No entanto, as mensagens do ex-ministro ficaram mais moderadas após as revelações de que o Master operava com fraudes. Ainda assim, passou a alegar que o banco de Voracro não era o único a operar com essas práticas.
Jaques Wagner
O Brasilianista já mostrou que Vorcaro também tentou estreitar as relações com o senador Jaques Wagner (PT) com intermediação do empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Guiga”.
Segundo a PF, os primeiros contatos entre Wagner e Vorcaro teriam sido intermediados por Sodré. Os investigadores afirmam que ele se apresentou ao banqueiro em junho de 2024, colocando-se à disposição e mantendo interlocução frequente com o empresário.
No relatório policial, Sodré é descrito como uma pessoa historicamente ligada ao senador. A PF destaca que ele é pai de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, e afirma que o próprio parlamentar o reconheceria como um de seus amigos mais próximos.
As mensagens analisadas pelos investigadores mostram que, em agosto de 2024, Sodré procurou Vorcaro afirmando que precisava tratar de um tema importante e pediu sigilo sobre o assunto.
Após uma conversa por chamada de voz, sem registro do conteúdo, ele informou ao banqueiro que um encontro com Jaques Wagner ocorreria em Brasília e que o chefe de gabinete do senador entraria em contato para acertar os detalhes da reunião.
Dias depois, de acordo com a PF, Sodré também encaminhou a Vorcaro o número pessoal de celular do senador acompanhado da mensagem “boa sorte”. Para os investigadores, os diálogos indicam uma atuação direta na aproximação entre ambos.
O senador Jaques Wagner negou qualquer relação com o Banco Master e com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota divulgada após a operação da PF no âmbito da Operação Compliance Zero, o parlamentar afirmou que não é réu, não foi denunciado e não responde a processos relacionados aos fatos investigados.
O parlamentar foi alvo de operação da PF após ser revelada a aquisição de um apartamento localizado em uma área nobre de Salvador por uma empresa ligada ao diretor Luiz Antonio Lombardi. O imóvel é avaliado em quase R$ 2,45 milhões.
A defesa de Wagner também sustentou que o apartamento citado pelos investigadores nunca integrou o patrimônio do senador e negou qualquer atuação em favor do Banco Master ou de outras instituições financeiras.
O Brasilianista está aberto a receber posicionamentos de todos os citados na reportagem.
Veja mais notícias de O Brasilianista nas redes sociais

