O caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a crise em torno de Nossa Senhora Aparecida tornou-se, de acordo com a apuração do Instituto Democracia Em Xeque (DX) publicada nesta segunda-feira (28), um dos maiores eventos políticos do ano.
O instituto apurou cerca de 669 mil menções nas primeiras 24 horas. Conforme O Brasilianista explicou, o ministro André Mendonça determinou às provedoras a remoção de publicações por conterem informações falsas que associam o candidato à ideia de que ele removeria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira.
“No período ampliado até 27 de setembro, o monitoramento registra 1,3 milhão de publicações e 12,4 milhões de interações”, diz o instituto.
A crise desencadeou a irritação da comunidade católica, que reagiu após o senador Flávio associar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e alguns de seus integrantes à ajuda prestada à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Nas redes, embora tenha sido a menor quantidade de publicações registrada (5%), essa pauta foi capaz de gerar 2,13 milhões de interações no eixo “bispos, CNBB e Soberania Nacional”.
Debate
A maior parte da manifestação de assuntos nas redes gira em torno de questões culturais, religiosas, de liberdade de expressão e de defesa da santa.
Sobre as palavras-chave “fake”, “mentira” ou “desmentido”, o instituto identificou 226.645 menções (17%). Já as pautas de “judicialização e remoção” e de “defesa da padroeira e impacto eleitoral” somam outros 13% cada.
Na ocasião, o humorista Antônio Pedro Tabet foi obrigado, após a decisão, a remover da rede a publicação que não fazia menção direta a Flávio. A publicação, que já foi republicada após o ministro Flávio Dino desfazer a decisão de Mendonça, dizia que “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida! pic.twitter.com/aiL4I3tLDH
— Antonio Tabet (@antoniotabet) September 27, 2026
Republicações
No eixo de publicações políticas, 83% repetiam a publicação que gerou a polêmica. Outros debates em torno de conflitos entre católicos e evangélicos, pesquisas sobre a publicação de um projeto de lei em 2007 e antecedentes religiosos passaram a ocupar as buscas.
A matéria em questão é o PL 2.623/2007, que foi arquivado, de autoria do ex-deputado federal Victorio Galli. As associações que relacionam Flávio envolvem a ligação do político ao governo Bolsonaro em 2019 e sua atuação política utilizada para expor alianças religiosas e políticas com o senador Flávio Bolsonaro.
O instituto explica que as pesquisas que interessavam às redes nesse período não buscavam necessariamente saber se a acusação era verdadeira ou não, mas sim entender o significado religioso e político da santa.
Defesa da santa
A principal mobilização registrada nas redes foi em defesa da santa, com mais de 2,6 mil publicações em perfis de políticos e da imprensa. Desse total, em 1.026 postagens (isto é, 39%), houve 20,3 milhões de interações.
A esquerda, nestas postagens, representa 71% das publicações, sendo maior do que o volume registrado em defesa de Flávio.
Os conteúdos publicados tratam sobre a identidade do catolicismo no Brasil, a defesa da liberdade religiosa e até a discussão sobre o Estado laico.
Evangélicos x Católicos
Outro eixo de discussão ocorreu entre grupos cristãos. Houve mais de 65 mil resultados referentes a ataques a Nossa Senhora e à CNBB, totalizando 64.856 publicações. As postagens demonstram hostilidade à santa e incluem “ataques de lideranças neopentecostais”.
A discussão também gerou irritação entre eleitores bolsonaristas após a repercussão, na GloboNews, do comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes sobre uma suposta mobilização de setores evangélicos, que acabou sendo interpretado nas redes sociais como se tivesse ligação direta com o senador.
Um total de 19% das postagens nas redes sociais, lideradas pela direita, tratavam sobre a apuração da emissora e a retratação. Esse eixo gerou, no total, 8,75 milhões de interações, mostrando que a correção da GloboNews teve um impacto desproporcional em engajamento.
A decisão de Mendonça também gerou publicações: 327 posts e 3,69 milhões de interações. “No recorte político, o eixo judicial foi justamente o único a crescer no dia 26: passou de 96 para 205 publicações, enquanto o volume total caiu de 1.442 para 942”.
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