Inquéritos da Polícia Federal (PF), de fevereiro de 2025, indicam a existência de um contrato de honorários no valor de R$ 427 milhões, que estavam relacionados a 12 processos de Daniel Vorcaro.
Desses 12 contratos, conforme apurou o BNews, somam-se ainda R$ 8,5 bilhões em créditos de interesse do ex-banqueiro.
O escritório que tocava o caso para Vorcaro é o de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, que aparece em conversas como intermediário de Vorcaro, especialmente para fazer pedidos pessoais e tratativas que envolviam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes.
Ocorre que esse caso envolvendo os precatórios não foi aprofundado pelo Supremo, especificamente pelo relator do caso, o ministro André Mendonça.
Ele afirmou que o relatório não foi formalmente remetido para ele, além de os trabalhos relacionados ao ministro Dias Toffoli não terem sido encaminhados para sua relatoria.
Foco em Moraes
A atuação do ministro, no entanto, com base no material de inteligência da Polícia Federal, foi acessar as informações que envolviam citações de Vorcaro a Alexandre de Moraes.
O Brasilianista, inclusive, explicou que o ministro utilizou o relatório para contra-argumentar com o ministro Alexandre de Moraes sobre ter feito ilações acerca da condução do trabalho e pedir o arquivamento dos relatórios.
Após o pedido de Mendonça para apurar as menções nas anotações de Daniel Vorcaro, em 27 de agosto, a PF entregou ao ministro um novo relatório de 218 páginas.
Relatório de 218 páginas
Acontece que esse novo relatório encontrou menções em conversas do ex-banqueiro a pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes, no grupo “Turma do KN”.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral disse, em defesa, que nunca trocou mensagens com Vorcaro e também não pediu benefícios.
Nas últimas novidades, apareceram novas mensagens entre Vorcaro e o desembargador Newton como intermediador de uma viagem e hospedagem na mansão luxuosa de Márcio Garcia, avaliada em mais de R$ 250 milhões, para o Carnaval, além de acesso a camarotes.
Newton Ramos disse que não tem envolvimento com causas de interesse do Banco Master e que não pode acessar processos envolvendo familiares, declarando-se impedido.
Turma do KN e Vorcaro
A esposa do desembargador Newton Ramos, Camilla Ramos, pagou uma viagem para o ministro Kassio Nunes para Maceió (AL). Segundo o BNews, essa apuração consta nas mensagens do inquérito da PF sobre o grupo Turma do KN, no qual a advogada participava.
O desembargador Newton, o esposo, também aparece em mensagens com Vorcaro para discutir a estadia na mansão Joá, localizada em um bairro de alto padrão no Rio de Janeiro. O aluguel para essa casa de Márcio Garcia custou para o ex-banqueiro R$ 1,5 milhão.
As investigações da Polícia Federal indicam que o desembargador também era um dos articuladores e organizava as possíveis agendas com equipes ligadas ao ministro Nunes.
A casa do ator, que serviria para o Carnaval, conforme O Brasilianista explicou, serviria para o desembargador e para o ministro. Além disso, facilidades para acesso ao camarote e pulseiras VIPs eram organizadas para o lazer de ambos.
Nunes Marques
Na sessão que definiria se o Supremo iria investigar a conduta de Alexandre de Moraes, com base no pedido de André Mendonça, Kassio Nunes se declarou impedido de analisar o caso.
Enquanto ocorria a sessão, foram reveladas conversas entre Vorcaro e agentes de viagens, com o objetivo de agendar uma viagem internacional para o ministro “KN” e outras cinco pessoas.
Também foi revelada uma conversa entre o ex-banqueiro e Rayanna, que cobrou de Vorcaro cerca de R$ 10 mil, já que uma de suas meninas (possivelmente uma acompanhante) esteve com o ministro.
Nunes disse, a partir de então, que não tem aproximação, não trocou mensagens e nem tem, junto com seu filho, o advogado Kevin Marques, envolvimento com DanielVorcaro e o Banco Master.
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