Justiça

Caso Master: A turma de Kássio

O ministro do STF não respondeu a todas as acusações feitas a seu respeito

Kassio Nunes Marques
O presidente do TSE limitou-se a afirmar que nunca trocou mensagens com Vorcaro, mas não trouxe maiores explicações (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Nos últimos dias, as menções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, no caso Master seguem na mira das investigações da Polícia Federal (PF), bem como da imprensa. 

No entanto, ele não respondeu a todas as acusações feitas a seu respeito.

Durante a sessão do Plenário do STF no último dia 15 de setembro, Nunes Marques declarou que não poderia participar do julgamento que define se o ministro Alexandre de Moraes será investigado pela Corte, indicando-se impedido.

"...eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo meu impedimento", declarou o ministro no início da sessão. A manifestação foi feita após a imprensa expor diálogos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo interlocutores e o filho do magistrado.

O Master contratou o escritório de advocacia de Camila Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e supostamente amigo do ministro. Nas conversas, Camila e Newton eram chamados de "Turma do KN".

Reportagem da Veja mostra que há pedidos feitos por terceiros para incluir os membros da "turma" hospedagem no hotel de luxo Fasano, em corridas da Fórmula 1 no autódromo de Interlagos e até para camarotes da Marquês de Sapucaí, no Carnaval do Rio de Janeiro.

Além disso, não há provas concretas de que Nunes Marques tenha votado em casos do Master ou dado decisões em benefício do banco, mas mensagens de Camila Ramos com Vorcaro mostram a comemoração do voto do ministro em uma ação que poderia influenciar atividades do Master.

O ministro afirmou que não trocou mensagens com Vorcaro e que nunca relatou processos relacionados ao Banco Master.

Conversas com Vorcaro

Mensagens interceptadads de Daniel Vorcaro, preso pela investigação do Caso Master, revelam que ele teria reservado uma hospedagem de luxo no Rio de Janeiro para um "ministro" identificado como "KN" durante o Carnaval de 2025.

As conversas obtidas pelo Metrópoles mostram uma conversa entre o dono do Banco Master e Newton Ramos, para que organizassem a reserva de uma mansão em Joá, bairro nobre da capital fluminense, avaliada em R$ 250 milhões. Os diálogos indicam que a semana de hospedagem no Carnaval custou cerca de R$ 1,45 milhão.

As investigações avaliam se o "ministro" mencionado nas mensagens seria Kassio Nunes Marques.

Ao Metrópoles, o ministro afirmou que “nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro nem pediu nada a ele”. Já o desembargador não se pronunciou.

Filho do ministro

Outra suposta relação revelada do ministro com Vorcaro envolve seu filho, o advogado Kevin Marques. Diálogos encontrados no celular do ex-banqueiro entre ele e o ex-diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, é citado o valor de R$ 500 mil por mês associado a dados do filho do ministro.

Nunes Marques limitou-se a afirmar que não trocou mensagens com Vorcaro e que nunca relatou processos relacionados ao Banco Master.

"Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco ou foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta especular de outra forma", sustentou.

Serviços de acompanhantes

Trechos de mensagens de Vorcaro com outros dois interlocutores revelaram mais uma suposta ligação do dono do Master com Nunes Marques.

O trecho de maior repercussão envolve a cobrança feita por uma mulher identificada como Rayanna a Vorcaro, em fevereiro de 2025, referente a serviços de acompanhantes. E

m um contrato de R$ 10 mil pelo encontro das "meninas", Rayanna comentou com o empresário que uma delas relatou ter estado com o ministro.

Nenhum pronunciamento foi realizado sobre esse tema em específico.

Planejamento de viagem

O banqueiro ainda solicictou um roteiro de viagem para um agente, Léo Serrano, que contaria com o ministro Nunes Marques e mais cinco pessoas. A conversa aconteceu em dezembro de 2024. 

A viagem aconteceria entre 8 e 18 de janeiro, com guias e motoristas de vans que falassem português ou espanhol. Destinos mencionados inicialmente foram Viena, Bratislava, Budapeste, Graz e Salzburgo.

No mesmo mês, Serrano informou a Vorcaro que Kassio Nunes Marques havia solicitado a interrupção das tratativas sobre a viagem. O ministro não comentou sobre o caso.

Nota oficial de Kassio Nunes Marques

O gabinete do ministro Nunes Marques emitiu uma nota em relação às conversas vazadas e seu afastamento do caso Master no STF. Confira a íntegra:

"O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro nem pediu nada a ele. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em seu nome.

São irresponsáveis quaisquer tentativas de relacionar a atuação do Ministro com os serviços prestados pelo filho ou quaisquer terceiros. 

Em relação ao processo citado sobre a usina, o ministro Kassio Nunes Marques estava impedido por anotação da Secretaria porque decidiu o caso como vice-presidente do TRF-1. Posteriormente compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla, pediu retificação à Secretaria e acabou votando. Votou diversas vezes no mesmo sentido enquanto estava no TRF-1. Embora na mensagem eles estivessem comemorando o resultado, não se tratava de ação sobre o Master, era uma tese que se aplicaria a diversas empresas".

O Brasilianista fica aberto a quaisquer manifestações.

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