O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21) para conversar sobre o tarifaço e o combate ao crime organizado, entre outros assuntos.
Em tom "amistoso e cordial", de acordo com o Palácio do Planalto, Lula tenta reverter novamente as tarifas aplicadas ao Brasil. Dessa vez, os EUA tentam aplicar medidas que podem cobrar taxas de até 37,5% aos produtos brasileiros que chegam no país estrangeiro.
Uma tarifa de 25% foi aplicada com base no argumento de que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com o país. Outra de 12,5% — também adicionada a outros países — foi adicionada após um estudo dos EUA entender que o Brasil não fiscaliza adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Para Lula, o telefonema teve o objetivo de realizar uma negociação comercial, visto que o novo tarifaço tem base "infundada".
O governo brasileiro defende que as novas tarifas são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos norte-americanos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Por isso, pretende aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) informou que o presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível. Os líderes devem se encontrar em setembro.
Antes da ligação, o plano do presidente Lula era aplicar a Lei de Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, que permite ao Brasil determinar a outra nação as mesmas restrições e medidas que sofreu.
Como o governo considera as sanções como “injustas”, ele busca reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Ainda assim, há algumas etapas para que isso seja possível.
Combate ao crime organizado
Outro tema abordado na ligação, que durou uma hora e vinte minutos, foi a cooperação entre os países no combate ao crime organizado.
Para o petista, o governo Trump ainda não respondeu às propostas de colaboração entregues por ele pessoalmente em Washington, em maio deste ano.
No documento entregue pelo governo brasileiro, o objetivo do plano era conter o fluxo financeiro do crime organizado e controlar a remessa de armas irregulares ao Brasil.
Em junho, os Estados Unidos oficializaram a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa classificação permite que Washington amplie sanções, investigações financeiras e mecanismos de monitoramento relacionados a essas organizações.
O Brasilianista também mostrou como o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, afirmou que os EUA planejam começar ataques em terra contra narcotraficantes na América Latina. Esse tipo de atividade já acontece em águas internacionais, mas agora a intenção seria seguir com ataques nos territórios dos países.
Os ataques não seriam inéditos: já ocorreram algumas ações dos Estados Unidos na América Latina, especialmente nas águas internacionais no Caribe. Houve também a intervenção em Venezuela com a extração do presidente Nicolás Maduro — que está preso nos EUA desde janeiro deste ano.
Porém, os efeitos dessa operação vão depender de qual governo latino está alinhado às posturas do governo de Donald Trump. O Brasil, por exemplo, vê a medida como um ataque direto à soberania.
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