O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende pagar US$ 2 mil (cerca de R$ 10,7 mil) a cada cidadão americano, com exceção dos de alta renda, como parte de um programa de dividendos financiado pelas tarifas sobre importações. A declaração foi feita na plataforma Truth Social e repercutida pelo O Globo, com informações de agências internacionais.
De acordo com Trump, os valores arrecadados com o chamado “tarifaço”, que impõe impostos de 10% a 50% sobre produtos estrangeiros, estão gerando trilhões de dólares em receita, o que permitiria ao governo começar a quitar parte da dívida pública, estimada em US$ 37 trilhões (cerca de R$ 197 trilhões).
“Estamos arrecadando trilhões de dólares e em breve começaremos a pagar nossa enorme dívida de 37 trilhões de dólares. Investimentos recordes nos EUA, fábricas e usinas sendo construídas por todo o país. Um dividendo de pelo menos 2.000 dólares por pessoa (sem incluir pessoas de alta renda!) será pago a todos”, publicou ele.
Veja na íntegra:
Como funcionaria o pagamento prometido
Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, os recursos necessários para bancar o pagamento poderiam vir de cortes de impostos aprovados recentemente dentro da política econômica do governo Trump. Entre as medidas citadas estão a isenção de tributos sobre gorjetas, horas extras, Previdência Social e empréstimos para automóveis.
Em entrevista à rede ABC News, Bessent ponderou que ainda não discutiu diretamente a proposta com o presidente, mas indicou que o “o dividendo pode vir de várias formas”.
O pagamento, segundo o plano descrito por Trump, seria uma espécie de retorno direto à população pelos ganhos obtidos com as tarifas sobre importações, medida que o governo defende como necessária para corrigir o déficit comercial americano e proteger a indústria nacional.
Contexto político e reação à Suprema Corte
A proposta surge em meio a um momento de tensão política nos Estados Unidos, marcado peloshutdown, a paralisação parcial das agências federais, que já ultrapassa 40 dias, resultado do impasse entre democratas e republicanos sobre o orçamento do próximo ano fiscal.
Trump aproveitou a ocasião para criticar o Partido Democrata, acusando seus opositores de “fechar o governo para forçar os republicanos a manter os subsídios do Obamacare”, programa de saúde criado durante o governo Barack Obama.
O presidente também reagiu à Suprema Corte, que analisa a legalidade das tarifas adotadas desde o chamado “Dia da Libertação”, em abril. O tribunal ouviu argumentos de um processo que pede a anulação das medidas comerciais, o que poderia forçar o governo a devolver mais de US$ 100 bilhões arrecadados com as tarifas. Trump classificou essa hipótese como um “desastre para o país”.
Apesar das críticas, o presidente mantém o discurso de que as tarifas são essenciais para equilibrar as contas públicas e estimular investimentos internos, afirmando que fábricas e indústrias “estão surgindo por toda parte” nos Estados Unidos.

