Justiça

Os ministros supostamente conectados a Vorcaro

O banqueiro dono do Master mantinha conexões com figuras importantes dos Três Poderes

Nunes Marques, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes
Nunes Marques, Toffoli e Moraes já entraram na mira de relatórios da PF sobre o caso Master (Fotos: Marcelo Camargo e José Cruz/Agência Brasil )

Conversas de Daniel Vorcaro, preso pela investigação do Caso Master, revelam que ele teria reservado uma hospedagem de luxo no Rio de Janeiro para um "ministro" identificado como "KN" durante o Carnaval de 2025.

Mensagens obtidas pelo Metrópoles mostram uma conversa entre o dono do Banco Master e o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para que organizassem a reserva de uma mansão em Joá, bairro nobre da capital fluminense, avaliada em R$ 250 milhões. Os diálogos indicam que a semana de hospedagem no Carnaval custou cerca de R$ 1,45 milhão.

As investigações avaliam se o "ministro" mencionado nas mensagens seria Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Porém, esse não seria o primeiro magistrado da Suprema Corte a ter seu nome envolvido nas investigações contra Vorcaro ou o caso Master.

A posição de que Nunes seria o homem mencionado nas conversas se sustenta pelo fato de que ele é amigo de Newton Ramos. Ao Metrópoles, o ministro afirmou que “nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro nem pediu nada a ele”. Já o desembargador não se pronunciou. O Brasilianista fica aberto a quaisquer manifestações.

Conexões entre Vorcaro e Nunes Marques

Filho do ministro

Outra suposta relação revelada do ministro com Vorcaro envolve seu filho, o advogado Kevin Marques. Diálogos encontrados no celular do ex-banqueiro entre ele e o ex-diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, é citado o valor de R$ 500 mil por mês associado a dados do filho do ministro.

Nunes Marques limitou-se a afirmar que não trocou mensagens com Vorcaro e que nunca relatou processos relacionados ao Banco Master.

"Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco ou foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta especular de outra forma", sustentou.

Serviços de acompanhantes

Trechos de mensagens de Vorcaro com outros dois interlocutores revelaram mais uma suposta ligação do dono do Master com Nunes Marques.

O trecho de maior repercussão envolve a cobrança feita por uma mulher identificada como Rayanna a Vorcaro, em fevereiro de 2025, referente a serviços de acompanhantes. Em um contrato de R$ 10 mil pelo encontro das "meninas", Rayanna comentou com o empresário que uma delas relatou ter estado com o ministro.

Planejamento de viagem

O banqueiro ainda solicictou um roteiro de viagem para um agente, Léo Serrano, que contaria com o ministro Nunes Marques e mais cinco pessoas. A conversa aconteceu em dezembro de 2024. 

A viagem aconteceria entre 8 e 18 de janeiro, com guias e motoristas de vans que falassem português ou espanhol. Destinos mencionados inicialmente foram Viena, Bratislava, Budapeste, Graz e Salzburgo.

No mesmo mês, Serrano informou a Vorcaro que Kassio Nunes Marques havia solicitado a interrupção das tratativas sobre a viagem.

Vorcaro e Dias Toffoli

Ex-relator do Caso Master na Corte

Em fevereiro, Dias Toffoli se afastou da relatoria do caso Master. Conforme a investigação avançava, a PF encontrou indícios de possível ligação entre Vorcaro e o ministro com base no telefone do ex-banqueiro.

Em nota, o ministro disse ter solicitado ao Supremo para que fosse realizada uma nova redistribuição para outro ministro conduzir a investigação. André Mendonça assumiu a relatoria por meio de um sorteio, no mesmo mês.

Conforme O Brasilianista noticiou, a PF pediu a suspeição nas investigações. O ministro chegou a publicar uma nota informando que cabia tratar com o presidente da Corte, o ministro Edson Fachin.

O caso que levou à suspeita envolvia a venda de parte de cotas de um resort no valor de mais de R$ 3 milhões. A família do ministro e o fundo, que fez a operação da venda de parte do resort, foram sócios entre setembro de 2021 e o início de 2025. A venda da participação ocorreu em fevereiro. A empresa era dirigida por José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, parentes do ministro.

O ministro Dias Toffoli disse, em nota pública, que integrava o quadro societário, mas que a administração é controlada pelos parentes e que essa condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura.

Mensagens de Vorcaro e Moraes

O ministro Alexandre de Moraes também virou alvo de suspeitas e o Plenário do STF avalia se deve ou não seguir com um julgamento de seu comportamento dentro da Corte e o envolvimento com Vorcaro.

No início do mês, André Mendonça, na condição de relator do Caso Master, retirou o sigilo de parte da investigação e mostrou que Moraes atuava como consultor jurídico de Daniel Vorcaro.

As consultorias passaram a ser prestadas por Moraes após Vorcaro contratar o escritório Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, para prestar serviços advocatícios.

O Brasilianista mostrou que os serviços custaram mais de R$ 150 milhões, mas o valor não foi totalmente pago porque Vorcaro foi preso em novembro de 2025. O banqueiro também pagou a família Moraes com cotas de um jatinho e de um helicóptero que, juntos, custam quase 20 milhões de dólares.

O banqueiro do Master liberou ainda dois cartões de crédito, com limites de R$ 300 mil cada um, para os dois filhos de Moraes e Viviane: Giuliana e Alexandre.

Em resposta à medida de Mendonça, Moraes usou o Inquérito das Fake News para pedir que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o relator do caso por abuso de autoridade.

O abuso, segundo Moraes, foi cometido quando Mendonça mandou a Polícia Federal investigá-lo sem autorização do plenário do Supremo, conforme determina a lei. No entanto, o pedido é ilegal.

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