O coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o ruído provocado pela nova fase das operações envolvendo o filme Dark Horse não afetará a campanha do candidato.
Marinho acredita que o maior desgaste decorrente da exposição pública já passou. Ao Estadão, o parlamentar declarou que a imprensa aborda o assunto há quatro meses e que cabe ao eleitor julgar conforme suas convicções.
Ele ressaltou ainda que Flávio "não geriu, não recebeu, não operou nem administrou os recursos do filme".
Enquanto a coordenação de campanha minimiza os impactos da exposição do senador, a Polícia Federal aponta que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro teria interferido na forma como os recursos do fundo Havengate seriam gerenciados nos Estados Unidos.
Flávio e Eduardo investigados
Os investigadores sustentam que recursos ilícitos vinculados a Daniel Vorcaro constituíram o principal ativo para o financiamento da produção de Dark Horse.
Nesta sexta-feira (11), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou o prosseguimento das investigações.
Tanto Flávio quanto Eduardo Bolsonaro são alvos das apurações e podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção passiva, corrupção ativa e organização criminosa.
Flávio declarou que a investigação serve apenas para "inventar coisa onde não tem" e insistiu que o dinheiro foi encaminhado a um fundo privado, sem qualquer irregularidade no gerenciamento dos recursos.
"Eles vão tentar fazer de tudo. É para desestabilizar. Então, para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total nesse assunto.Não temos absolutamente nada de errado com relação ao filme", disse o senador.
Recursos direcionados a Eduardo
O publicitário Thiago Miranda também figura entre os alvos da investigação. Apontado como intermediário para assuntos midiáticos do ex-banqueiro, Miranda teve trocas de mensagens analisadas pela PF. O material contém indícios de orientação a Eduardo Bolsonaro sobre como utilizar os recursos e sobre a possibilidade de remessas de maior porte.
Altieres Santana também foi citado nos diálogos. Ele aparece como gestor do fundo Havengate, localizado no Texas (EUA), que também conta com a administração do advogado de Eduardo Bolsonaro.
O fundo foi criado em 2020, registrou atualizações cadastrais em 2021 e foi ativado em setembro de 2025 para receber cerca de US$ 12,3 milhões destinados à produção do filme.
Contradições e compromissos
Conforme O Brasilianista noticiou, a equipe de Flávio Bolsonaro não prestou os esclarecimentos aos quais o candidato havia se comprometido publicamente. Logo após a veiculação de áudio em que o senador conversa com Vorcaro sobre um aporte de R$ 134 milhões para o filme, o parlamentar negou as tratativas.
A informação foi revelada em 13 de maio pelo The Intercept. Na ocasião, Flávio classificou a apuração como mentirosa e sustentou que os valores em discussão tratavam-se estritamente de "dinheiro privado".
Em entrevista à CNN, o candidato comprometeu-se a apresentar os resultados de uma auditoria sobre a produção do longa-metragem. Dois meses depois, contudo, passou a classificar o episódio como "águas passadas", alegando que os dados já haviam vazado na imprensa.
Encontro com Vorcaro
Outro ponto controverso envolve reuniões presenciais que o senador inicialmente negou ter realizado. Flávio Bolsonaro havia rebatido informações de que teria visitado Daniel Vorcaro em sua residência enquanto o empresário cumpria medida cautelar com tornozeleira eletrônica.
Posteriormente, o parlamentar admitiu o encontro: "Eu fui, sim, ao encontro dele para colocar um ponto final nessa história". O senador declarou ainda que, se soubesse previamente da gravidade da situação, teria buscado outro investidor para viabilizar a obra sobre o pai.
Siga O Brasilianista!


