Economia

PF revela plano de pagamentos do pai de Vorcaro em Porto Seguro (BA)

Mensagens trocadas no telefone do banqueiro mostram como empresário tentava intimidar inimigos

PF revela plano de pagamentos do pai de Vorcaro em Porto Seguro (BA)
Investigações mostram que Vorcaro pagava até R$ 400 mil mensais ao grupo 'A Turma' para perseguir desafetos e jornalistas Reprodução/Redes sociais e TV Senado

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar o sigilo das investigações, nesta sexta-feira (11), novas informações detalhando a engenharia financeira da família de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, vieram à tona.

As informações, apuradas pela jornalista Claudia Cardozo, do BNews, tratam de imóveis localizados em Arraial d’Ajuda (BA), em que o pai do ex-banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, é apontado pela investigação como alvo central.

A família de Daniel Vorcaro adquiriu uma mansão no valor de R$ 300 milhões, localizada em Trancoso. A nova frente de investigação apura relatórios do Banco Central sobre a atuação do ex-banqueiro para expandir um plano de investimentos em turismo na região, o que incluía a aquisição de mais imóveis e a reconstrução de um hotel em Itacaré (BA).

O documento do inquérito, sob investigação da Justiça de Minas Gerais, apura crimes de fraude patrimonial. Entre as empresas e fundos citados estão a Milo Investimentos S.A, o Fundo Red Asset (Red Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) e o empresário Ricardo Lopes Ferreira.

A Polícia Federal (PF) indica que acordos de pagamento eram configurados por meio da dação de imóveis de alto padrão na região de Porto Seguro para a quitação de dívidas.

A 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte (MG) solicitou ao STF o compartilhamento de provas já constantes em outros processos, como e-mails, conversas de aplicativos, planilhas e arquivos, que demonstrem a atuação de Henrique Moura Vorcaro, da Milo Investimentos S.A., do Fundo Red Asset, de Ricardo Lopes Ferreira e de beneficiários ligados às operações. 

Poder intimidatório

Investigação mostra uma série de diálogos trocados entre Vorcaro e 'A Turma' (Foto: Reprodução/Inquérito da Polícia Federal) 

BNews também registrou a forma como o ex-dono do Banco Master operava quando algo saía do seu controle.

Enquanto sua filha, Stella, estava no estabelecimento Amor, em Saint-Tropez (França), Vorcaro acionou seu grupo de "operadores" para localizar a pessoa que a havia filmado, conforme trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal.

Os documentos da investigação revelam como essa estrutura clandestina atuava para perseguir pessoas vistas como ameaça ao empresário, incluindo jornalistas, influenciadores e ex-funcionários. O interlocutor identificado nas conversas como Felipe Mourão pedia o máximo de dados ao ex-banqueiro para qualificar as vítimas.

A investigação da PF aponta nos autos que o ex-policial federal Marilson Roseno da Silva comandava as operações do grupo batizado de “A Turma”, encarregado de extrair dados das pessoas que entravam na mira do empresário.

Operadores financeiros do banqueiro repassavam parte dos recursos — distribuídos por meio da empresa King Participações, do empresário Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — para custear esse tipo de estrutura, que movimentava mensalmente cerca de R$ 1 milhão.

Vorcaro remunera o grupo com R$ 400 mil por mês, valor dividido entre seis integrantes.

"A Turma"

O grupo operacional era conhecido internamente como “A Turma”. Seus integrantes levantavam documentos de inquéritos e processos para tentar antecipar ações da Justiça e da Polícia Federal, além de mapearem o perfil dos oponentes de Vorcaro por meio de varreduras de CPFs e CNPJs.

Em um dos trechos do processo, a PF revelou que Vorcaro e seu grupo perseguiram o operador de um drone que procurava o próprio cachorro perdido em um condomínio de alto padrão, em Nova Lima (MG), após o equipamento ter sobrevoado uma de suas residências.

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