O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no último domingo (25) com 51,76% dos votos válidos, o equivalente a 64.113.797 votos no total.
O resultado foi histórico. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que perdeu para o adversário no primeiro turno conseguiu virar o cenário.
Lula teve uma diferença de 4.359.003 votos para seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PT). Em um contexto de alta polarização, no entanto, não existe uma única questão que leve a compreensão do que foi determinante para a vitória do petista.
Ainda assim, o presidente não foi o único que venceu neste período eleitoral. Tarcísio de Freitas (Republicanos), André Janones, Rafael Fonteles (PT) e Michelle Bolsonaro (PL) também se transfomaram em figuras políticas essenciais para os próximos quatro anos.
Os reais vencedores da eleição
Tarcísio de Freitas
Além do presidente reeleito, uma das principais figuras que teve vitória nesse período foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Reeleito para os próximos quatro anos no maior colégio eleitoral do país, Tarcísio já era o principal nome da direita contra Lula para 2026. No entanto, sua candidatura não emplacou nos bastidores e ficou como apoiador do senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL).
Com a fuga do candidato derrotado aos Estados Unidos, o governador de São Paulo disse que é preciso respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. Além disso, declarou ao Estadão que não sabia do plano de fuga, mas aconselhou Flávio para que ficasse no Brasil.
A saída de Flávio do tabuleiro político abre espaço para uma candidatura à presidência de Tarcísio em 2030. Em mais quatro anos de mandato, ele deve reforçar suas alianças com empresários e o setor do agronegócio, o que pode impulsionar seu nome até o próximo pleito.
André Janones
No primeiro turno, que aconteceu em 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou 45,14% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,04%.
Para o cientista político e docente na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando, a mobilização de apoio ao presidente nas redes sociais — e eventualmente nas ruas — foi essencial nas três semanas entre primeiro e segundo turno para alcançar o resultado deste domingo.
O Brasilianista mostrou como Lula precisou comprimir e divulgar 4 anos de mandato em três semanas de "intensivão" nas redes sociais com ajuda de quem nunca teve espaço na cabeça de campanha: os jovens.
O novo formato de engajamento, que o bolsonarismo já dominava, foi encabeçado pelo deputado André Janones (Rede). Um canal do WhatsApp chamado "EXÉRCITO DO LULA", liderado por Janones, saiu de 600 mil seguidores para mais de 1 milhão em menos de 24 horas. Até dois dias antes do segundo turno, o grupo já marcava 10 milhões de seguidores.
Estratégia de redes sociais, transmissões ao vivo e apoiadores tiveram um papel que não se restringiu às plataformas digitais. As manifestações em apoio à Lula também marcaram a presença de milhões de brasileiros que reforçaram os esforços das redes sociais.
A hipótese do cientista político é de que as redes permitiram uma coesão simbólica tão grande que reverberou nas manifestações de rua.
"André Janones fez sozinho no segundo turno o que toda a equipe de campanha não fez no primeiro turno. Então, eu diria que até mesmo a força das redes sociais comandada por Janones reverberou nas ruas e levou muitos jovens para as ruas", avalia o cientista político.
Por sua vez, a manifestação de rua, que provavelmente levou aqueles já convertidos para as manifestações, deu sinais de força simbólica a um movimento de recusa do candidato Flávio Bolsonaro e de expressão de força, de coesão simbólica entre os eleitores do Lula e a militância petista.
"As movimentações de Janones primeiro retomaram as redes sociais que estava nas mãos, não apenas da direita, mas da extrema-direita, e fez com que as pessoas voltassem a usar a camisa da seleção, que era um símbolo capturado pelo bolsonarismo. E, em terceiro lugar, a ocupação de espaços públicos, como a Avenida Paulista", explica Prando.
Apesar de Janones não ser um nome cotado — até o momento — para substituir Lula em 2030, seu trabalho na comunicação digital da campanha já está sendo mais uma vez explorado pelo goveno Lula 3 e pode se expandir no Lula 4.
Rafael Fonteles
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT) também se destaca neste período eleitoral. Agora, ele deve ser o herdeiro de Lula no Nordeste.
Fonteles ganhou papel de destaque na campanha do segundo turno após se tornar o governador mais bem votado do país no primeiro turno, com mais de 70% dos votos no seu Estado.
Entre 2015 e 2022, assumiu a função de Secretário de Fazenda durante a gestão do então governador do Piauí, Wellington Dias (PT-PI), que hoje ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Fonteles concorre inclusive a uma vaga no governo do presidente reeleito.
Em conversas reservadas, informadas por O Brasilianista, Alckmin aparece como um dos nomes mais fortes para assumir o Ministério da Fazenda, sendo também cotado para retornar ao comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Caso a escolha não recaia sobre Dario Durigan, outro nome citado nos bastidores é o do governador do Piauí para o cargo de ministro da Fazenda.
Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, se tornou a última referência relevante do clã Bolsonaro no Brasil e com alguma posição política importante.
Com a fuga de Flávio, a esposa do ex-presidente ganha liberdade e força dentro do eleitorado conservador. Agora, ela tem oito anos como senadora para construir uma base sólida por aqui.
O Brasilianista mostrou antes do período eleitoral como Michelle era, inclusive, a mais cotada para uma possível candidatura à Presidência em 2026 após a crise na campanha de Flávio causada pelos escândalos do Dark Horse.
Outro ponto positivo que conta para a futura senadora seria o fato de não ter se pronunciado muitas vezes ao longo do governo do marido. Isso a manteve fora de polêmicas que impactam os discursos de Flávio e Eduardo Bolsonaro, por exemplo.
Antes da chapa de Flávio ser confirmada, o Centrão e o mercado financeiro, por sua vez, consideravam a primeira chapa presidencial feminina do Brasil, formada por Michelle como vice e Tereza Cristina como presidente.
Na campanha como senadora do Distrito Federal, conquistou o apoio da deputada Bia Kicis (PL) e da governadora Celina Leão (PL), ambas eleitas em 2026 para o Senado e o governo do DF, respectivamente.
Para Mariana Carvalho, sócia-fundadora do escritório Mariana Carvalho Advogados, em entrevista a esta matéria do O Brasilianista, o impacto de uma chapa feminina no Brasil seria principalmente político e comunicacional. Essa combinação em específico poderia causar verdadeira dor de cabeça ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
Michelle Bolsonaro possui nome potente na disputa, pois, além de ser uma representação do clã Bolsonaro, ela é politicamente relevante dentro do campo conservador e atua como uma das principais representantes da pauta bolsonarista.
Ademais, segundo a especialista, sua força eleitoral decorre não apenas da associação com o ex-presidente, mas também da construção de uma imagem própria ligada ao eleitorado evangélico, conservador e feminino.
Ainda assim, especialistas destacaram para esta reportagem do O Brasilianista que qualquer representante do bolsonarismo ainda seria fraco perto de Jair Bolsonaro. Isso porque há uma certa dependência do ex-presidente para manter a ideia dessa política. No entanto, em um futuro breve, novas figuras importantes da direita, eventualmente poderão romper com a família para seguir sua vida própria. Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Otoni de Paula são nomes sugeridos para “quebrar” a bolha bolsonarista.
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