A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) aparece em um novo vídeo publicado nas redes sociais em que apoia o deputado distrital Wellington Luiz (MDB), ex-aliado de Ibaneis Rocha e envolvido em denúncias de corrupção.
Acompanhado da deputada federal e também candidata ao Senado, Bia Kicis (PL), Michelle chamou Wellington de “careca do bem” — fazendo uma possível referência ao Careca do INSS, lobista preso pela fraude ao órgão previdenciário. Os três também afirmaram que organizam um mutirão para arrecadar fraldas para a Vila Pequenino Jesus, em Brasília.
Wellington é candidato à reeleição como deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa do DF. Aliado de primeira hora de Ibaneis Rocha, ex-governador do DF, que foi alvo de três pedidos de impeachment após envolvimento no Caso Master, O Brasilianista mostrou como o parlamentar tentou atrasar as solicitações de retirada de cargo na CLDF.
Um eventual afastamento do cargo poderia prejudicar a campanha de Ibaneis ao Senado. Eventualmente, o ex-governador renunciou o cargo do Executivo e, poucos meses depois, desistiu da campanha como senador.
Os casos de corrupção
Ao longo dos últimos anos, Wellington Luiz esteve na mira das autoridades em alguns casos de corrupção.
Emenda para viagem
Um dos principais que esteve envolvido foi a emenda para viagem à Holanda. Segundo a denúncia do MPDFT, ele teria articulado a destinação de R$ 105 mil em emenda parlamentar para a contratação da Morales Escola de Futebol, sob o pretexto de realizar treinamento de atletas no Varjão. O dinheiro, porém, teria sido usado para custear uma viagem à Holanda relacionada a um torneio de futebol.
O MPDFT afirmou que R$ 45 mil seriam destinados às despesas pessoais de Wellington Luiz e convidados. O restante seria usado para o próprio time participar do torneio.
O TJDFT recebeu a denúncia em novembro de 2014 e transformou o inquérito em ação penal. Em maio de 2019, o Conselho Especial do tribunal julgou improcedente a denúncia por entender que não havia provas suficientes para comprovar os crimes de peculato e dispensa ilegal de licitação. A absolvição foi por unanimidade.
No acórdão, ficou registrado que os valores haviam sido restituídos e que não ficou demonstrada a intenção específica de fraudar a licitação ou o conluio com os administradores do Varjão.
Irregularidades no Varjão
O MPDFT também moveu ação civil de improbidade administrativa envolvendo Wellington Luiz e outras pessoas por suposto desvio de recursos e irregularidades em contratações no Varjão.
A ação tratava de um suposto esquema envolvendo desvio de verbas públicas e fraudes em licitações na Administração Regional do Varjão. Wellington se tornou réu ao lado de Áurea Francisca Rodrigues de Moraes, Hélio Ferreira das Chagas, Emilton Mendes Brandão, empresas e outras pessoas.
A acusação civil descrevia uma atuação coordenada para direcionar emendas parlamentares para o Varjão, contratar empresas indicadas, montar procedimentos administrativos para justificar a contratação, utilizar dinheiro público em finalidade diferente daquela prevista na emenda, produzir enriquecimento ilícito e dano ao erário.
O deputado era acusado de operar na destinação das verbas e na articulação com os demais envolvidos. Esse processo chegou a 2026.
Em 8 de maio de 2026, o TJDFT julgou recurso do MPDFT, mas não foi reconhecida a ocorrência de dano ao erário e enriquecimento ilícito nos termos discutidos.
O caso chegou ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) porque houve discussão sobre a legitimidade de Wellington Luiz para permanecer como réu na ação de improbidade. A Corte avaliou que ele deveria seguir.
Terreno da Caesb
Uma disputa patrimonial e administrativa e uma ação civil pública do MPDFT aponta possíveis irregularidades na tentativa de regularizar a ocupação de um imóvel por Wellington Luiz.
Desde os anos 1990, o parlamentar e a mulher, Kilze Beatriz Montes Silva, ocupam uma área no Park Way. O terreno é da Caesb e está ligado ao Reservatório Catetinho. Em 2017, a Caesb notificou o casal para deixar o imóvel, mas o casal entrou na Justiça com uma ação de usucapião, alegando que moravam no local desde 1996 e que teriam direito à propriedade.
A Justiça negou o usucapião e determinou que a Caesb fosse reintegrada na posse. Em 2025, a área onde está a residência de Wellington foi incluída em um edital da Terracap para concessão de uso. A vencedora da licitação foi justamente Kilze Beatriz Montes Silva, esposa de Wellington.
O Ministério Público entendeu que isso poderia representar uma tentativa de contornar a decisão judicial que havia determinado a desocupação.
Depois de vencer a disputa judicial pela posse, a própria Caesb mudou de posição. A empresa havia defendido anteriormente que a área era necessária ao sistema de abastecimento público, mas depois passou a considerar que ela poderia ser concedida a particulares. O MP chamou essa mudança de postura de desvio de finalidade.
Em dezembro de 2025, a Justiça suspendeu a concessão. Em julho de 2026, a 4ª Vara da Fazenda Pública do DF declarou nula a licitação e proibiu a Caesb de vender, conceder ou alienar o terreno enquanto ele permanecer afetado ao serviço público de saneamento.
O MPDFT afirma que a área ocupada pelo casal inclui aproximadamente 8 mil m² pertencentes à Caesb, além de cerca de 1,6 mil m² de área pública vizinha. A casa teria aproximadamente 585 m².
O Ministério Público sustenta que a licitação poderia ter sido utilizada para satisfazer um interesse privado e contornar uma decisão judicial anterior.
A suspeita é de que Wellington teria usado influência política sobre a estrutura do GDF, incluindo Caesb e Terracap, para solucionar seu problema particular — mas isso é uma alegação do MPDFT que está sendo discutida judicialmente, não uma condenação por corrupção.
Ibaneis e o Master
Os pedidos de impeachment contra Ibaneis alegavam crimes de responsabilidade em relação às negociações da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), estatal de gestão do governador do DF.
Para além dos pedidos de impeachment, o Ibaneis é alvo de dois pedidos de investigação enviados ao Ministério Público Federal (MPF).
É importante lembrar que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. Para o MP, há indícios de fraude nas transferências, visto que o banco privado sofria com crise de liquidez.
Juntando os três pedidos de impeachment, o governador do DF é acusado por:
- Falta de responsabilização imediata a dirigentes do BRB praticaram atos inconstitucionais e contrários à Lei Orgânica do DF;
- Procedimento incompatível com a dignidade, honra e decoro do cargo;
- Ordenação de despesas e realização de operações financeiras sem autorização legal prévia;
- Exposição patrimonial;
- Negligência na guarda e conservação do patrimônio público;
- Impulsionar e defender publicamente uma operação de elevado risco;
- Aquisição, com recursos públicos, de bem por preço superior ao de mercado;
- Operações financeiras sem observância das normas legais regulatórias; e
- Enriquecimento ilícito de terceiro.
O entendimento é de que Wellington tentava atuar como um escudo para Ibaneis não perder o cargo de governador.
Vale lembrar que o Partido Liberal (PL) rompeu Ibaneis Rocha (MDB) ainda em março desse ano, protocolando um pedido para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal para investigar as operações entre o Banco Master e o BRB. Essa atitude diminuiu a possibilidade dele de tentar um cargo no Congresso.
Estratégia de Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro ainda é um dos principais nomes das eleições de 2026. Após a disputa nos bastidores que impediu uma candidatura da ex-primeira-dama à Presidência da República, ela tenta uma das duas vagas ao Senado emplacadas pelo PL.
Ainda assim, Michelle é uma das peças estratégicas para a campanha do enteado, Flávio Bolsonaro (PL).
Para o eleitor, mesmo que Flávio se reaproxime dela após os escândalos que expuseram o desgaste entre enteado e madrasta, ele precisa mostrar "alinhamento".
Michelle cresce diante dessas repercussões, especialmente entre o eleitorado feminino, com a sua própria identidade, e transmite a ideia de que ela ajuda Flávio a parecer mais unido. Flávio ainda não consegue atrair sozinho o eleitor feminino e ganha um pouco de tempo para recuperar a imagem.
Além disso, seu apoio a qualquer candidato pode ser significativo — justamente o que Wellington Luiz está procurando.
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