O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está correndo atrás do prejuízo na corrida até o segundo turno das eleições de 2026. Seu foco é unir a juventude e o ambiente digital até o dia 25 de outubro.
Em uma tentativa de ser o "Juscelino Kubitschek digital", ao invés de transformar 50 anos em 5, Lula precisa comprimir e divulgar 4 anos de mandato em três semanas de "intensivão" nas redes sociais — dessa vez, com ajuda de quem nunca teve espaço na cabeça de campanha: os jovens.
O último domingo (04) mostrou um resultado das urnas fora do esperado: Lula marcou 45,14% dos votos válidos, contra 47,04% dos votos para seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto um dos principais gargalos na campanha de Lula é justamente a falta de engajamento digital, O Brasilianista mostrou que o presidente aposta em um novo formato de engajamento, encabeçado pelodeputado André Janones (Rede).
Um canal do WhatsApp chamado "EXÉRCITO DO LULA", liderado por Janones, saiu de 600 mil seguidores para mais de 1 milhão em menos de 24 horas. Nesta quarta-feira (07), o parlamentar esteve com o presidente, que gravou um vídeo pedindo mais seguidores da página.
A reunião, no entanto, já se mostra como um ponto de virada na estratégia utilizada por Lula nas redes sociais. Na agenda oficial do presidente, estava marcada para esta manhã uma reunião com o Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira. Por volta das 15h, uma série de vídeos mostram Lula com deputados jovens e aliados, eleitos no último domingo.
A nova estratégia das redes sociais de Lula
Pela primeira vez desde o início da campanha eleitoral, Lula passou a publicar vídeos em formato de "selfie", ou seja, em que ele mesmo se grava, falando diretamente com os seguidores. Esse modelo já é conhecido pelos eleitores de Flávio Bolsonaro.
Anteriormente, o candidato à reeleição publicava em suas redes sociais somente vídeos de reuniões que participava, aparições na rua, podcasts e outras publicações de propaganda eleitoral.
Nesta quarta-feira, até o momento de publicação desta reportagem, já haviam cinco vídeos publicados nesse formato em seu Instagram, além de postagens temporárias (story) com músicas conhecidas pelos jovens.
Deputados da juventude do PT, PSOL e outros partidos aliados também se uniram à estratégia. Ana Elisa, eleita em Minas Gerais, e Guilherme Cortez, eleito em São Paulo, são exemplos.
O topo da votação para a Câmara em 2026 foi ocupado por uma geração que aprendeu a disputar atenção dentro da lógica das plataformas digitais.
Os cinco deputados federais mais votados de 2026 têm menos de 40 anos e acumulam cerca de 38 milhões de seguidores apenas no Instagram. As últimas três eleições gerais evidenciaram um elemento que não pode mais ser ignorado na política: o bom manejamento das redes sociais.
Reportagem de O Brasilianista mostra como uma geração que transformou vídeos, confrontos e engajamento em capital político ocupou o topo das urnas.
Uma das deputadas federais presentes na reunião de Lula foi Ana Elisa, a mais jovem a ser eleita em Minas Gerais. A futura parlamentar é influenciadora e já discutia a necessidade de ampliar o discurso de esquerda nas redes sociais.
Porém, a avaliação é de que a equipe de Lula não tinha contato com a base jovem de aliados em contato com o digital e, agora, corre atrás do prejuízo com somente três semanas até o segundo turno.
Para fins de comparação, o atual presidente possui 16,1 milhões de seguidores em sua conta oficial do Instagram, enquanto seu rival possui 13,5 milhões — mas com uma capilaridade intensa entre seus aliados.
Agora, resta a dúvida se a estratégia de Lula das redes sociais será suficiente para converter votos ou chamar os quase 40 milhões de abstenções, votos brancos e nulos no primeiro turno até o fim do mês.
Acompanhe as redes sociais de O Brasilianista

