Publicidade
Justiça

Um inquérito seguido do outro

Flávio, Eduardo, Jair, Jair Renan são ou foram investigados ou citados em investigações da PF, do Congresso e do MP

Família Bolsonaro
Outros integrantes da família acumulam investigações por desvio de recursos, corrupção e uso irregular de estruturas públicas, além de processos arquivados e condenações criminais (Foto: reprodução)

Integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro acumulam um histórico de investigações envolvendo suspeitas de desvio de recursos públicos, movimentações financeiras e uso irregular de estruturas governamentais.

Os procedimentos tiveram desfechos diferentes, incluindo arquivamentos, denúncias rejeitadas, investigações reabertas e condenações criminais.

Publicidade

Segundo o BNews, a Justiça do Distrito Federal recebeu uma denúncia contra Jair Renan Bolsonaro e outras cinco pessoas por supostas fraudes na obtenção de empréstimos bancários.

A assessoria jurídica de Jair Renan Bolsonaro divulgou uma nota contestando a informação de que o vereador teria se tornado réu em uma nova ação penal por lavagem de dinheiro.

No comunicado, assinado pelo advogado Admar Gonzaga, a defesa afirmou que a notícia publicada originalmente pelo Correio Braziliense era falsa e que o próprio veículo publicou uma errata para corrigir a informação.

A assessoria também negou que tivesse sido procurada antes da publicação e criticou os prejuízos que a divulgação causou à imagem e à reputação do parlamentar.

A situação judicial dos Bolsonaro ocorre paralelamente às articulações para a eleição presidencial de 2030.

Flávio Bolsonaro pretende antecipar o anúncio de uma nova candidatura para disputar espaço com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Michelle Bolsonaro (PL).

O senador, derrotado na eleição de 2026, também enfrenta investigações sobre movimentações financeiras relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Favorecimento arquivado

Jair Renan foi investigado por conta de sua empresa de eventos. A apuração examinava suspeitas de favorecimento empresarial e tráfico de influência durante o governo do pai.

O caso envolvia a relação do filho do então presidente com empresários e possíveis benefícios concedidos à empresa.

A Polícia Federal chegou a examinar contatos e transações para verificar se a proximidade com o Palácio do Planalto havia sido utilizada para obter vantagens.

A investigação foi arquivada em 2021, após os investigadores não reunirem elementos suficientes para sustentar uma acusação criminal.

Flávio sob investigação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta investigações financeiras no Supremo Tribunal Federal relacionadas a operações empresariais e à origem de recursos movimentados por pessoas de seu círculo político.

Uma das apurações envolve o advogado Willer Tomaz. A investigação examina possíveis operações de lavagem de dinheiro envolvendo empresas no exterior, plataformas de apostas e movimentações financeiras associadas ao advogado.

Flávio possuía acesso como usuário com poderes de administração a uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa ligada a Willer.

Os investigadores procuram esclarecer se a relação ultrapassava a amizade declarada pelo parlamentar e envolvia alguma participação econômica não formalizada.

A defesa de Flávio nega irregularidades e afirma que a relação entre os dois é pessoal.

Outra investigação, relatada pelo ministro André Mendonça, envolve o financiamento do filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal examina um pedido de aproximadamente R$ 134 milhões ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar o projeto.

A apuração considera suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Rachadinha rejeitada

Uma investigação anterior contra o senador envolveu suspeitas de desvio de salários de assessores quando ele exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O Ministério Público fluminense acusou Flávio e outras pessoas, incluindo Fabrício Queiroz, de participação em um esquema conhecido como rachadinha, no qual funcionários devolveriam parte de seus vencimentos.

Em 2022, a Justiça rejeitou a denúncia depois que decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do STF anularam provas utilizadas na investigação.

A acusação, portanto, não resultou em julgamento de mérito sobre a participação do senador nos fatos.

Em 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também rejeitou uma tentativa do Ministério Público de obter novas quebras de sigilo para retomar a apuração. A decisão foi revelada pela Folha em março de 2026.

Flávio nega ter cometido irregularidades e afirma que as decisões judiciais demonstram a improcedência das acusações.

Carlos investigado novamente

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) também foi investigado por suspeitas de rachadinha em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

O Ministério Público apurou possíveis desvios de recursos públicos entre 2005 e 2021.

A investigação alcançou funcionários, ex-assessores e pessoas relacionadas à estrutura administrativa do gabinete.

Em setembro de 2024, o procedimento contra Carlos foi arquivado por insuficiência de elementos que demonstrassem o recebimento de valores irregulares pelo parlamentar.

Entretanto, em fevereiro de 2026, o Ministério Público do Rio determinou a reabertura das investigações.

A Procuradoria-Geral de Justiça considerou o arquivamento prematuro e solicitou diligências complementares.

O procedimento deverá examinar movimentações financeiras e operações patrimoniais que, segundo o órgão, não haviam sido suficientemente esclarecidas.

Carlos nega participação em qualquer esquema de desvio de salários.

Abin paralela

O nome de Carlos também apareceu na investigação da chamada Abin paralela, que examinou o suposto uso ilegal da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal apurou suspeitas de utilização de ferramentas de monitoramento para obter informações sobre autoridades, jornalistas e adversários políticos.

Em junho de 2025, Carlos foi indiciado pela PF por suspeita de participação em organização criminosa. O relatório identificou um suposto núcleo político ligado ao esquema.

Em julho de 2026, o STF determinou o encaminhamento da investigação envolvendo Carlos e outros investigados à Justiça Federal. 

Na mesma decisão, a investigação específica sobre Jair Bolsonaro no caso da Abin paralela foi arquivada, considerando também a existência de responsabilização do ex-presidente por fatos examinados na ação penal da trama golpista.

Condenação de Eduardo

A situação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro possui uma diferença fundamental em relação aos procedimentos ainda investigativos.

Em junho de 2026, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.

Segundo a decisão, ele atuou para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento da ação penal em que Jair Bolsonaro respondia por tentativa de golpe de Estado.

Os ministros consideraram comprovadas iniciativas relacionadas à articulação de sanções econômicas e diplomáticas americanas contra o Brasil e integrantes do Judiciário.

A condenação foi mantida pela Corte após o exame de recurso apresentado pela defesa, em setembro.

Eduardo rejeita as acusações e sustenta que suas atividades nos Estados Unidos constituíram atuação política legítima.

Bolsonaro condenado

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF em setembro de 2025 a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.

A Primeira Turma considerou o ex-presidente responsável por liderar uma organização criminosa e participar de ações destinadas a impedir a posse do governo eleito.

O julgamento examinou documentos, depoimentos e outras provas relacionadas à tentativa de ruptura institucional. A condenação também envolveu outros ex-integrantes do governo e militares.

A defesa do ex-presidente negou as acusações e questionou a competência do Supremo para conduzir o processo.

Casos encerrados

Nem todas as investigações contra Jair Bolsonaro avançaram até a apresentação de denúncia ou julgamento.

Em março de 2025, Alexandre de Moraes determinou o arquivamento da investigação sobre suposta fraude em registros de vacinação contra a covid-19.

A decisão acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República, que considerou insuficientes os elementos para responsabilizar criminalmente o ex-presidente.

O órgão concluiu que a acusação não poderia depender exclusivamente de declarações de um colaborador premiado sem provas independentes.

Outro procedimento examinou presentes de alto valor recebidos durante o mandato, incluindo joias e relógios entregues por autoridades estrangeiras.

Em março de 2026, a PGR pediu o arquivamento da investigação sobre o suposto desvio das joias sauditas.

O órgão argumentou que as normas então existentes não definiam de maneira suficientemente clara a propriedade dos presentes recebidos por presidentes da República.

O caso da suposta interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal também apresentou mudanças de andamento.

Em 2022, a corporação concluiu não haver indícios suficientes de interferência indevida e pediu o encerramento da investigação.

Em outubro de 2025, porém, Moraes autorizou a reabertura do procedimento a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para apurar possíveis conexões com outras investigações.

Michelle e Queiroz

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também teve o nome mencionado em pedidos de investigação relacionados a repasses feitos por Fabrício Queiroz, antigo assessor de Flávio.

Informações bancárias revelaram depósitos de cheques na conta de Michelle durante o período em que Queiroz atuava no círculo político da família.

Em 2021, a Procuradoria-Geral da República rejeitou a abertura de uma investigação criminal contra Jair Bolsonaro com base exclusivamente nesses pagamentos.

O então procurador-geral Augusto Aras afirmou que não havia elementos mínimos demonstrando crime praticado pelo presidente.

Bolsonaro declarou na época que os valores correspondiam ao pagamento de um empréstimo pessoal feito a Queiroz.

Disputa por 2030

Enquanto diferentes procedimentos judiciais seguem seus próprios caminhos, Flávio Bolsonaro já articula uma possível nova candidatura presidencial.

Segundo informação divulgada pelo BNews, o senador pretende anunciar nos próximos dias a intenção de disputar a eleição de 2030.

A movimentação busca antecipar a definição do candidato do campo conservador e impedir que Tarcísio de Freitas ou Michelle Bolsonaro consolidem suas posições como alternativas presidenciais.

Flávio mantém conversas com Eduardo Bolsonaro e aliados da família que estão nos Estados Unidos para avaliar o momento do anúncio.

Nota de correção - 30 de outubro de 2026: A versão original desta reportagem reproduziu informação divulgada pelo BNews, com base no Correio Braziliense, de que Jair Renan Bolsonaro havia se tornado réu em uma nova ação penal por lavagem de dinheiro. Após a publicação, a defesa do vereador contestou a informação e comunicou que o veículo de origem havia publicado uma errata. A reportagem foi corrigida para retirar a referência à suposta nova ação penal.

Acompanhe O Brasilianista!