Se no 1º turno das eleições os debates eleitorais foram marcados por abstenções dos principais candidatos na disputa presidencial, o 2º turno parece tomar um rumo diferente.
Neste domingo (18), a Band confirmou o debate presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir das 20h (horário de Brasília).
Primeiramente, a campanha do candidato do PL anunciou que ele não participaria do debate. O petista, na sequência, confirmou sua presença: "No domingo, eu estarei no debate da TV Bandeirantes e espero que meu adversário compareça para que possamos mostrar para o povo a diferença entre os candidatos e os programas".
Com isso, Flávio voltou atrás e chegou a gravar um vídeo em que disse: "Lula, como você é previsível, né? Bastou falar que não ia no debate da Band pra você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate. Eu só queria que você confirmasse".
O peso do debate na era dos vídeos curtos
Mas o que esperar desse debate em um Brasil tão polarizado quanto o nosso? Letícia Mendes, cientista política na BMJ Consultoria, enfatiza que, atualmente, o debate tem um peso grande para o eleitorado, principalmente quando os dois candidatos ainda na disputa não participaram dos debates no primeiro turno.
Ela ainda pontua: "O impacto eleitoral ainda é meio que subentendido em relação a esse ponto do debate. O debate não decide uma eleição, mas ele tem uma repercussão importante". O desempenho ainda pode render cortes e mais promoções nas redes sociais.
Diante de uma eleição que parece ser muito decidida pela rejeição ao oponente, a especialista entende que é difícil que um debate mude a opinião desses espectros políticos consolidados, contudo ela destaca que é possível provocar mudanças principalmente na parcela que se absteve no 1º turno, que atingiu 21,08%, um recorde, assim como os votos brancos e nulos, que chegou a 4,8%.
"O debate é importante para consolidar e firmar posicionamentos, mas a transferência de votos nem sempre é imediata ali logo após o debate, mas ela visa realmente firmar posições e certamente também vai servir para poder tracionar nesse eleitorado que ainda foi indeciso ou que votou nulo e branco no primeiro turno", complementa.
O foco do debate
A especialista faz questão de enfatizar que Lula e Flávio tem questões diferentes em disputa nestes debates.
"Lula, por estar disputandua sua reeleição e a possibilidade de ter um quarto governo, irá trazer uma mistura daquilo que ele pode trazer de novo e também reforçar o seu legado. [...] Já Flávio pode ter um direcionamento para questionar a atual gestão, fazer correlações com a gestão do pai dele e se colocar como uma plataforma de oposição ao governo Lula", esclarece.
Para Letícia, os principais temas que devem ser trazidos são economia: "renda do eleitor, custo de vida, geração de empregos, controle da inflação e, principalmente, o poder de compra"; segurança pública: "combate ao crime organizado, controle de armas e a inteligência do Estado"; e governabilidade: "como que o presidente vai se portar em relação a outros Poderes e também a outras nações".
Há espaço para mudança?
Como já destacado, a cientista política entende que a possível mudança de voto, no cenário atual, se concentra nos votos brancos, nulos e abstenções. Assim, ela acredita que Lula deve reforçar seu eleitorado fiel, além de tentar retomar o eleitorado que historicamente era seu e perdeu, enquanto Flávio deve reforçar o preparo para governar e a continuidade do legado do seu pai.
Por fim, Letícia dá algumas dicas sobre os pontos que o eleitor deve observar nos debates presidenciais:
- Os detalhes de cada uma das perguntas, das suas propostas, se realmente cada uma das afirmações vão se sustentar dentro daquilo que os candidatos já colocaram;
- Qual o preparo de cada um desses candidatos realmente para ocupar um cargo de proeminência que é a presidência do país;
- Se o discurso é coerente com as propostas e com o histórico dos candidatos.
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