O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, marcou 45,14% dos votos válidos no primeiro turno das eleições de 2026, contra 47,04% dos votos para seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
O petista não conseguiu superar o candidato do PL — contrariando as pesquisas — mesmo gastando muito dinheiro público às vésperas da eleição, assim como fez Jair Bolsonaro em 2022. Agora sua aposta para o segundo turno está no digital.
Lula aumentou o Bolsa Família em 15% e liberou canetas emgracedoras no SUS. O atual presidente também proibiu as Bets. O Brasilianista mostrou que a medida parece que teve o efeito contrário ao esperado, pois despertou a ira de torcedores de diversos clubes de futebol que só têm dinheiro por conta dos patrocínios pagos por empresas de apostas.
Para vencer uma eleição presidencial ainda no primeiro turno, o político precisa obter mais de 50% dos votos válidos, sendo que os votos brancos e nulos não entram na contabilidade da disputa. O último candidato a vencer as eleições em primeiro turno foi Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Movimentação das redes sociais
Os cinco deputados federais mais votados de 2026 têm menos de 40 anos e acumulam cerca de 38 milhões de seguidores apenas no Instagram. As últimas três eleições gerais evidenciaram um elemento que não pode mais ser ignorado na política: o bom manejamento das redes sociais.
Reportagem de O Brasilianista mostra como uma geração que transformou vídeos, confrontos e engajamento em capital político ocupou o topo das urnas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o principal gargalo na campanha de Lula é justamente a falta de engajamento digital. Para o segundo turno, a juventude do PT que é boa nesse setor é novamente excluída da cabeça de campanha, substituída pelo deputado André Janones (Rede).
O parlamentar articula um grupo com o objetivo de intensificar a atuação nas redes sociais durante o 2º turno. Segundo Janones, sua estratégia será “ditar o direcionamento, as narrativas, desconstruir a narrativa deles (oposição)”.
Em um canal no WhatsApp onde ele manda instruções para os mais de 800 mil seguidores, o parlamentar afirmou que deve se encontrar com Lula nesta quarta-feira (07) para discutir como será realizada a campanha eleitoral no ambiente digital.
Apesar das instruções ainda não serem claras, Janones explica que a "missão inicial" é "fazer um comando unificado de redes sociais". Ele deve enviar direcionamentos de como utilizar as redes durante as próximas três semanas até o fatídico 25 de outubro.
O deputado alega que só conseguiria agir com um grupo de peso, visto que "a turma de lá" gasta milhões em propagandas eleitorais no ambiente digital.
A relevância do digital
O topo da votação para a Câmara em 2026, por exemplo, foi ocupado por uma geração que aprendeu a disputar atenção dentro da lógica das plataformas digitais.
A televisão continua existindo. O horário eleitoral continua sendo obrigatório. O TSE manteve em 2026 os programas em rádio e TV e determinou que as emissoras reservassem também 70 minutos diários para inserções eleitorais de 30 e 60 segundos.
Mas a pergunta deixada pelas urnas é se o horário eleitoral ainda é o principal lugar onde uma candidatura passa a existir para o eleitor ou se, antes dele, o algoritmo já fez esse trabalho.
Quem é André Janones?
André Luis Gaspar Janones, 42, nasceu em Ituiutaba, cerca de 580km de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Ele estudou Direito em uma faculdade particular com bolsa de estudos e trabalhou como cobrador de ônibus antes de ingressar na vida política, em 2003.
Ele inicialmente se filiou ao PT e ficou no partido até 2012. Depois disso, entrou no PSC (em 2012) e depois no Avante. Como advogado, ele passou a usar as redes sociais para cobrar o cumprimento de decisões judiciais.
Em 2016, Janones disputou sua primeira eleição para prefeito de Ituiutaba, mas ficou em segundo lugar, com 24% dos votos. Dois anos depois, com força relevante nas redes sociais, se transformou em um dos principais porta-vozes da greve dos caminhoneiros, entre maio e junho de 2018.
Ainda em 2018, emplacou sua candidatura como deputado federal. Em 2022, após desistir da campanha à Presidência da República, passou a integrar o time de redes sociais de Lula para aplicar as mesmas técnicas bolsonaristas de uso de algoritmo.
Investigado por rachadinha
Para além de um fenômeno das redes sociais, o deputado federal André Janones foi alvo de investigações e indiciamento por suspeita de esquema de "rachadinha" em seu gabinete, tendo posteriormente firmado um acordo de não persecução penal homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em março de 2025, o STF homologou um acordo de não persecução penal (ANPP) fechado entre André Janones e a Procuradoria-Geral da República (PGR). No âmbito do acordo, Janones confessou a prática de peculato (relacionado ao repasse de salários) e concordou em pagar uma reparação financeira superior a R$ 150 mil, dividida entre uma parcela única e prestações mensais, além de multas.
O acordo foi firmado após, em setembro de 2024, a Polícia Federal (PF) indiciar o parlamentar por associação criminosa, corrupção passiva e peculato. Segundo o relatório da PF enviado ao STF, o deputado teria sido o eixo central de desvios de recursos públicos com base em depoimentos de ex-assessores e análise de crescimento patrimonial desproporcional entre 2019 e 2020.
O montante total de R$ 157.813,76 foi integralmente quitado e informado pela PGR ao ministro relator Luiz Fux em setembro de 2026.
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