Publicidade
Política

Há um caminho para Lula?

O 1º turno terminou com Flávio à frente por quase 2 pontos percentuais

Luiz Inácio Lula da Silva
No discurso após o resultado do 1º turno, Lula disse que achou que ganharia já no último domingo (Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil)

O próprio candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva se motrou surpreso com o resultado das eleições presidenciais no 1º turno, durante o discurso em São Paulo. 

"Acabamos de ter uma lição da democracia com a votação do povo brasileiro. O resultado, às vezes, é um pouco inesperado. Eu confesso que eu esperava ganhar no primeiro turno. Mas a gente tem o segundo turno, e isso será a prova dos nove", disse Lula. 

Publicidade

Diferentemente do que as pesquisas eleitorais indicavam, Flávio Bolsonaro (PL) terminou a disputa do último domingo (04) à frente de Lula. Enquanto o filho de Jair recebeu 56.104.503 votos (47,03%), o petista terminou com 53.879.538 votos (45,16%).

Com intervalo de três semanas para o segundo turno, é possível reverter esse quadro? O Brasilianista conversou com Raquel Alves, analista de política federal na BMJ Consultores Associados, para entender o cenário presidencial atual. 

O que está em jogo ainda?

A especialista afirma que as principais variáveis hoje na disputa eleitoral se dão pela abstenção (principalmente pelo lado de Lula) e a permanência do engajamento para votar em segundo turno (principalmente pelo lado de Flávio). 

Ela explica: "O comparecimento no segundo turno é um elemento importante, afinal a disputa aos governos estaduais está fechada em 20 (21, se considerarmos o Rio de Janeiro com a desistência de Anthony Garotinho) estados. Para o senador Flávio, o desafio é manter seus eleitores mobilizados para não perder votos já conquistados. Para Lula, dado que a abstenção em áreas isoladas – cidades com população que mora a mais de 40km da votação – foi maior que a média nacional (nesses locais foi de 27,9% em 22, acima da média nacional) – atinge mais os eleitores de baixa renda, que estão associados ao campo governista". 

Raquel pontua que todos os eleitores (jovens, mulheres, evangélicos, eleitores de maior renda, regiões específicas, etc...) são importantes e farão diferença neste segundo turno, mas destaca as mulheres com um peso especial "porque elas (nós) registram maiores taxas de comparecimento".

Onde fica a 3ª via?

A respeito da ausência dos candidatos de 3ª via neste segundo turno, Raquel enfatizou a importância de não tratá-los como um bloco único: "O eleitor de Caiado e Zema estão mais próximos a Flávio, já os eleitores de Cury e Renan realmente buscam algo novo".

Como ficou claro e a especialista reforça, nenhum dos eleitores desses quatro candidatos, por tendência, querem Flávio ou Lula. Por isso, além de ser difícil de prever para quem os votos podem migrar, também é difícil prever se essa parcela irá votar. 

Para ela, o resultado das eleições para governador e Legislativo pode influenciar a disputa presidencial de formas opostas: "É um estímulo ao não comparecimento, sobretudo dos eleitores não polarizados. Por outro lado, a exposição dos candidatos com os vencedores do primeiro turno pode ser um estímulo simbólico para o comparecimento na segunda rodada de votação".

Por fim, a analista pontua as principais variáveis que os dois candidatos precisam administrar até 25 de outubro como "rejeição ao outro oponente" e "administração do ânimo das bases".

Raquel finaliza dizendo que é realmente muito difícil haver um caminho para Lula reverter o quadro, mas diante de uma forte polarização, pesquisas que não conseguiram traduzir totalmente o resultado das urnas e a alta abstenção já no primeiro turno, ela completa: "No Brasil, nunca se diz nunca".

Siga O Brasilianista!