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O populismo eleitoral não deu certo

Lula vive mesmo cenário eleitoral que Joe Biden enfrentou nos EUA em 2024

O populismo eleitoral não deu certo
Resultado do primeiro turno mostrou descolamento do PT com metade do Brasil (Foto: Imagem criada por IA/O Brasilianista)

Lula (PT) sofreu uma derrota inesperada no último domingo (4) ao perder o primeiro turno das Eleições presidenciais para Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos.

O petista não conseguiu o candidato do PL mesmo gastando muito dinheiro público às vésperas da eleição, assim como fez Jair Bolsonaro em 2022. Lula aumentou o Bolsa Família em 15% e liberou canetas emgracedoras no SUS.

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O atual presidente também proibiu as Bets. A medida parece que teve o efeito contrário ao esperado, pois despertou a ira de torcedores de diversos clubes de futebol que só têm dinheiro por conta dos patrocínios pagos por empresas de apostas.

Joe Biden

A derrota de Lula veio mesmo com a inflação acumulada do ano em 3,11% e uma taxa de desemprego de 5,3% — valores considerados baixos. Por outro lado, a projeção do PIB para 2026 é de 1,85% e os preços da gasolina e do diesel estão acima de R$ 6,50 e R$ 6,10, respectivamente.

Esse cenário vivido por Lula é similar ao experimentado pelo Democrata Joe Biden, ex-presidente dos EUA que perdeu as eleições dos EUA para o Republicano Donald Trump em 2024.

Há dois anos, os EUA registravam infalção de 2,9%, taxa de desemprego de 4,1%, um crescimento de PIB de 2,8% e os preços da gasolina e do diesel eram de 3,30 dólares e 3,80 dólares, respectivamente.

Perdeu lá; e aqui?

Biden perdeu para Trump por dúvidas sobre sua capacidade de governar e em meio a acusações de corrupção, por ter livrado seu filho Hunter Biden da Justiça, que foi condenado por porte ilegal de arma, sonegar impostos e mentir sobre o uso de drogas.

No Brasil, Lula é acusado (sem provas) de ter ajudado Daniel Vorcaro a fraudar os sistemas bancário e financeiro com o Banco Master. O petista também é acusado de blindar seu filho Lulinha de ser investigado no Escandâlo do INSS.

Adversário de teflon

Nos EUA, as acusações dos Democratas contra Trump não surtiram efeito da mesma forma que, no Brasil, as denúncias do PT contra Flávio Bolsonaro foram ineficientes junto ao eleitorado.

Donald Trump, que está em seu segundo mandato como presidente dos EUA, foi acusado de estupro e teve exposta sua amizade com o pedólifo Jeffrey Epstein, dono de uma ilha onde ricos e poderosos curtiam festas sexuais com crianças. 

Flávio foi citado no Caso Master por conta de sua relação com Daniel Vorcaro, que financiou o filme Dark Horse, foi investigado por conta de rachadinhas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e é apontado como ligado a milicianos, inclusive os assassinos de Marielle Franco. 

Assim como Trump, o senador pelo PL foi acusado de trair a esposa e de participar de orgias. Mensagens de um ex-aliado de Flávio, Alexandre Santini, mostram como eram as festas e as preferências sexuais do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

Adversário interior

Nos casos de Lula e Joe Biden (e de Jair Bolsonaro), as derrotas foram autoimpostas. Há uma máxima na ciência política que o candidato que ocupa o cargo público perde pois fez uma gestão ruim, não porque seu adversário necessariamente é melhor.

O PT e os Democratas dos EUA sofreram do mesmo problema. Os dois partidos passaram as respectivas campanhas falando para o próprio público e achando que os discursos que serviam nos idos dos anos 2000 e 2010 ainda seriam trunfo na segunda metade da década de 2020.

Os dois partidos também são acusados de impor ideologias que destoam da vida cotidiana dos cidadãos brasileiros e dos EUA, principalmente quanto à questão de gênero.

Aliado problemático

As decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral também contribuíram para prejudicar Lula na eleição. Parte da população entende que o petista só retornou à Presidência da República porque o STF condenou Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

É bem verdade que Lula não teria governado sem as decisões do STF e que sequer teria disputado a eleição sem a decisão da corte que o libertou da cadeia. O petista também conta com seus aliados no TSE para atacar Flávio e se defender do bolsonarismo.

Uma parcela considerável do eleitorado considera Alexandre de Moraes aliado de Lula, mesmo com ligação histórica do ministro junto à Direita em São Paulo e tendo sido indicado por Michel Temer, que lucrou com o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República em 2015.

A mesma visão vale para a relação de Lula com Dias Toffoli. Mas a realidade é diferente. O petista, apesar ter indicado Toffoli para o STF no passado, odeia o ministro com todas as suas forças.

Um dos motivos foi a falta de atuação de Toffoli para ajudar o PT a escapar da Lava Jato. O outro é a decisão de Dias Toffoli que impediu Lula de ir ao velório do irmão, em 2019.  

A ajuda do Centrão

As bancadas de de União Brasil e PP se reúnem às 16h desta terça-feira (6) para definir se apoiam Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A decisão, independente do resultado, não apagará o apoio velado dos dos partidos a Flávio desde o início da campanha.

Nomes do PP como Arthur Lira e Ciro Nogueira, ambos nos bastidores, e Tereza Cristina, publicamente, já apoiam Flávio Bolsonaro. Lira apoia Flávio porque Renan Calheiros, que perdeu a disputa ao Senado no último domingo, é aliado de Lula.

Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e interlocutor importante da gestão de Bolsonaro com o Congresso. Ciro foi chamado por Flávio de vice dos sonhos.

Agora pode falar

Os dois partidos não anunciaram antes seus apoios por medo de perderem votos para deputado (federal e estadual) e Senador, principalmente no Nordes, Região do Brasil que mais vota em Lula.

Ronaldo Caiado, do PSD de Gilberto Kassab, e Romeu Zema, do Novo, já declaram apoio a Flávio Bolsonaro. O apoio de ambos vem após duras críticas dos candidatos à relação de Flávio com Vorcaro.

Zema quase perdeu a candidatura no Novo por criticar Flávio Bolsonaro. O partido que se diz liberal sempre atuou como linha auxiliar do bolsonarismo.

Precatórios

O novo sistema de precatórios que será anunciado em breve, mais as novas regras que virão com a plataforma, animam o Banco Central e parte do Judiciário. Fontes afirmam que a ideia é evitar um novo Banco Master.

Porém, fontes com ótimo trânsito no Judiciário afirmam que essa transparência com precatórios vai prejudicar (inclusive junto à polícia) a vida de filhos de minsitros de Cortes Superiores.

Não é segredo que os herdeiros do Judiciário topam qualquer ação judicial em que haja milhões e bilhões envolvidos. Essa "ponta solta" tem sido usada por parte do STF para pressionar os colegas que apoiam Flávio Bolsonaro. 

O advogado

O advogado Klaus Stenius Bezerra, condenado por se apropriar de R$ 1,4 milhão de clientes, acumula um histórico 12 processos judiciais nas esferas cível e criminal.

Bezerra também é alvo de um inquérito por estelionato e soma mais de R$ 5 milhões em cobranças na Justiça. O advogado responde ainda a um Termo Circunstanciado por contravenção penal — a audiência foi feita em 1º de outubro.

Apesar disso, não há qualquer condenação disciplinar na seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Distrito Federal (DF), onde Bezerra é inscrito. Klaus Stenius Bezerra foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.