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Política

Análise: Escândalos às vésperas das eleições nem fazem cócegas

O que os casos Dark Horse, Lulinha, Jaques Wagner e o mais recente dossiê do ex-sócio de Flávio tem em comum? Nenhum afeta a escolha de voto dos eleitores

Lula e Flávio Bolsonaro
Brasil se vê polarizado em mais uma eleição presidencial (Foto: Agência Brasil)

Não é de hoje que grande parte do eleitorado brasileiro "escolhe" seu voto nas eleições muito mais por ódio ao oponente do que por amor ao candidato escolhido.

Os levantamentos deixam isso claro. A pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), mostra que rejeição a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em 54%, enquanto de Flávio Bolsonaro (PL) soma 56%. Esses percentuais indicam, conforme a pesquisa, eleitores que afirmam que "não votariam de jeito nenhum" naquele candidato.

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Uma rejeição quase imutável

Esse cenário rememora as eleições de 2022, na disputa entre o atual presidente, Lula, e o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, e traz um questionamento: é possível que qualquer escandâlo, envolvendo qualquer um dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas presidenciais, faça, de fato, algum eleitor mudar seu voto do PT para PL ou vice-versa? 

É difícil acreditar que sim e, novamente, os levantamentos reforçam essa tese. Como já debatido nessa matéria de O Brasilianista, vivemos a eleição da estabilidade, marcada pela alta rejeição dos candidatos que mais registram intenções de voto no 1º e 2º turno. 

Os escândalos não surtiram efeito

Os revézes ao longo dos últimos meses, para ambos os lados, não alteraram o panorama eleitoral. Enquanto Flávio enfrentou a polêmica do Dark Horse, os desentendimentos com Michelle Bolsonaro, a possível amizade com Vorcaro e a mais recente divulgação do dossiê do ex-sócio do senador; Lula enfrentou o caso Lulinha, alvo de três inquéritos na Polícia Federal, o possível envolvimento de Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, com o Master e a rejeição de Jorge Messias no Congresso, além da crise no supremo Tribunal Federal (STF). 

Em maior ou menor escala, o que esses episódios compartilham? Não alteraram em definitivo o voto dos brasileiros (pelo menos, da massa). Mesmo ambos candidatos tendo usado e abusado deles durante suas campanhas. 

Nem para o mal, nem para o bem

Mas o contrário também é verdadeiro. Nenhuma "boa ação" dos candidatos se refletiu em números nas intenções de voto.

Nos últimos dias, como já veiculado em O Brasilianista, assistimos a Lula tomar três medidas populistas ao ver seu principal oponente encostar e até ultrapassá-lo na disputa, segundo algumas pesquisas. O reajuste do Bolsa Família, a proibição das bets e o oferecimento das canetas emagrecedoras pelo SUS.

Flávio não fica para trás. Vários analistas já classificaram o Plano de Governo do filho de Jair com forte apelo popular. Não à toa, uma das principais frentes do projeto prevê o reforço da segurança pública, que o Datafolha já apontou que os brasileiros querem como prioridade da próxima gestão. Além disso, o candidato do PL também garante a redução de impostos e manutenção de programas sociais. 

E essa inércia dos eleitores diante dos apelos de Lula e Flávio explica também o porquê não há espaço para uma terceira via, mesmo quando quase 1/5 dos brasileiros (18%) afirmam que preferiam um outro candidato nestas eleições.

A polarização é clara e, ao que tudo indica, hoje, é muito mais mantida pelo ódio do que pelo amor. O resultado, ainda incerto, será dado pelas urnas, mas há uma certeza independentemente do vencedor, ele carregará a rejeição de mais da metade da população.   

O Brasilianista traz vídeos e análises no Instagram