Política

Flávio Bolsonaro e seus problemas com imóveis

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ficou hospedado durante 15 dias, em agosto, em um imóvel que pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro

Flávio Bolsonaro e seus problemas com imóveis
Informações apuradas pela revista Piauí indicam ainda que imagens internas do condomínio foram apagadas e que o imóvel foi adquirido por Willer Tomaz, advogado que foi alvo de investigações na Operação Sem Desconto Carlos Moura/Agência Senado

A aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz pode gerar mais uma dor de cabeça para o candidato à Presidência da República. Flávio utilizou o apartamento de Tomaz como base para a campanha durante as duas primeiras semanas de agosto.

Vale lembrar que Tomaz passou a ser apontado como suspeito de atuar como operador financeiro na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes e descontos ilegais em proventos de aposentados e pensionistas, além de supostas ligações com o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

As investigações apontam que a estrutura ligada ao advogado movimentava imóveis, aeronaves e até a aquisição de uma casa no Lago Sul, região nobre de Brasília, além de repasses financeiros a pessoas próximas do senador. Conforme O Brasilianista apurou com a defesa, Tomaz negou qualquer tipo de envolvimento irregular.

Apartamento

Flávio Bolsonaro se hospedou em agosto em um apartamento localizado na Vila Nova Conceição, em São Paulo, com ligação ao advogado Willer Tomaz.

Conforme revelou a revista Piauí, esse apartamento pertencia a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e responsável por operações financeiras no âmbito do Banco Master e com figuras políticas. O parlamentar utilizou o imóvel durante 15 dias.

O imóvel foi adquirido por Zettel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Em fevereiro deste ano, ou seja, em menos de um ano, o imóvel foi vendido por R$ 3,5 milhões para a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz.

O registro cartorário do imóvel, com a transferência do nome de Zettel para a WT, ocorreu em 4 de março, após o Supremo Tribunal Federal determinar o bloqueio de bens do cunhado de Vorcaro.

Imagens de câmeras deletadas

A Piauí apurou que a presença dos seguranças de Flávio também gerou problemas para os moradores do condomínio.

Os moradores pediram acesso às câmeras do prédio a fim de entender o que ocorreu na área comum durante a presença dos agentes, mas as gravações teriam sido “acidentalmente” apagadas.

Tomaz disse à reportagem que o imóvel não teria sido utilizado por Flávio. No dia seguinte, enviou uma nota afirmando que não conhecia Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que se hospedou em hotéis próximos à região da base do Partido Liberal.

Outros imóveis

Esta não é a primeira vez que o senador se envolve em polêmicas ligadas a imóveis. Em 2019, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que Flávio havia depositado R$ 639,4 mil em dinheiro em espécie na conta de um corretor para ocultar valores. A prática de obter ganhos ilícitos dessa forma é associada ao esquema de "rachadinha".

Os depósitos ocorreram em 27 de novembro de 2012 para a aquisição de dois apartamentos localizados em Copacabana. O senador declarou um lucro de 292% na venda dos imóveis em 2014.

Após a declaração da venda, o MP passou a apurar a suspeita de que ele e a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, teriam registrado os imóveis por um valor abaixo do mercado na compra para simular o ganho expressivo na revenda.

Para o Ministério Público, os valores em espécie teriam sido sacados por seus assessores. O corretor Glenn Dillard, responsável pela negociação dos imóveis, teria recebido valores "por fora" e é apontado como responsável por receber recursos sem repassar integralmente os valores oficiais aos antigos proprietários.

Imóvel em Brasília

Apurações mais recentes indicam que o senador adquiriu um imóvel no Setor de Mansões, em Brasília, em janeiro de 2021, pelo valor de R$ 6 milhões.

Flávio afirmou no mês seguinte que a compra do imóvel, localizado no Lago Sul, foi realizada com recursos da venda de seu imóvel no Rio de Janeiro, de uma franquia de chocolates e de um financiamento bancário aprovado com base na renda familiar.

Essas operações ocorreram no contexto das investigações do MPRJ sobre as supostas "rachadinhas", que apontavam que ao menos R$ 892 mil em espécie teriam sido destinados a negócios imobiliários do político. O caso foi arquivado em maio de 2022 pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

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