Próximo às eleições, os candidatos devem prestar contas ao Tribunal Superior Eleitoral a respeito dos gastos, seja de dinheiro do fundo eleitoral ou de doações para a campanha, até 13 de setembro.
Essa exigência consta na Lei das Eleições (Lei n 9.504/1997) e em resolução do próprio tribunal.
O objetivo é garantir a fiscalização e a transparência daquilo que foi arrecadado e utilizado durante o período eleitoral.
Fundo
Cerca de 91% do dinheiro dos candidatos que disputam a Presidência tem origem em partidos e comitês, somando R$ 110 milhões.
Os candidatos também podem receber doações de pessoas físicas, sendo vedados valores vindos de pessoas jurídicas. Eles receberam R$ 7,2 milhões (6%) em doações. Em terceiro lugar, segue o financiamento coletivo, com R$ 2,43 milhões — quase 2%.
Os candidatos também podem aplicar seus próprios recursos. Nesta eleição, eles já divulgaram R$ 1,1 milhão (0,9%) do próprio bolso.
Com base em levantamento e ferramenta desenvolvidos pelo Nexo Jornal, O Brasilianista preparou um panorama sobre os principais gastos das campanhas e o volume de recursos já utilizado pelos candidatos.
Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu 95% dos recursos de seu partido para o financiamento de sua campanha. Da Direção Nacional da sigla, Flávio recebeu R$ 53,5 milhões. O restante é proveniente de doações de pessoas físicas, que contribuíram com R$ 2,8 milhões. Outros 0,2% (R$ 106,6 mil) vêm de financiamento coletivo.
O candidato também recebeu doações de outros 80 doadores. Entre eles, o empresário gaúcho Erasmo Carlos Battistella, fundador da Be8, produtora de biodiesel, doou R$ 500 mil — o maior doador registrado.
O político já utilizou R$ 56,1 milhões. Isso representa 63% do limite legal, que é de aproximadamente R$ 88,9 milhões.
Seu principal gasto envolve produções audiovisuais e agência de publicidade. O candidato destinou R$ 13,1 milhões para a F.A.R. Propaganda e Publicidade, enquanto a Paranoá Digital Produção Cinematográfica recebeu R$ 5 milhões de sua campanha. Para a Aurea Tech, que trabalha com automatização de campanhas de marketing, o candidato destinou R$ 3,6 milhões.
Para realizar suas agendas em diversos estados, o candidato tem utilizado a ALLJET, empresa de aviação que presta serviços de táxi aéreo, para a qual destinou R$ 2,2 milhões.
Luiz Inácio Lula da Silva

O atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, é o segundo candidato que mais recebeu doações. Em compensação, é o que mais gastou.
Do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), o político recebeu R$ 40,1 milhões (97%). De pessoas físicas, seu maior doador também é Erasmo Carlos Battistella. O empresário, que doou R$ 500 mil para a campanha, integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, recriado em 2023.
A vaquinha de Lula recebeu doações que chegaram a R$ 176 mil. Entre as figuras que doaram para a campanha, cabe destacar a participação do cantor gospel Kleber Lucas, que destinou R$ 30 mil. O candidato teve 223 doadores, somando R$ 41,4 milhões arrecadados.
Lula gastou R$ 65,6 milhões, o que representa 74% do limite permitido. O principal gasto do político foi com a empresa Delta 3 Comunicação e Projetos, que recebeu R$ 31 milhões. A empresa presta serviços de comunicação, campanhas publicitárias e marketing institucional.
A Log Produções Filmes, do segmento audiovisual, recebeu R$ 4,2 milhões (6,5%). Para a Gráfica NMC, a campanha de Lula destinou R$ 2,7 milhões. O escritório de advocacia Ferraro e Novaes e a Oma (que presta serviço de pesquisa de opinião e avaliação) receberam praticamente o mesmo valor: R$ 1,5 milhão cada (2,3%).
O espaço de publicidade no Facebook para impulsionamento de anúncios também foi registrado pelo presidente, que direcionou cerca de R$ 2,5 milhões (3,9%).
Ronaldo Caiado

O terceiro candidato, Ronaldo Caiado (PSD-GO), foi o que menos recebeu recursos e também o que menos gastou.
Do Partido Social Democrático, Caiado recebeu a maior parte da verba: R$ 7,3 milhões. O candidato obteve, no total, R$ 9,8 milhões.
O maior doador da campanha de Caiado é Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, que doou R$ 2,3 milhões. O empresário é dono de um cartório em Brasília, localizado em Taguatinga.
O deputado federal Arnaldo Calil Jardim (Cidadania-SP) destinou R$ 25 mil para a campanha.
Cerca de R$ 24,5 milhões já foram utilizados pelo candidato. Cerca de R$ 20 milhões foram para a empresa Epos Brasil Estratégia Comunicação e Tecnologia, que é a principal contratada, representando mais de 80% do total.
A agência 2026 Comunicação SPE é a segunda empresa com mais recursos recebidos, totalizando R$ 1 milhão.
Pelo menos três registros de táxi aéreo constam nos relatórios do candidato: a Amaro Aviation S.A. recebeu R$ 551,9 mil, enquanto a Upstar Aviation S.A. recebeu R$ 232,9 mil. Já a Rotofly Táxi Aviation S.A. captou R$ 206,6 mil da campanha de Caiado.
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