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Política

As propostas para o agronegócio de Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado

Propostas e diagnósticos tratam de questões de mudanças climáticas

As propostas para o agronegócio de Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado
Os três candidatos tratam da ampliação de crédito e de mecanismos para renegociação de dívidas rurais Marcelo Camargo, Rodrigues Pozzebom e José Cruz/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ronaldo Caiado (PSD) elaboraram propostas para o mercado do agronegócio, especialmente no que trata do fortalecimento da política em meio às mudanças climáticas, da necessidade de aquisição de novos equipamentos e do acesso ao crédito para o crescimento do segmento.

As propostas são semelhantes no quesito da organização do crédito rural.

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As medidas surgem em um momento em que se discute o endividamento dos produtores rurais, pauta que ganhou força no Ministério da Fazenda após a discussão sobre a anistia aos produtores na Câmara dos Deputados.

A proposta foi travada após a Fazenda e parlamentares, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), conseguirem chegar a um acordo sobre uma MP de assistência para os produtores.

A renegociação de dívidas e o acesso ao crédito para os empresários que perderam as suas safras por conta das mudanças climáticas passam a ser negociados a partir de uma nova margem de crédito e de novas taxas de juros, conforme o perfil do produtor.

Por causa do risco de inadimplência, o setor reduziu a capacidade de novos investimentos. O Brasilianista também noticiou que o registro de empresas que pediram recuperação judicial chegou a aumentar 21,9% no primeiro trimestre de 2026 – totalizando 474 registros.

Os produtores disseram em pesquisa da Serasa Experian que, entre os motivos para que isso tenha acontecido, estão o aumento do endividamento e os custos do setor. Além disso, apontaram que a concessão de novos empréstimos está condicionada à capacidade de cumprir os acordos com as instituições financeiras.

Lula exalta produção e expansão de crédito

O presidente Lula utilizou o espaço das suas propostas para fazer propaganda das ações realizadas durante a sua terceira gestão.

O governo, segundo ele, focou em fortalecer a oferta de crédito rural — política que terá continuidade —, além da ampliação do Plano Safra.

Em um eventual quarto mandato, Lula continuará a ampliar o crédito para produtores, visando à aquisição de maquinários adaptados a novas tecnologias para o aumento da produtividade.

Outra política que seria adotada é a expansão do rol de financiamento, com menos burocracia e maior participação do mercado privado.

Para o eixo de mudança climática, Lula diz que vai implementar um programa para promover a “conservação dos solos” e a modernização do monitoramento meteorológico, que passariam a ser integrados a um sistema de produção sustentável que combina agricultura, pecuária e florestas, com o objetivo de reter água no solo.

O presidente também quer dar continuidade ao programa de seguro rural e ao programa de recuperação de pastagens em áreas degradadas.

Caiado defende uma estratégia integrada

O ex-governador de Goiás avalia que o governo Lula implementa programas fragmentados por conta de alguns fatores da gestão e dos problemas que o mercado tem enfrentado. Ele diz que o crédito é instável, a logística do setor é cara e há dificuldade em transformar a sustentabilidade em acesso ao mercado.

Na sua proposta, Caiado quer criar uma política de longo prazo para setores específicos, como a produção de grãos, biocombustíveis e proteínas, integrada à ciência e à sustentabilidade.

Para encarar a crise no setor, Caiado quer garantir a criação de um Fundo Garantidor para o crédito rural e estruturar o Plano Safra para aumentar a previsibilidade a longo prazo.

Em outra proposta, Caiado quer criar metas de acesso à internet para pontos que ainda não conseguiram conexão até 2030, além de modernizar máquinas, sensores e plataformas digitais para melhorar a operacionalização. O uso de satélites, inteligência artificial e extensão rural digital para orientar o uso do solo também está entre suas propostas.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) passaria a ter financiamento contínuo para o desenvolvimento de pesquisas, além de ser criada uma política nacional para o desenvolvimento de biotecnologia adaptada às condições climáticas brasileiras.

Flávio cita segurança jurídica 

O senador Flávio Bolsonaro, assim como Caiado, aborda em seu plano de governo a segurança jurídica para o setor.

A ideia de Flávio é aumentar a regularização e a titulação do pequeno proprietário rural para que esses imóveis não sejam “vítimas” da relativização do direito à propriedade. Ele ainda relembra os feitos do governo de Jair Bolsonaro, quando foram emitidos “450 mil documentos de titulação de imóveis”.

Flávio cita que no Brasil falta mão de obra no processo de colheita e, de acordo com sua proposta, deseja criar um sistema de intermediação que funcionaria como um emprego temporário para os trabalhadores rurais.

Quem recebe benefício social e aceita um emprego temporário poderá voltar ao programa se perder o trabalho, para que o trabalho rural deixe de ser visto como um risco ao benefício.

Flávio também pretende ampliar o seguro rural e reorganizar as dívidas rurais, sem detalhar esse eixo. Ele quer melhorar as relações comerciais com a China, Europa e EUA. Nesse sentido, o senador fez reclamações sobre a perda de vendas de carne e os rígidos requisitos sanitários para a expansão dos negócios recentemente.

Em relação aos fertilizantes, Flávio quer fortalecer a autonomia do campo e ampliar nacionalmente essa política.

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