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Justiça

Por que a recuperação judicial no agronegócio aumentou 22%?

Governo e Congresso apresentam soluções para o endividamento dos produtores rurais, mas a redução depende da capacidade de o produtor conseguir renegociar e honrar os pagamentos

Por que a recuperação judicial no agronegócio aumentou 22%?

Os pedidos relacionados à recuperação judicial no setor do agronegócio atingiram 474 registros apenas no primeiro trimestre — um aumento de 21,9% em relação à pesquisa realizada em 2025.

Foram 196 pedidos nos primeiros três meses, segundo o Serasa Experian. Um aumento de 73,5%. na comparação com o mesmo período.

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Os principais motivos para os pedidos, segundo produtores rurais e empresas, foram o aumento do endividamento e dos custos no setor.

De acordo com o diretor da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, os bancos e as instituições financeiras estão mais rigorosos para conceder empréstimos, enquanto o custo de produção continua alto e a dívida já é pesada.

Nesse sentido, o risco de inadimplência é maior e reduz a capacidade de investimento e expansão do setor.

Existem três fatores que Pimenta destaca para reverter esse cenário: quanto os produtores conseguem vender, se a margem de lucro será saudável e se terão espaço para renegociar as suas dívidas.

Aumento da dívida nos últimos anos

A recuperação judicial precisa “permanecer como último recurso”, diz Pimenta. A consequência desse mecanismo é a restrição e a perda de confiança no crédito.

Como O Brasilianista explicou, os pedidos de recuperação aumentaram pelos motivos que a pesquisa da Serasa menciona, além da desaceleração da economia. Somente em 2025, foram registrados mais de 2,5 mil pedidos.

As instituições financeiras estão com mais receio depois das crises das varejistas, o que fez reduzir os limites de crédito. A taxa Selic, que continua alta (14%), afeta também o desenvolvimento dessas empresas, que dependem de financiamento para manter as suas atividades.

Casos de recuperação judicial

A AgroGalaxy entrou em recuperação judicial em setembro de 2024, acumulando aproximadamente R$ 3,8 bilhões em dívidas com credores.

Axel Labourt, diretor-presidente, e outros seis executivos do conselho renunciaram. O modelo de financiamento utilizado pela empresa era o Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagro).

A credibilidade desse fundo foi questionada pelo mercado de insumos e de finanças privadas, justamente com a preocupação sobre a sustentabilidade do setor.

Outro caso que vale citar é o do Grupo Patense, especializado no processamento de resíduos de origem animal para a produção de rações, óleos destinados às indústrias de higiene e limpeza e biocombustíveis.

Em setembro de 2024, a empresa pediu recuperação judicial, acumulando uma dívida de R$ 1,37 bilhão. O processo envolve 13 empresas, além de nove produtores ligados à família do fundador, o empresário Clênio Gonçalves.

Crédito rural aos produtores rurais

Conforme O Brasilianista noticiou, o governo federal e o Congresso Nacional discutiram medidas que visam à abertura de créditos rurais para agricultores que passaram por algum tipo de catástrofe ambiental e perderam as suas safras.

A Câmara dos Deputados se preparava para votar um projeto de lei a fim de anistiar dívidas rurais. Para que isso acontecesse, parte dos recursos arrecadados do Fundo Social do pré-sal seria utilizada para sanar os débitos da renegociação, o que poderia causar um impacto bilionário.

Para solucionar a questão, o Executivo e o Legislativo chegaram a um consenso por meio da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que trata da renegociação de dívidas de créditos rurais. Parte dos recursos do fundo garantidor contou com o apoio da União.

O Ministério da Fazenda estima que essa medida permita renegociar R$ 100 bilhões em dívidas.

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