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Política

Plano de governo de Flávio Bolsonaro foca em segurança, mas peca em economia

Programa do senador retoma propostas defendidas pelo pai, mas ainda não detalha medidas para áreas como economia, gastos públicos e reformas

Plano de governo de Flávio Bolsonaro foca em segurança, mas peca em economia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lançou, durante a convenção de oficialização de sua campanha, em julho, o plano de segurança Brasil Sem Medo, que apresenta 12 eixos para o combate ao crime organizado e o cumprimento integral das penas dos condenados.

O plano promete combater o tráfego de cocaína no Porto de Santos, dobrar os investimentos em segurança pública e traz menções direcionadas às mulheres, ao prometer o cumprimento integral das penas para assassinos e agressores, além de propor a castração química para criminosos sexuais.

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Em relação às propostas econômicas, o senador não detalhou o que pretende fazer para lidar com as emendas parlamentares, metas fiscais, controle de gastos públicos ou a condução de possíveis reformas. As diretrizes gerais não explicam detalhadamente como o pré-candidato à Presidência da República pretende implementá-las.

Na sabatina promovida por O Antagonista e G4, realizada na semana passada, Flávio reforçou que carrega os princípios e valores aprendidos com seu pai, além de prometer dar continuidade ao “caminho da prosperidade” iniciado na gestão anterior.

Proposta focada em segurança

Flávio propõe convênios com estados e municípios, para investir em “armamento de alto calibre, inteligência e valorização do policial”.

O candidato também defende a aprovação de lei para reduzir a maioridade penal para 16 anos. Pela proposta, adolescentes a partir de 14 anos também poderão responder por crimes graves, como tortura, estupro, assassinato e tráfico de drogas.

Cinco novos presídios de segurança máxima também seriam construídos — proposta alinhada à retórica do Partido Missão, apresentada em seu Livro Amarelo, conjunto de diretrizes políticas da nova legenda. O projeto inspira-se no modelo adotado em El Salvador para reduzir taxas de homicídio e desarticular lideranças criminosas.

Flávio propõe que Exército, Marinha e Força Aérea atuem conjuntamente no Sistema Nacional de Fronteira para combater o crime e interceptar ações de facções.

Inspirado no sistema Smart Sampa, sistema de câmeras implantadas em São Paulo, o senador prevê que as novas estruturas contem com banco de dados integrado a reconhecimento facial por inteligência artificial.

Eixo econômico e privatizações

Para o mercado financeiro, ainda há incertezas sobre as diretrizes econômicas de Flávio. O senador não divulgou a íntegra das propostas, embora a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, integre a equipe econômica do plano de governo e venha detalhando linhas gerais das medidas pretendidas.

O primeiro plano de governo de Jair Bolsonaro já tratava da redução de despesas com juros por meio de privatizações, concessões e alienação de imóveis da União. Os recursos obtidos seriam destinados ao abatimento da dívida pública.

A equipe econômica da gestão anterior arrecadou R$ 304,2 bilhões e estimava alcançar R$ 1 trilhão com desestatizações. Contudo, projetos como a privatização dos Correios travaram no Senado devido a pressões políticas.

Em entrevista à GloboNews, Daniella Marques afirmou que o plano prevê cortes de gastos equivalentes a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — aproximadamente R$ 190 bilhões —, a estruturação do arcabouço fiscal e o enxugamento da máquina pública. Para executar a meta, prevê-se a criação de um conselho de governança fiscal e a ampliação de concessões e parcerias público-privadas (PPPs).

O senador declarou em sabatina que pretende criar um fundo imobiliário com bens da União que, segundo estimativa de sua equipe, acumularia R$ 1,7 trilhão em ativos. A intenção é dar prosseguimento ao projeto do governo anterior que enfrentou entraves regulatórios.

Questionada sobre a exequibilidade das metas, Marques explicou que a estruturação do fundo imobiliário, aliada à exploração econômica de imóveis federais e à securitização de dívidas, poderia gerar até R$ 400 bilhões aos cofres públicos.

O candidato propõe ainda a criação do programa Minha Primeira Empresa, voltado a jovens empreendedores, oferecendo microcrédito facilitado e capacitação em gestão de negócios. A ideia é utilizar a Caixa Econômica Federal como indutora de serviços bancários acessíveis nas periferias e favelas. O plano prevê também a expansão do programa Wi-Fi Brasil, criado no governo Bolsonaro.

Propriedade privada e legado conservador

O plano retoma a proposta do governo anterior de tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas.

Pretende-se também alterar dispositivos constitucionais sobre a função social da propriedade e reformular conceitos aplicados a direitos humanos.

Embora aborde temas comportamentais de forma menos ostensiva do que o pai, Flávio enfatiza a defesa dos valores da família tradicional.

Na segurança jurídica para agentes policiais, o senador defende a ampliação do excludente de ilicitude, a política de “tolerância zero com o crime” e o aporte tecnológico para as forças de segurança.

Durante sabatina, Flávio prometeu reduzir a estrutura ministerial. O governo atual opera com 38 ministérios, enquanto a gestão anterior encerrou o mandato com 22. Flávio planeja fixar o número entre 25 e 27 pastas, além de promover cortes em cargos comissionados.

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