A Secretaria do Tesouro Nacional diz que a aquisição dos novos computadores, no valor de R$ 6,6 milhões, em um órgão onde há mais de 80% dos funcionários em regime híbrido, foi motivada por “pressão por melhorias focadas na experiência do empregado” e que um ataque hacker também justificaria a compra de novos equipamentos.
O caso ocorreu em 2021, em nome do secretário do Tesouro Nacional, Jefferson Bittencourt, e de dirigentes da secretaria. O Brasilianista não teve acesso às mensagens divulgadas.
No início de julho, o MPTCU (Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União) passou a apurar a contratação e se ela cumpriria os requisitos legais, estudos e indicativos sobre a necessidade de troca dos equipamentos.
O ataque ocorreu em junho de 2021, sob a gestão do secretário do Tesouro Nacional Jefferson Bittencourt. Na gestão do secretário Rogério Ceron, foram disparadas mensagens por canais internos para servidores em nome de secretários do órgão, colocando em risco o vazamento de dados sensíveis da própria instituição.
Os equipamentos utilizadoshá quatro anos não foram capazes de impedir os ataques. O Estudo Técnico Preliminar, que serviria para comprovar que o órgão público precisa de algo, previa desfazer-se apenas dos computadores muito antigos, com mais de 10 anos, que seriam trocados por desktops novos.
Regime híbrido prevalece
Foram adquiridos 550 desktops, a R$ 6.830 cada, e 300 notebooks, no valor de R$ 9.480 por unidade, que ainda não foram entregues aos servidores.
Os modelos selecionados pela secretaria foram um Dell Pro Micro, junto de um monitor Dell de 23,8 polegadas. O notebook adotado no pregão foi o Dell Pro 14. No processo de aquisição, no entanto, não ficou claro sobre reposição ou responsabilização para os notebooks, que vão circular fora do ambiente institucional.
Além disso, 50 desktops foram adquiridos para um grupo da alta cúpula e gabinetes, somando R$ 341,5 mil. Para os demais integrantes, a segunda máquina não é nova: trata-se de um desktop antigo mantido em uso.
O ataque hacker é uma justificativa utilizada para comprar mais computadores e que os servidores demonstram “muito menor tolerância a qualquer atrito”, além de críticas e insatisfação com os equipamentos.
O estudo técnico que embasou a contratação desses equipamentos foi elaborado por Carlos Eduardo de Sousa Alves, da área administrativa; Charles da Silva Maia e Rildo Alves de Brito Aguiar, da equipe técnica; Manoel Eduardo de Araújo Guedes, responsável pela requisição; e contou ainda com a subscrição de Abdsandryk Cunha de Souza, autoridade máxima da área de Tecnologia da Informação.
Edital foi questionado, mas seguiu com o equipamento
Quando se iniciou o processo de licitação para as empresas que forneceriam esses equipamentos, seja para as estações de trabalho ou para o home office, houve contestações.
Como resposta, o órgão não aceitou os argumentos apresentados para tentar alterar ou suspender o edital. Esses computadores precisam cumprir, no momento da aquisição, requisitos de cibersegurança, como criptografia e biometria, justamente para justificar a exigência de segurança contra possíveis ataques aos equipamentos.
Para quem receber o notebook, os desktops antigos continuarão em uso, junto com os monitores, conforme resposta obtida via Lei de Acesso à Informação.
O Brasilianista procurou o Ministério da Fazenda a respeito dos problemas da Secretaria do Tesouro Nacional e aguarda esclarecimentos sobre o processo licitatório e os motivos para a escolha dos novos computadores, que precisariam cumprir requisitos de segurança para evitar novos ataques sistêmicos.
A secretaria informou apenas que a contratação foi realizada seguindo critérios de governança e em conformidade com a legislação, com fundamento em estudos técnicos e demais documentos que integram o processo contratual.
Custo do prédio
Em meio a tudo isso, a manutenção do edifício da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) custa R$ 1,12 milhão anualmente – considerando limpeza, manutenção predial e dos elevadores, manutenção eletrônica e manutenção do ar-condicionado – de uma infraestrutura que recebeu reclamações de seus funcionários que, em junho deste ano, receberam respostas vazias e sem “previsão para a normalização completa”.
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