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Geopolítica

Congresso norte-americano de maioria democrata pode extraditar Flávio?

Democratas já sinalizaram não apoiarem a presença do senador brasileiro nos EUA

Flávio Bolsonaro e esposa
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após derrota nas urnas no segundo turno (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

No dia 26 de outubro, após perder as eleições presidenciais em segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) fugiu do Brasil, conforme matéria de O Brasilianista deu em primeira mão. 

A saída se deu na mesma data em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, exigiu a entrega de seus documentos de viagem à Polícia Federal.

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O filho mais velho de Jair Bolsonaro saiu do país pela Argentina e seguiu para o Equador a bordo de um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A. De lá, o avião partiu para a Flórida, nos EUA, onde aterrisou às 10h30 da quarta-feira (28). 

Os EUA com isso

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que autorizaria a entrada do senador em território americano, contudo, a postura dele frustrou aliados de Flávio, uma vez que ele descartou encontro com o filho de Jair e ainda não concedeu oficialmente asilo político, embora afirmou que a eleição brasileira foi "vergonhosa". 

Em meio a isso, aconteceram as eleições de meio mandato, que culminaram em uma derrota de Trump (e dos republicanos), mesmo com o candidato fora das urnas, uma vez que os democratas se tornaram maioria no Congresso. Com o assunto "Flávio" se somando as insatisfações dos eleitores.

Mediante essa derrota e o fortalecimento da oposição no Congresso, o que é esperado que aconteça com o senador brasileiro? 

Trump - Flávio

O internacionalista Rafael Moredo, coordenador de políticas públicas do Livres, chamou de "crise" a chegada de Flávio aos EUA, já que "só gera um ruído ali para o eleitorado e acaba não rendendo nada nesse cálculo político para o Trump". 

O especialista explica que Trump adotou uma postura de neutralidade, com discurso que agrada a base bolsonarista, mas sem criar atrito com Lula, contudo destacou que essa relação com o parlamentar do PL não é de simetria. 

"Se a pressão dos democratas crescer muito para cima, o Trump vai com certeza querer reduzir essa exposição e, ao invés de romper de uma forma explícita, ele vai deixando de lado essa questão", pontua. 

Extradição de Flávio está em pauta?

Antes de qualquer coisa, Moredo faz questão de dizer que há diferença entre o que é possível do que é provável. 

"Primeiro, o prazo. Esse novo Congresso americano só toma posse em janeiro de 2027 e até lá os republicanos ainda terão maioria. E a partir de então, os democratas passam a controlar as principais comissões, podem convocar autoridades, pedir documentos, o que significa mais fiscalização sobre o governo Trump e isso inclui o caso dos irmãos Bolsonaro", diz. 

E complementa: "Segundo, a extradição. O Congresso americano pode fazer audiência, pressionar, gerar esse desgaste político, mas ele não decide extraditar ninguém. Isso depende de um pedido formal das autoridades brasileiras e análise do Executivo americano e dos tribunais competentes, com base no tratado que tem vigor entre os dois países".

Em relação ao primeiro ponto, Moredo comenta que os democratas já estão cobrando explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, inclusive com uma deputada afirmando que irá investigar o caso. 

Em relação ao segundo ponto, Eduardo Bolsonaro tem condenação no Brasil e, segundo a imprensa, a residência permanente foi concedida a ele nos Estados Unidos. Já Flávio entrou com uma autorização humanitária, que está válida até outubro de 2027. Ele é investigado, mas ainda não teve nenhuma condenação. Então, o caminho jurídico nesse caso não é político nem imediato.

Saldo geral

Após as eleições de meio mandato, Trump já fez sinalizações aos democratas, garantindo que irá respeitar o resultado e trabalhar em parceria com o Partido, o que sugere uma posição mais crítica ao acolhimento de Eduardo e Flávio.

Moredo opina: "Para o Brasil, o melhor caminho é seguir a via institucional e diplomática e sem apostar em atalhos políticos".

E ao citar o exemplo da Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro e, ao invés de um rompimento, um realinhamento com a presidente interina Delcy Rodríguez, ele finaliza: "Para o Brasil é um aprendizado bem claro, o apoio externo não decide a eleição e quem aposta nele acaba ficando sem proteção quando o interesse do aliado muda". 

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