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Política

Governo crava acordo para votar PEC da Segurança Pública sem emendas sobre maioridade penal

Teresa Leitão afirma que redução da idade penal deve ser debatida em paralelo e que alterar o texto serve apenas para atrasar a promulgação

PEC da Segurança Pública: Governo crava acordo para votar texto sem emendas sobre maioridade penal
Líder do governo no Senado diz que apreciação em dois turnos ocorrerá via calendário especial para manter versão original (Jonas Pereira/Agência Senado)

A senadora e líder do governo no Congresso, Teresa Leitão (PT-PE), cravou em conversa com O Brasilianista nesta quinta-feira (15) que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública será votada ainda hoje, sem a inclusão das emendas que propõem a redução da maioridade penal.

O acordo para a votação foi firmado entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e a liderança governista antes mesmo da apresentação formal das emendas pela oposição.

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A base  avalia que a apresentação desses destaques busca apenas atrasar a deliberação e desgastar politicamente o governo, tentando carimbar no Lula uma postura contrária ao combate à criminalidade ao rejeitar a mudança na maioridade penal.

Calendário especial

De acordo com Teresa Leitão, o calendário especial permitirá a votação do primeiro e do segundo turno na tarde desta quinta-feira, logo após a abertura da Ordem do Dia, com o amparo de assinaturas suficientes. 

O entendimento segue o padrão estabelecido quando a oposição tentou incluir destaques semelhantes na Câmara dos Deputados, onde também acabaram rejeitados.

Na ocasião da tramitação na Câmara, o deputado federal Mendonça Filho (PL-PE), relator da proposta na comissão, acordou com as lideranças a retirada do debate da maioridade penal para preservar a celeridade do texto.

Impasses regimentais e de mérito

O principal impasse em torno da PEC gira justamente na apresentação de emendas de plenário que buscam alterar a maioridade penal no país.

As propostas em discussão variam entre a redução geral para 16 anos e a fixação do limite em 14 anos especificamente para a prática de crimes hediondos.

Como ponderou o senador Carlos Portinho (PL-RJ) durante reunião de líderes, a falta de consenso amplo sobre o ponto poderia empurrar a deliberação definitiva para o período posterior ao segundo turno das eleições.

Calendário especial no Plenário

A inclusão da PEC da Segurança Pública como item extrapauta na ordem do dia foi viabilizada com o apoio do senador Otto Alencar (PSD-BA), responsável pela articulação do requerimento do calendário especial.

Aproveitando a presença de 71 senadores no Plenário, o requerimento atendeu aos requisitos regimentais para que a proposta tramitasse com prazos encurtados.

O mecanismo do calendário especial elimina a necessidade de longos intervalos de discussão entre os turnos antes do pleito eleitoral, garantindo nova sinalização de eficiência para a articulação governista.

Na manhã desta quinta-feira, contudo, os líderes voltaram a se reunir. A oposição formalizou a apresentação de emenda tratando da redução da maioridade penal, sob a autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN).

Apesar das pressões da bancada oposicionista, não há acordo no Plenário para acatar a redução da idade penal, inclusive para os casos de crimes hediondos.

Posicionamento e alinhamento

Na avaliação de Teresa Leitão, as emendas apresentadas pelo bloco governista servem para contrapor a narrativa da oposição e equilibrar o debate, mas a diretriz central é aprovar a matéria sem alterações no texto base.

"A intenção do governo ao apresentar propostas paralelas foi trazer o tema à luz de forma responsável, diferente da intenção da oposição. As emendas não possuem o mesmo teor", explicou Teresa Leitão.

A líder reforçou que a articulação conduzida pela base e pelo relator da proposta na Casa busca focar exclusivamente na votação do texto principal, preservando o mérito aprovado pela Câmara sem devolver a matéria para nova análise dos deputados.

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