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Justiça

A PEC da Segurança Pública pode ajudar a corrupção

Mudanças de última hora na Proposta de Emenda à Constituição podem criar feudos policiais e prejudicar os trabalhos da Polícia Federal

PF deflagra operação contra desvios em obras financiadas por emendas parlamentares
Um dos trechos incluídos prevê que a PF só possa investigar crimes "sem prejuízo das atribuições das [outras] polícias" (Foto: Polícia Federal)

As mudanças incluídas de última hora na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública podem criar feudos policiais e prejudicar os trabalhos da Polícia Federal (PF).

Um dos trechos incluídos na PEC partiu do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que apresentou uma proposta para que a PF só possa investigar crimes "sem prejuízo das atribuições das polícias previstas nos arts. 51, IV, e 52, XIII".

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Essa frase, segundo policiais federais, pode permitir, por exemplo, que a Polícia Legislativa se encarregue de crimes envolvendo o Congresso Nacional. Se essa alteração prevalecer, deputados e senadores poderão ser investigados por servidores que submetem a eles. 

De acordo com a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), o trecho apresentado por Carvalho "não constava da versão aprovada pela Câmara dos Deputados e não foi objeto de debate na comissão" e "vai além de um ajuste formal".

Urgência da votação

Congresso marca votação do Orçamento 2026, anuncia Davi Alcolumbre

Alcolumbre aproveitou o clima de empolgação dos senadores na votação da PEC 6x1 para incluir o item como extrapauta no Senado.

Até a manhã desta quarta-feira (14), o senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, já havia aprovado o texto e descartado três emendas da oposição que aguardavam análise.

No fim da sessão, o senador Otto afirmou que já conversava com Davi Alcolumbre para pautar a matéria. Rapidamente, reuniu-se o número suficiente de assinaturas para votar um calendário especial e acelerar a tramitação.

A medida deve ser apreciada na sessão desta quinta-feira (15). Os senadores da oposição, no entanto, ainda não sinalizaram um consenso para a aprovação com apoio amplo.

Uma das estratégias que podem ser adotadas é a apresentação de uma emenda, de autoria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para incluir a redução da maioridade penal na proposta.

De olho em Flávio

Plano de governo de Flávio Bolsonaro foca em segurança, mas peca em economia

A mudança trazida pela PEC da Segurança Pública aumentou a preocupação dentro da PF, que já está de olho num eventual governo Flávio Bolsonaro. O candidato do PL já foi aconselhado a desmembrar a Polícia Federal.

A ideia dos conselheiros de Flávio na campanha é garantir o enfraquecimento político da Polícia Federal, que foi um dos setores mais resistentes às tentativas de interferência de Jair Bolsonaro.

A relação entre os Bolsonaro e a PF é tão ruim que a segurança de Flávio Bolsonaro durante a campanha tem sido feita pela Polícia Legislativa, pois o candidato do PL e sua equipe de campanha não confiam nos policiais federais.

O principal argumento da campanha de Flávio é a facada sofrida por Jair em 2018, em Juiz de Fora (MG). Porém, o motivo real é a falta de aceitação, pela PF, da influência dos Bolsonaro.

Vale lembrar que, durante o governo de Jair, a força policial preferida daquela gestão era a Polícia Rodoviária Federal, que foi usada até para impedir eleitores de votar no Nordeste nas Eleições de 2022.

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