A presença militar dos Estados Unidos na América Latina já não depende de uma sequência de grandes bases controladas diretamente por Washington.
Em 2026, o desenho é mais fragmentado e, em vários casos, menos visível, militares americanos operam dentro de instalações de países parceiros, aeronaves utilizam aeroportos mediante acordos bilaterais, tropas chegam em sistema de rotação e exercícios conjuntos transformam estruturas nacionais em pontos temporários de apoio.
O núcleo dessa arquitetura é comandado pelo U.S. Southern Command, o SOUTHCOM, responsável por 31 países e 12 dependências ou áreas de soberania especial na América Central, América do Sul e Caribe.
O México é uma exceção geográfica importante, apesar de fazer parte da América Latina, está sob responsabilidade do U.S. Northern Command, e não do Comando Sul.
A distinção também muda o significado da palavra “base”. O próprio SOUTHCOM afirma expressamente que instalações utilizadas em Comalapa, El Salvador, Aruba e Curaçao não são bases americanas, mas pontos onde os Estados Unidos utilizam estruturas existentes dos países ou territórios anfitriões.
“A presença militar física dos Estados Unidos na América Latina não se baseia mais na manutenção de grandes bases tradicionais, mas no modelo conhecido como ‘Lily Pad’, pontos de apoio leves”, explica Marco Aurelio da Silva, mestre em Administração, consultor de empresas em Negócios Internacionais e docente dos cursos de Comércio Exterior e Relações Internacionais do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG).
O mapa atual
A partir de documentos militares americanos e acordos oficiais, é possível separar a presença dos EUA em diferentes níveis.
| País ou território | Estrutura | Tipo de presença dos EUA | Função principal |
|---|---|---|---|
| Cuba | Naval Station Guantanamo Bay | Instalação militar americana de longa duração | Operações navais, logística, segurança regional e centro de detenção |
| Honduras | Soto Cano Air Base | Força americana permanente dentro de base hondurenha | Aviação, logística, operações antidrogas e resposta a crises |
| El Salvador | Comalapa | Cooperative Security Location | Vigilância aérea e marítima sobre rotas do Pacífico |
| Curaçao | Hato International Airport | Cooperative Security Location | Monitoramento aéreo do Caribe e norte da América do Sul |
| Aruba | Reina Beatrix International Airport | Cooperative Security Location | Apoio complementar a operações de vigilância |
| Panamá | Diferentes instalações panamenhas | Presença militar americana rotativa e treinamento | Canal do Panamá, selva, logística e interoperabilidade |
| Peru | Callao e Iquitos | Unidade de pesquisa da Marinha dos EUA | Vigilância de doenças e biossegurança |
| Colômbia | Instalações militares colombianas | Assessoria, treinamento e cooperação operacional | Segurança, inteligência e combate ao crime transnacional |
| Brasil | Sem base americana | Cooperação militar, exercícios e intercâmbio | Interoperabilidade, defesa marítima e treinamento |
| Argentina | Sem base americana | Cooperação militar e aquisição de equipamentos | Modernização militar e integração com sistemas americanos |
| Guiana | Sem base americana permanente conhecida | Exercícios, treinamento e assistência | Segurança marítima, fronteiras e Essequibo |
Segurança marítima, fronteiras e Essequibo
O mapa revela uma presença menor em termos de território permanentemente controlado pelos Estados Unidos, mas uma rede capaz de oferecer acesso a diferentes áreas do continente quando Washington considera necessário.
“A arquitetura de defesa dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe opera por meio de uma combinação de acordos multilaterais, parcerias bilaterais de defesa, acordos sobre o status das forças e exercícios militares conjuntos”, detalha o professor.
Guantánamo continua sendo a principal instalação
A Naval Station Guantanamo Bay, em Cuba, permanece como o caso mais evidente de presença militar americana na região.
A instalação abriga comandos militares, unidades destacadas e o controverso centro de detenção criado após os atentados de 11 de setembro de 2001.
A própria Marinha americana descreve Guantánamo como uma instalação estratégica para operações conjuntas, apoio à Quarta Frota e à Guarda Costeira e missões relacionadas à segurança regional.
A comunidade ligada à base atualmente supera 5 mil pessoas, número que inclui militares, civis, estrangeiros e familiares.
A Marinha não apresenta nessa contagem pública uma divisão que permita definir quantos são militares americanos em serviço ativo.
Seu valor também é geográfico. Guantánamo fica entre o Caribe ocidental e as rotas que conectam América Central, Golfo do México e Atlântico.
“A instalação militar mais expressiva e antiga é a Base Naval de Guantánamo. Sua função estratégica abrange o monitoramento do Mar do Caribe e o funcionamento do centro de detenção e inteligência dos Estados Unidos”, descreve Silva.
Cerca de 600 militares americanos
A presença em Honduras funciona de outra maneira. Soto Cano não pertence aos Estados Unidos. É uma instalação das Forças Armadas hondurenhas que recebe a Joint Task Force-Bravo, unidade americana criada há mais de quatro décadas.
Atualmente, aproximadamente 600 militares americanos da Força Aérea, Exército, Marinha e Corpo de Fuzileiros operam no local. Outros cerca de 600 civis americanos e hondurenhos compõem a estrutura.
A base abriga helicópteros UH-60 Black Hawk e CH-47 Chinook e possui capacidade de transporte, evacuação médica, operações contra organizações criminosas, resposta humanitária e apoio a missões realizadas em outros países da região.
A Força Aérea americana classifica Soto Cano como um hub estratégico de transporte aéreo na América Central, com capacidade de operar dia e noite e sob diferentes condições meteorológicas.
“No caso de Honduras, Soto Cano serve como o principal hub logístico e operacional norte-americano na América Central para missões aerotransportadas, inteligência e resposta a emergências”, pontua Marco Aurelio.
Aruba, Curaçao e El Salvador mostram como Washington opera sem construir uma base
O modelo utilizado no Caribe e no Pacífico
O SOUTHCOM mantém oficialmente apenas duas Cooperative Security Locations na América Latina e no Caribe. Uma delas é dividida entre Aruba e Curaçao; a outra funciona em Comalapa, El Salvador.
Em Curaçao, aeronaves americanas utilizam o Hato International Airport. Em Aruba, a infraestrutura está no Reina Beatrix International Airport.
O próprio comando militar americano faz questão de registrar a diferença jurídica:
essas instalações “não são bases”, mas atividades instaladas em aeroportos existentes mediante acordos com os governos responsáveis pelo território.
A função principal é oferecer alcance aéreo para detectar e acompanhar embarcações e aeronaves ligadas ao tráfico internacional.
Comalapa desempenha função semelhante no Pacífico Oriental. A estrutura permite que aeronaves americanas ampliem a área coberta em operações de vigilância das rotas marítimas utilizadas para transportar drogas da América do Sul em direção à América Central e ao México.
“O modelo prioriza instalações de segurança cooperativa e locais operacionais avançados, além de escritórios de cooperação militar em embaixadas”, ressalta o consultor.
O SOUTHCOM não divulga atualmente um efetivo permanente consolidado para esses três pontos.
Vinte e sete anos depois
O Panamá oferece talvez o melhor exemplo da transformação da estratégia americana.
Até 1999, o país concentrava a maior estrutura militar dos Estados Unidos na América Latina.
O próprio quartel-general do SOUTHCOM funcionou ali até ser transferido para Miami em 1997, e a retirada das forças americanas foi concluída em 1999, de acordo com os Tratados Torrijos-Carter.
Em 2026, porém, militares americanos estão novamente operando em território panamenho.
Washington criou o Joint Security Cooperation Group-Panama, que organiza treinamento e recepção de tropas americanas.
Em fevereiro, integrantes do Exército e dos Marines realizaram treinamento de guerra na selva na Base Aeronaval Cristóbal Colón, antiga região onde funcionava Fort Sherman durante a presença militar americana anterior a 1999.
Em agosto, o Panamá recebeu ainda o PANAMAX 2026, exercício envolvendo 19 países e desenhado para simular uma resposta multinacional a ameaças contra o Canal.
Tropas americanas utilizaram diferentes estruturas panamenhas durante o treinamento. Não houve recriação formal das antigas bases americanas.
O que surgiu foi uma presença rotativa, que permite a chegada e a operação de tropas sem transferir o controle das instalações para Washington.
Esse desenho coincide com a prioridade atual declarada pelo SOUTHCOM de ampliar o acesso americano a locais considerados estratégicos, especialmente em torno do Canal do Panamá.
Colômbia é o parceiro militar
A Colômbia ocupa outra categoria. Durante décadas de cooperação contra narcotráfico, guerrilhas e organizações armadas, Washington financiou equipamentos, treinamento, inteligência e programas de segurança no país.
Mas estruturas como Tolemaida, Larandia, Palanquero ou outras instalações utilizadas em ações de cooperação não são bases americanas.
Um acordo bilateral de defesa permite acesso dos Estados Unidos a instalações militares colombianas mediante autorização do governo, mas determina expressamente que elas permanecem sob comando e controle das Forças Armadas da Colômbia.
Em 2022, Washington elevou ainda mais a relação ao designar a Colômbia Aliado Principal Extra-OTAN, ou Major Non-NATO Ally.
“A Colômbia é historicamente o parceiro mais integrado e estratégico de Washington no continente”, avalia Marco Aurelio da Silva.
O status facilita determinadas formas de financiamento militar, aquisição de equipamentos, pesquisa e cooperação em defesa, mas não equivale à adesão à OTAN e não cria automaticamente uma obrigação de defesa coletiva.
Brasil é aliado militar
O Brasil também aparece na categoria de Major Non-NATO Ally desde 2019, ao lado de Argentina e Colômbia entre os países latino-americanos que receberam formalmente o status.
Isso não significa que existam bases americanas em território brasileiro. A cooperação acontece principalmente por exercícios militares, intercâmbio tecnológico, formação de pessoal, pesquisa e operações conjuntas.
Em maio deste ano, a Marinha brasileira treinou com o porta-aviões USS Nimitz e o destróier USS Gridley no litoral do Rio de Janeiro durante a Southern Seas 2026. A operação envolveu também submarino, fragata e corveta brasileiros.
Em setembro, tropas dos Estados Unidos participaram ainda da Operação Formosa 2026, em Goiás, exercício que reuniu cerca de 2.900 militares brasileiros, além de franceses, paraguaios e representantes de outros países.
“O Brasil mantém alto nível de intercâmbio técnico-militar focado em interoperabilidade, treinamentos conjuntos e colaboração na indústria de defesa, mantendo ao mesmo tempo sua autonomia diplomática”, acrescenta o docente.
A relação também continua sujeita a decisões políticas brasileiras. Em julho, representantes dos dois governos discutiram cooperação contra o narcotráfico, depois de Washington procurar Brasília para ampliar parceiros regionais nessa área.
Argentina aproxima seus equipamentos militares do padrão americano
A Argentina recebeu o status de Major Non-NATO Ally ainda em 1998. Nos últimos anos, a relação ganhou um novo componente, modernização de equipamentos.
O país comprou caças F-16 e passou a receber assistência americana para incorporar os aviões à Força Aérea argentina.
Em janeiro de 2026, militares argentinos participaram de uma etapa do programa Peace Condor, nos Estados Unidos, destinada justamente à criação das estruturas necessárias para operar e manter os F-16.
Washington também destacou a compra argentina de veículos Stryker como parte da ampliação da relação de defesa.
O resultado não é uma presença permanente de tropas americanas em solo argentino, mas uma crescente interoperabilidade entre as duas forças, inclusive porque equipamentos, treinamento, manutenção e doutrinas passam a operar dentro de sistemas americanos.
No Peru, a Marinha dos EUA mantém laboratórios militares desde 1983
O Peru apresenta um tipo de presença quase desconhecido fora dos círculos militares.
A Marinha americana mantém no país o Naval Medical Research Unit South, o NAMRU SOUTH, dedicado a doenças tropicais, vigilância epidemiológica e ameaças de biossegurança.
A unidade funciona desde 1983 mediante acordo com a Marinha peruana e possui estruturas no hospital naval de Callao e na Clínica Naval de Iquitos, em plena Amazônia.
O comando possui quase 300 funcionários, dos quais cerca de 90% são peruanos, segundo a própria Marinha dos Estados Unidos.
Em agosto de 2026, equipes do NAMRU participaram de missões em Lima, Tumbes e Iquitos, incluindo treinamento de profissionais militares americanos em medicina tropical.
A estrutura não é uma base de combate, mas representa presença institucional permanente do Departamento de Defesa dos EUA em território peruano.
“No Peru, a presença ocorre também pelo NAMRU-SOUTH, voltado à pesquisa sobre doenças tropicais, vigilância sanitária e resposta em ambiente de selva”, assinala Silva.
Guiana ganhou importância
A Guiana é um exemplo de país sem base americana que passou a ocupar espaço crescente na arquitetura de segurança regional.
Washington ampliou exercícios, treinamento militar, cooperação marítima e assistência à Força de Defesa guianense.
Em novembro de 2025, o destróier USS Mahan realizou exercícios navais com a Guiana no Caribe.
Em março de 2026, o SOUTHCOM entregou à Força de Defesa da Guiana um hospital de campanha avaliado em US$ 1 milhão, posteriormente destinado à região de Essequibo, território reivindicado pela Venezuela.
O país também aderiu à nova declaração americana de cooperação regional contra cartéis e crimes transnacionais.
“A Guiana tem expandido fortemente suas parcerias de defesa com os Estados Unidos para reforçar segurança territorial e monitoramento marítimo na região de Essequibo”, interpreta Marco Aurelio.
Além da disputa territorial, a Guiana passou a ter peso energético depois das grandes descobertas de petróleo offshore, acrescentando outro componente estratégico à relação.
Manta e as antigas bases do Panamá mostram que presença militar também pode desaparecer.
Mapa americano já foi maior
No Equador, os Estados Unidos utilizaram a Base Aérea de Manta entre 1999 e 2009 como ponto de operação de aeronaves destinadas a identificar tráfico de drogas no Pacífico.
O governo equatoriano informou em 2008 que não renovaria o acordo, e os Estados Unidos encerraram as operações e deixaram a instalação em setembro de 2009.
No Panamá, a retirada de 1999 encerrou décadas de presença militar direta e devolveu ao país as áreas e instalações anteriormente administradas por Washington.
“O encerramento da presença americana em várias dessas instalações ocorreu por uma combinação de mudanças políticas locais, pressões internas e reorientação estratégica dos próprios Estados Unidos”, contextualiza o especialista.
Uma grande base própria cria custos, exposição política e debates sobre soberania.
Um acordo de acesso permite obter parte da mesma capacidade operacional sem necessariamente hastear a bandeira americana permanentemente sobre o local.
A nova prioridade americana
Durante décadas, boa parte da presença americana na América Latina foi justificada principalmente pelo combate às drogas.
Essa missão continua central. Comalapa, Aruba e Curaçao ainda estão oficialmente vinculadas ao combate ao crime organizado transnacional, e a JTF-Bravo em Honduras participa de atividades relacionadas ao narcotráfico. Mas os documentos estratégicos de 2026 mostram uma mudança importante.
O SOUTHCOM passou a colocar entre suas prioridades a proteção do que chama de “terreno estratégico-chave” e o combate à influência considerada hostil de potências externas.
O comando cita especificamente infraestrutura crítica, portos, telecomunicações, espaço, rotas marítimas e o Canal do Panamá.
O governo americano manifesta preocupação com investimentos chineses em portos e outras infraestruturas que Washington considera potencialmente capazes de ter uso dual, civil e militar.
O Porto de Chancay, no Peru, tornou-se um dos exemplos mais observados nessa disputa.
“O foco histórico no narcotráfico passou a dividir espaço com a contenção da influência de potências rivais, em especial China e Rússia”, analisa Marco Aurelio.
Em 2026, o porta-aviões USS Nimitz percorreu a região durante a Southern Seas; Washington ampliou atividades militares no Panamá; a Argentina avançou na incorporação dos F-16; a Guiana aprofundou a cooperação; e tropas americanas participaram de exercícios da Amazônia ao Atlântico.
Caribe, Canal do Panamá e Amazônia
A distribuição geográfica permite identificar três áreas de concentração. A primeira é o Caribe, onde Guantánamo, Aruba, Curaçao e a proximidade de Porto Rico oferecem apoio às operações navais e aéreas.
Porto Rico, porém, precisa ser tratado separadamente, é território americano e não uma instalação mantida em um país estrangeiro. O próprio SOUTHCOM exclui os territórios americanos de sua área caribenha de responsabilidade.
A segunda é América Central e Canal do Panamá, sustentada principalmente por Soto Cano, Comalapa e pela retomada da presença rotativa de tropas americanas no Panamá.
A terceira é a faixa amazônica e andina, onde aparecem Colômbia, Peru, Brasil e, mais recentemente, Guiana.
“O primeiro é o corredor do Caribe, o segundo é o Pacífico e a América Central, e o terceiro é o corredor Amazônico-Andino, onde a cooperação com Colômbia e Peru, combinada com a aproximação da Guiana, permite aos Estados Unidos acompanhar a dinâmica da região”, sintetiza o professor.
Em setembro, quase 400 militares de Peru, Estados Unidos, Chile e Argentina realizaram o Southern Vanguard 2026 na selva amazônica peruana.
O treinamento incluiu deslocamento em selva, operações fluviais e coordenação de forças multinacionais.
Washington trocou grandes bases
Contar apenas quantas “bases americanas” existem na América Latina produz uma imagem incompleta. Pelo critério estrito, a quantidade é pequena.
Mas Washington não precisa possuir uma base para conseguir pousar aeronaves, movimentar tropas, treinar soldados, acessar portos, compartilhar inteligência ou operar junto às forças de um país parceiro. Essa é a principal característica do desenho militar atual.
Existem instalações próprias, como Guantánamo. Há presença de longa duração em bases estrangeiras, como Soto Cano.
Existem pontos cooperativos, como Comalapa, Aruba e Curaçao. Há tropas rotativas no Panamá.
Existem estruturas científicas militares no Peru. E há países como Brasil, Argentina e Colômbia integrados à rede de cooperação americana sem abrigar bases controladas pelos Estados Unidos.
Para Washington, esse modelo reduz a necessidade de manter enormes contingentes permanentes enquanto preserva acesso a Caribe, Canal do Panamá, Atlântico Sul, Pacífico, Amazônia e países próximos a importantes recursos minerais e energéticos.
“Para manter essa projeção sem gerar os mesmos atritos políticos provocados por grandes bases permanentes, Washington consolidou uma estratégia de pegada mais leve, priorizando treinamento conjunto, acordos, missões e suporte técnico”, conclui Marco Aurelio da Silva.
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