Geopolítica

A quase guerra entre EUA e China

Um relatório gerado por IA quase iniciou um conflito armado entre as potências

Trump e Xi Jinping
China e EUA trocam farpas há anos (Foto via Fotos Públicas)

Um relatório de inteligência enviado aos militares dos Estados Unidos quase causou uma guerra com a China, em meio aos conflitos com o Irã.

Reportagem da CNN mostrou que um documento produzido com ajuda de inteligência artificial (IA) erroneamente indicou que um navio chinês no Oriente Médio estava transportando componentes de um programa de armas nucleares. No entanto, a carga era outra.

Segundo fontes envolvidas no caso, as Forças Armadas dos EUA entraram em ação com planos para interceptar a embarcação, mas apenas momentos antes da operação que as autoridades perceberam que o relatório estava errado.

O incidente poderia ter criado um conflito armado entre as duas nações. Vale lembrar que China e EUA trocam farpas há anos e, recentemente, Xi Jinping conquistou posição geopolítica favorável ante Trump.

Ameaça de guerra tarifária

Em outubro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou que iria taxar produtos chineses em mais 100% a partir de novembro. Em resposta, a China indicou que não terá medo de uma possível guerra tarifária.

Um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou à época que se Trump cumprisse a ameaça, a China poderia introduzir suas próprias “contramedidas” não especificadas e que “não tem medo” de uma eventual guerra comercial.

A ameaça acontecia logo após as fortes críticas de Trump às restrições à exportação de terras raras impostas pelo país asiático.

Vale lembrar que as terras raras são elementos químicos usados como matéria-prima para itens de tecnologia como chips e semicondutores — a China detém cerca de 80% dessa produção.

Ponto de virada da influência de Xi Jinping

Um encontro entre Xi Jinping e Donald Trump aconteceu em maio deste ano. Na ocasião, a reunião não foi tratada pelo governo chinês apenas como um encontro diplomático entre duas potências. A visita do presidente americano acabou sendo usada por Pequim como uma demonstração pública de força política, econômica e estratégica da China diante do mundo.

Dias depois de receber Trump, Xi repetiu praticamente a mesma cerimônia para Vladimir Putin. A sequência das visitas ajudou a consolidar a imagem do líder chinês como dirigente capaz de dialogar simultaneamente com rivais globais sem se subordinar a nenhum deles.

O interesse central do líder chinês com o presidente norte-americano é em relação a Taiwan. Xi quer que os americanos reduzam o apoio dado à ilha, por meio de uma declaração de Washington dizendo que se opõe à independência taiwanesa ou até por meio da diminuição ou adiamento das vendas de armamentos.

A China considera sua força econômica como um dos principais trunfos nas negociações, especialmente por causa da posição estratégica em áreas como energia verde, terras raras e cadeias globais de exportação.

Ataques a aliados americanos

A China começou a sondar e atacar os aliados americanos logo após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, que aconteceu em outubro de 2025. Atividades militares, como treinamentos de tiro, exercícios das Forças Armadas e até mesmo brigas com civis estão se intensificando desde março deste ano.

Reportagem do The Economist mostrou que o país mais atingido são as Filipinas. Ainda assim, existe uma forte pressão sobre a Austrália e o Japão, mas cuidadosamente calibrada.

A percepção é de que Xi Jingping está observando uma menor influência dos Estados Unidos na Ásia com a atenção desviada pela guerra no Irã.

No entanto, as forças americanas ainda estão presentes, de certa forma. Apesar de uma real mudança de foco com a guerra no Oriente Médio, o Comando do Pacífico dos EUA enviou navios, aeronaves, tropas e mísseis de bases americanas para a região dos aliados asiáticos.

Ainda não é possível estimar uma retaliação americana aos ataques da China aos aliados americanos, mas os próprios companheiros diplomáticos já veem os EUA com maior receio. Agora, Trump e Xi Jinping devem tomar passos cautelosos para não instigar maiores conflitos.

Nova dona do petróleo

O Brasilianista mostrou  que a guerra entre Estados Unidos e Irã garantiu à China uma influência sob o petróleo importado que antes estava concentrada principalmente nos grandes produtores.

Ao mesmo tempo, a estratégia chinesa que ajudou a impedir uma disparada ainda maior do petróleo começa a encontrar limites.

Estoques globais diminuíram, rotas alternativas do Oriente Médio passaram a ser atacadas e o barril segue acima de US$ 100 (R$ 515,24). O resultado é uma combinação de energia cara, inflação persistente, juros maiores e crescimento mais fraco em diferentes países.

A China transformou estoques, capacidade de refino, eletrificação e controle das exportações de combustíveis em instrumentos de poder. Por outro lado, os mecanismos utilizados desde o início da guerra para amortecer o choque energético estão se esgotando.

Ou seja, a China ajudou a segurar os preços da commodity porque comprou menos petróleo.

Agora, o mundo depende cada vez mais de quanto Pequim continuará disposta e será capaz de reduzir suas compras.

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