A China respondeu a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar produtos chineses em mais 100% a partir de novembro, indicando que não terá medo de uma possível guerra tarifária.
Segundo o g1, o governo asiático afirmou que a medida é “um exemplo típico da ‘duplicidade de critérios’ dos Estados Unidos”. Ainda, um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou que se Trump cumprir a ameaça, a China poderia introduzir suas próprias “contramedidas” não especificadas e que “não tem medo” de uma eventual guerra comercial.
Na última sexta-feira (10), Trump confirmou a imposição de tarifa adicional de 100% contra produtos comercializados pela China, que passaria a ser válida a partir do dia 1º de novembro. A ameaça acontece pouco tempo depois das fortes críticas de Trump às recentes restrições à exportação de terras raras impostas pelo país asiático.
Vale lembrar que as terras raras são elementos químicos usados como matéria-prima para itens de tecnologia como chips e semicondutores — a China detém cerca de 80% dessa produção. Ainda segundo o g1, o país rebateu as críticas de Trump, defendendo que os controles de exportação seriam “ações normais” para proteger a segurança nacional e a de todas as nações.
Para o governo chinês, os EUA “abusaram de medidas de controle de exportação” e “adotaram práticas discriminatórias contra a China”. Além disso, o porta-voz afirmou que ameaças tarifárias “não é a maneira correta de se envolver com a China”.
“A posição da China em relação a uma guerra tarifária sempre foi consistente: não queremos uma, mas não temos medo de uma“, disse o porta-voz do Ministério do Comércio.
Possível guerra comercial
A relação entre Trump e Xi Jinping já vinha se estreitando há alguns dias. Na semana passada, o governo da chinês criticou a decisão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos de ampliar as sanções aplicadas a empresas listadas na chamada “lista de entidades”.
Um encontro dos líderes aconteceria no fim de outubro na Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul, mas o novo desenrolar das ameaças não deixa claro se isso ainda pode acontecer.
Conforme explicado pelo O Brasilianista, a escalada de tensões entre as duas maiores economias do mundo reacende temores de uma nova guerra comercial. Bolsas de valores já recuam em cautela às respostas da China.
Muitas cadeias de suprimento tecnológicos dependem de minerais de terras raras, controlados pela China. A disputa ainda pode afetar outros setores industriais, como energia limpa, defesa e automotiva.

