Economia

Servidores do BRB questionaram obscuridade na compra do Master

Funcionários públicos também alertaram para perda de controle do Governo do Distrito Federal sobre o Banco de Brasília por diluição de capital

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Associação de empregados do Banco de Brasília reclamou da falta de informação sobre o planejamento para o BRB dar R$ 2 bilhões a Vorcaro (Foto: BRB)

Documentos do Caso Master que vieram a público com o levantamento parcial do sigilo pelo Supremo Tribunal Federal mostram que os servidores do Distrito Federal questionaram toda a compra do banco de Daniel Vorcaro pelo BRB.

A Associação Nacional dos Empregados Ativos e Inativos do Banco de Brasília argumentou que não havia qualquer informação sobre o planejamento financeiro para o BRB dar R$ 2 bilhões a Vorcaro em troca de títulos — que hoje se sabe não terem valor algum.

Os servidores do BRB também questionaram o Banco de Brasília sobre a perda de controle do Governo do Distrito Federal (GDF) sobre a instituição financeira. Um documento apresentado pela entidade em 1º de outubro de 2025 contém um trecho que destaca a queda da participação acionária para 53,71%.

Como o controle acionário de uma pessoa jurídica começa a partir dos 51% de participação, a associação de servidores do BRB alertou para o risco de perda de maioria no banco por conta dos aumentos de capital feitos em 2024.

Em maio de 2024, o BRB aumentou seu capital social em R$ 1 bilhão. Sete meses depois, em dezembro, o Banco de Brasília fez nova operação para captar mais R$ 700 milhões.

O valor captado em 2024 representou 63% do total que seria destinado ao Banco Master pelo BRB em troca dos títulos de Vorcaro. Entre o fim daquele ano e o começo de 2025, o Banco de Brasília planejava repassar R$ 2,7 bilhões ao Master. 

Segundo a Associação dos Empregados do BRB, esse valor representava 90% dos R$ 2,9 bilhões de capital líquido que o Banco de Brasília havia registrado no balanço de 2023.

Esses altos valores e percentuais exigiam que a Câmara Legislativa do DF chancelasse a operação. Foi a partir daí que o Ministério Público e a oposição política do então governador Ibaneis Rocha em Brasília pressionaram por investigações e pela suspensão do negócio.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.