O nome da jornalista Renata Varandas voltou a aparecer no noticiário nesta terça-feira (08), depois que registros oficiais mostraram sua participação em agendas com autoridades federais representando empresas do grupo Ambipar.
Ela é namorada de Andrei Rodrigues, diretor-geral afastado da Polícia Federal. Renata esteve em pelo menos quatro compromissos oficiais em 2026 ligados à companhia.
Em três deles, os registros do sistema e-Agendas, da Controladoria-Geral da União (CGU), a identificam como diretora de Relações Governamentais.
Em outro, aparece como representante da Ambipar Participações e Empreendimentos.
A informação ganhou repercussão no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo de Andrei do comando da PF.
A decisão do ministro, porém, não menciona Renata Varandas nem sua atuação profissional para a Ambipar.
Carreira na TV
Renata tem mais de 20 anos de atuação no jornalismo. Começou a carreira pela Radiobrás, passou por assessorias de imprensa e trabalhou na Rede Amazônica de Televisão, afiliada da Globo, antes de chegar à Record.
Na emissora, permaneceu por quase duas décadas. Trabalhou como produtora, editora, repórter e apresentadora, além de fazer a cobertura política em Brasília.
Entre as pautas acompanhadas estiveram o impeachment de Dilma Rousseff e as eleições presidenciais de 2018 e 2022. Também atuou como setorista do Palácio do Planalto.
Em diferentes momentos, chegou a apresentar o Jornal da Record, principal telejornal da emissora.
Saída da Record
A passagem pela Record terminou em julho de 2024, depois da repercussão de uma entrevista exclusiva concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Parte do conteúdo da conversa chegou ao mercado financeiro antes de ser exibido pela emissora.
As informações foram distribuídas pela Capital Advice, empresa de análise política da qual Renata era sócia-administradora.
A Record decidiu desligar a jornalista. Na ocasião, a antecipação das declarações sobre política fiscal provocou forte repercussão entre investidores e foi associada a uma movimentação do dólar naquele dia.
Passagem pela CNN
Pouco mais de um mês depois, em agosto de 2024, Renata foi contratada pela CNN Brasil para atuar como analista política em Brasília.
No anúncio da contratação, a emissora informou que ela deixaria a empresa de comunicação e consultoria da qual participava para se dedicar exclusivamente ao canal.
“Desde que entrei no jornalismo, sabia que era na cobertura política onde eu iria me realizar profissionalmente”, afirmou Renata ao comentar a chegada à CNN.
A passagem pela emissora foi curta. Em janeiro de 2025, ela foi anunciada como nova sócia da área de Comunicação do escritório Figueiredo & Velloso Advogados Associados.
Relações governamentais
Ao entrar no Figueiredo & Velloso, Renata passou também a reforçar a equipe de Relações Governamentais do escritório, área voltada ao acompanhamento institucional e à interlocução com o poder público.
“A chegada da Renata amplia a conexão entre o direito, a comunicação e as relações institucionais”, afirmou o escritório ao anunciar sua contratação.
Atualmente, ela também voltou à televisão. Renata apresenta o Poder em Foco, programa de entrevistas do SBT News dedicado a ministros, parlamentares e outras autoridades.
Agendas da Ambipar
Os compromissos de Renata relacionados à Ambipar ocorreram ao longo deste ano.
Em 25 de fevereiro, participou de uma reunião com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, sobre regras ambientais para planos de emergência em instalações portuárias.
Em 17 de março, esteve em outro encontro sobre o mesmo tema com Rodrigo Agostinho, então presidente do Ibama.
No dia 8 de maio, Renata participou de uma agenda com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante uma apresentação institucional da PowerChina.
Já em 20 de julho, esteve no Banco Central em reunião com o procurador-geral adjunto Erasto Villa Verde de Carvalho Filho. O registro apontou como assunto “questões institucionais” da Ambipar.
Caso Master
A Ambipar aparece em apurações que se cruzam com personagens e empresas do Caso Master.
Em janeiro deste ano, a residência de Luciana Freire Barca Nascimento, então diretora-adjunta da companhia, foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e operações realizadas com o BRB.
A Comissão de Valores Mobiliários também apura operações envolvendo ações da Ambipar.
Uma análise técnica anterior apontou indícios de atuação coordenada entre o controlador da empresa, fundos então administrados pela Trustee, que esteve ligada ao Master e o empresário Nelson Tanure.
Essas apurações não significam, por si só, que Renata tenha participado das operações investigadas.
Os registros divulgados até agora mostram sua atuação profissional em agendas institucionais relacionadas à empresa.
Relação com Andrei
Renata e Andrei Rodrigues mantêm uma relação pública e já apareceram juntos em eventos sociais e institucionais em Brasília.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, ela foi identificada como namorada do diretor-geral da PF entre os convidados de uma sessão do filme Ainda Estou Aqui realizada no Palácio da Alvorada.
Os dois também foram fotografados juntos em eventos frequentados por ministros do Supremo, integrantes do governo e outras autoridades da capital federal.
O afastamento de Andrei determinado por André Mendonça nesta terça-feira decorre de outra controvérsia, relacionada à produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal.
A decisão não relaciona a atuação de Renata para a Ambipar às razões utilizadas pelo ministro para retirar temporariamente Andrei do cargo.
Sem manifestação
O Poder360 afirmou ter procurado Renata nesta terça-feira para esclarecer a natureza de sua relação profissional com a Ambipar, quais serviços foram prestados, se a atuação ocorreu diretamente ou por meio do Figueiredo & Velloso e se Andrei tinha conhecimento desse trabalho.
Até a publicação da reportagem consultada, ela não havia respondido aos questionamentos.
O Brasilianista permanece aberto a manifestações das defesas e dos demais citados nesta reportagem. Eventuais posicionamentos enviados após a publicação serão acrescentados ao texto.
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