As disputas pelo comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em 2027 já começaram a ganhar forma, com movimentações de partidos, articulações entre bancadas e lançamento de candidaturas.
Dessa vez, o cenário tem uma particularidade: o PL, que elegeu a maior bancada nas duas Casas, pretende ampliar sua influência sobre o Congresso. Isso coloca o partido no centro das duas disputas e pode dificultar a recondução dos atuais presidentes.
As eleições para as duas Mesas Diretoras estão previstas para 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura. Os mandatos serão de dois anos.
A disputa da presidência do Senado Federal
Com a consolidação de diferentes grupos de apoio e divisões estratégicas entre blocos parlamentares, a eleição interna promete testes de fidelidade partidária e rearranjos de nomes que já haviam sido ventilados e noticiados por O Brasilianista.
Atualmente, três nomes principais despontam na bolsa de apostas para comandar a Casa: Davi Alcolumbre (União-AP), Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN).
Apesar da formalização de blocos ou federações, a adesão não é automática entre os parlamentares.
O principal fator é a possibilidade de uma candidatura única da oposição. Rogério Marinho e Tereza Cristina disputam espaço dentro de um mesmo campo político, e a divisão pode favorecer Alcolumbre.
Reportagem da CNN mostrou que o acordo entre Marinho e Cristina de levar uma candidatura única não foi para frente. A senadora deve articular seu nome nos bastidores por enquanto, ao passo em que o candidato do PL já formalizou sua candidatura.
Outro fator importante é a distribuição das forças partidárias: o PL possui 28 senadores, enquanto União Brasil e PP articulam apoio a Alcolumbre. O PT sinalizou apoio ao atual presidente e o Partido Novo declarou apoio à candidatura de Rogério Marinho.
O número necessário para vencer é de 41 votos, considerando os 81 senadores.
1. Rogério Marinho (PL-RN)
Formalizou sua candidatura na última quarta-feira (04) e afirma ter mais de 40 votos em seu apoio com a junção entre PL e Novo. Ainda assim, tenta ampliar alianças com outras bancadas.
Marinho é Ex-ministro do Desenvolvimento Regional do governo Jair Bolsonaro e se consolidou como líder da oposição no Senado nos últimos anos.
Foi candidato à presidência do Senado em 2023, mas perdeu para Rodrigo Pacheco. Em 2026, coordenou a campanha presidencial do candidato derrotado Flávio Bolsonaro.
2. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)
O atual presidente do Senado, que também já presidiu a Casa entre 2019 e 2021, busca a reeleição.
Ele tem apoio declarado da federação União Progressista (União Brasil e PP) e também conta com sinalização de apoio do PT e de integrantes da base governista.
Alcolumbre tenta construir uma coalizão que reúna governo e partidos do Centrão. A possibilidade de sua recondução ganhou força com o apoio declarado da federação União-PP, em 27 de outubro.
3. Tereza Cristina (PP-MS)
Até o momento, Tereza Cristina está com pré-candidatura em articulação. Durante a pré-campanha eleitoral de 2026, ela foi considerada para uma chapa feminina da Presidência da República junto de Michelle Bolsonaro (PL), que não foi para frente.
A ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro é uma das principais representantes da bancada do agronegócio no Congresso e busca apoio de parlamentares do Centrão e de setores da oposição.
Ao seu favor, defende a possibilidade de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado. Porém, sua candidatura enfrenta resistência diante do apoio da direção do PP à recondução de Alcolumbre. Também existe uma tentativa de entendimento com Rogério Marinho para evitar que os dois concorram simultaneamente.
Tereza, porém, reafirmou que pretende manter sua candidatura.
Dispura na Câmara ainda em definição
Na Câmara, o atual presidente, Hugo Motta, aparece como principal nome para continuar no cargo. Entretanto, o PL ainda discute se apoiará sua recondução ou lançará um candidato próprio.
O principal impasse é a posição do PL, que terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados eleitos. A bancada marcou uma reunião para 11 de novembro para discutir se deve apoiar Motta ou lançar um candidato próprio.
O PT, por sua vez, sinalizou apoio a Motta como estratégia para impedir que o PL conquiste o comando da Câmara.
Veja os possíveis nomes na disputa:
1. Hugo Motta (Republicanos-PB)
Eleito em fevereiro de 2025 com 444 votos dos 499 registrados, Motta agora tem apoio de partidos do Centrão e sinalização favorável do PT.
Até o momento reúne apoio de cerca de 15 partidos para tentar continuar no comando da Casa. Ele busca preservar o bloco que o elegeu em 2025 e evitar que o PL conquiste a presidência da Câmara.
2. Altineu Côrtes (PL-RJ)
Entre os possíveis nomes na campanha do PL, está o atual primeiro vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes.
O deputado está no PL desde 2010, com uma interrupção entre 2016 e 2018. Atualemente, preside o partido no Rio de Janeiro.
Côrtes é apontado por aliados como um dos nomes com prioridade para representar o PL na disputa, em razão de sua experiência e posição na Mesa Diretora.
3. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
Outro nome cotado pelo PL é o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que já manifestou interesse em disputar a presidência da Casa.
O parlamentar aparece como uma alternativa a Altineu Côrtes dentro do PL. Em outubro, aliados dos dois parlamentares disputavam espaço na definição do nome da legenda.
Em 3 de novembro, Sóstenes afirmou que a decisão sobre a posição do PL na disputa seria adiada para 11 de novembro.
4. Candidato próprio do Novo
O Novo anunciou na última terça-feira (03) que não apoiará a recondução de Hugo Motta e que pretende lançar candidatura própria.
No entanto, a legenda ainda não divulgou publicamente o nome escolhido. Em sua articulação, o Novo afirma querer apresentar uma alternativa que defenda a independência do Legislativo e as prerrogativas parlamentares.
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