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Política

A maior bancada feminina do Congresso na história

O número de mulheres aumentou tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal

Érika Hilton, Tabata Amaral e Michelle Bolsonaro
Mulheres de diferentes partidos foram (re)eleitas (Foto Erika: Lula Marques/Agência Brasil; Foto Tabata: Rovena Rosa/Agência Brasil; Foto Michelle: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A partir de 2027, tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal terá recorde de mulheres atuando.

Na Câmara, o número saltou de 90 para 109, um aumento de 21%. No Senado, das 54 vagas disponíveis nestas eleições, 12 foram preenchidas por mulheres. Assim, o número total na Casa irá de 15 neste mandato para 18 no seguinte. 

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Entre os nomes que chamaram mais atenção, entre as deputadas federais, é possível citar Erika Hilton (PSOL), que somou 1.596.472 votos; Sâmia Bomfim (PSOL), que recebeu 583.107 votos; e Tabata Amaral (PSB), com 476.383 votos. 

Entre as senadoras, tivemos a dobradinha do Partido Liberal no Distrito Federal, com Michelle Bolsonaro (PL), 938.496 votos, e Bia Kicis (PL), 886.616 votos; Rayssa Furlan (Podemos), que somou 264.799 votos; e Marília Campos (PT), que somou 3.984.339 votos.

Para a cientista política Carolina Althaller, o aumento é fruto da combinação da consolidação de trajetórias políticas com a entrada de novas lideranças. "Na Câmara, 59 das 109 mulheres eleitas foram reeleitas, o que mostra o peso da experiência acumulada", completa. 

A especialista também destaca o trabalho de organizações que apoiam a participação das mulheres.

Avanço estrutural ou apenas uma oscilação eleitoral deste ano?

Embora haja elementos de consolidação, especialmente na continuidade de trajetórias e na existência de regras que garantem recursos às candidaturas femininas, Carolina enfatiza: "Precisamos acompanhar se as mulheres terão condições de permanecer na política, acessar posições de decisão e desenvolver novas lideranças. O avanço se torna estrutural quando as oportunidades deixam de depender de casos excepcionais e passam a fazer parte do funcionamento dos partidos e das instituições". 

A especialista pontua que os perfis de candidatas eleitas neste ano reúne continuidade e renovação, com diferenças importantes entre as duas Casas. 

"Na Câmara, mais da metade das eleitas já tinha mandato, e a federação PT-PCdoB-PV elegeu o maior contingente de deputadas. No Senado, as eleitas estão distribuídas por diferentes partidos, incluindo PL, PT, MDB, União Brasil e outros. Isso impede tratar a nova representação feminina como um único campo político", acrescenta. 

Mais mulheres na política é sinônimo de maior representação dos interesses e demandas das mulheres na sociedade?

Carolina é clara: "Ampliar a presença feminina é importante porque mulheres devem participar das decisões públicas em igualdade de condições. Mas elas não formam um grupo homogêneo: têm experiências e posições políticas diferentes. Por isso, a presença de mais mulheres não garante automaticamente maior proteção aos seus direitos".

Para isso, ela esclarece que é fundamental avaliar as propostas, a capacidade de ouvir demandas, assim como as produções de fato destes mandatos. 

Em relação a uma bancada feminina maior indicar mais poder político dentro do Congresso, a cientista política explica que o aumento de cadeiras amplia as possibilidades de influência, mas não garante acesso às decisões centrais. 

"Poder político também significa presidir comissões, ocupar lideranças partidárias, participar das Mesas Diretoras, relatar projetos relevantes e influenciar o orçamento. Precisamos observar quem define a pauta e quem consegue transformar propostas em decisões", diz, ao enfatizar: "A presença numérica precisa se traduzir em autoridade institucional". 

A diversidade da bancada feminina

Entre as mulheres eleitas e reeleitas, há aquelas identificadas com a direita, centro-direita, centro, esquerda e diferentes correntes ideológicas. Conforme analisa Carolina, essa diversidade deve produzir convergências em alguns temas e conflitos em outros, citando como exemplo de convergência o enfrentamento à violência e como exemplo de divergência os direitos reprodutivos e concepções de família.

Por isso, ela afirma: "A bancada feminina pode ser um espaço importante de articulação, mas não elimina as diferenças partidárias. Sua capacidade de atuação dependerá de construir compromissos concretos e tornar essas diferenças transparentes. Não podemos presumir uma agenda comum apenas porque as parlamentares são mulheres".

Assim, a especialista entende que o verdadeiro teste desta "nova bancada" será o que essa presença consegue mudar na vida das mulheres: "O resultado eleitoral abre uma oportunidade e os mandatos mostrarão como ela será utilizada".

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