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Justiça

Og Fernandes encerra carreira no STJ diante do escândalo de corrupção na Justiça baiana

Às vésperas da aposentadoria compulsória, ministro relata julgamento de integrantes de um suposto esquema de venda de decisões judiciais investigado desde 2019

Og Fernandes
Despedida também resgata sua trajetória do jornalismo à magistratura (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), encerra sua trajetória de 18 anos na Corte com o julgamento de uma das ações penais da Operação Faroeste, investigação sobre corrupção e negociação de decisões judiciais em disputas de terras no oeste da Bahia.

Nesta quarta-feira (04), o magistrado foi homenageado pelos colegas da Corte Especial, enquanto o tribunal iniciou o julgamento da desembargadora Sandra Inês Rusciolelli, de seu filho, Vasco Rusciolelli, e de outros acusados de envolvimento no esquema.

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A aposentadoria compulsória está prevista para 16 de novembro, quando Fernandes completará 75 anos.

Segundo reportagem do BNews, a homenagem contou com manifestações de ministros, representantes do Ministério Público Federal (MPF) e advogados. 

Da redação

Antes de ingressar na magistratura, Og Fernandes trabalhou como jornalista no Recife.

Em 1974, concluiu as graduações em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Aos 22 anos, iniciou sua atuação no Diário de Pernambuco. Posteriormente, construiu carreira jurídica e exerceu funções relacionadas à administração do sistema prisional pernambucano.

Sua chegada ao STJ ocorreu em 17 de junho de 2008, quando tomou posse no mesmo dia que o atual presidente do tribunal, Luis Felipe Salomão.

Durante a homenagem, Salomão recordou a trajetória compartilhada pelos dois magistrados e entregou uma placa em reconhecimento ao trabalho desenvolvido por Fernandes.

A ministra Nancy Andrighi também participou da cerimônia e relacionou a formação jornalística do colega à maneira como ele conduziu sua atuação no Judiciário, especialmente pela atenção às pessoas envolvidas nos processos.

Caso Faroeste

A Operação Faroeste foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2019 para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e venda de decisões judiciais relacionadas a conflitos fundiários no oeste baiano.

Og Fernandes assumiu a relatoria de processos decorrentes da investigação, que alcançou integrantes do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), advogados, empresários e intermediários.

Na ação penal examinada nesta quarta-feira, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Sandra Inês Rusciolelli e Vasco Rusciolelli por acusações relacionadas à comercialização de decisões judiciais.

A acusação também envolve Nelson José Vigolo, Vanderlei Chilante e Júlio César Cavalcanti Ferreira, ligados, segundo o MPF, às negociações investigadas com o grupo Bom Jesus Agropecuária.

A Procuradoria sustenta que quatro decisões judiciais foram negociadas em três processos, com pagamentos efetivos de aproximadamente R$ 3,3 milhões em vantagens indevidas, diante de uma promessa que chegaria a R$ 4 milhões.

Patrimônio investigado

A investigação também examina a origem de recursos utilizados na aquisição de um imóvel de alto padrão em Praia do Forte, no município de Mata de São João, na Bahia.

De acordo com o Ministério Público Federal, contratos de honorários advocatícios, movimentações em dinheiro e registros imobiliários teriam sido empregados para ocultar a origem de valores provenientes das negociações investigadas.

A Procuradoria pediu o confisco de uma propriedade avaliada em R$ 4 milhões, localizada no condomínio Enseada do Castelo.

O órgão também solicitou reparação por danos morais coletivos, sustentando que as condutas atribuídas aos acusados prejudicaram a credibilidade do sistema judicial.

A defesa dos réus tem direito de contestar as provas, apresentar argumentos e recorrer de eventual condenação.

Outros julgamentos

A atuação de Og Fernandes na Operação Faroeste também envolveu decisões cautelares e medidas relacionadas ao afastamento de magistrados investigados.

Em maio de 2020, a Corte Especial referendou uma decisão do ministro que determinou o afastamento de uma desembargadora do TJBA.

Em abril de 2023, o STJ também manteve a suspensão do processo de aposentadoria voluntária da desembargadora Ilona Márcia Reis, investigada em outra ação penal decorrente da operação.

Na ocasião, Fernandes avaliou que a aposentadoria poderia dificultar o andamento do processo e a aplicação de eventuais consequências penais.

Mais recentemente, em 21 de outubro de 2026, a Corte Especial condenou cinco réus em outra ação penal ligada à Faroeste e absolveu três acusados.

Despedida no tribunal

A cerimônia desta quarta-feira reuniu integrantes do STJ, representantes do Ministério Público e advogados que atuaram perante o ministro.

A subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Frischeisen destacou a atenção de Fernandes aos direitos sociais, às vítimas e aos diferentes interesses envolvidos nos processos judiciais.

Em manifestação pela advocacia, Marcelo Leal recordou episódios em que o magistrado reconsiderou posições após ouvir argumentos apresentados em julgamentos.

A presença de sua esposa, Roberta Fernandes, também foi registrada durante a homenagem.

Em seu discurso, Og Fernandes recordou os anos de atividade no tribunal e agradeceu aos familiares e colegas.

A despedida foi acompanhada pelo anúncio de que o ministro Marco Bellizze será convocado para integrar a Corte Especial na transição.

A saída de Fernandes também abre uma vaga no STJ. A escolha de um novo integrante exige indicação presidencial, aprovação pelo Senado Federal e observância dos critérios constitucionais de composição do tribunal.

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