O Copom realizou mais uma reunião nesta terça e quarta-feira (03 e 04). No fim da tarde, foi definida a Taxa Selic pelas próximas semanas. O Comitê de Política Monetária do Banco Central optou pela manutenção dela em 13,75%, interrompendo uma sequência de pequenos cortes nos últimos encontros de 0,25%.
Mais do que entender os efeitos pontuais, O Brasilianista conversou com Rafael Richter, economista e associado Livres, para discutir o que seria viável dentro da Selic para 2027.
Afinal, quanto essa taxa pode subir? E quanto ela pode descer no próximo ano?
Selic em 2027
O especialista opina sobre o que considera uma faixa realista para o indicador no próximo ano: "O nosso cenário atual é o de uma inflação alta, atividade resiliente e contas públicas deterioradas. Se a política monetária continuar em patamar restritivo, podemos ver arrefecimento da inflação e uma manutenção dos cortes de juros. Considerando esse cenário, a Selic pode estar entre 10 e 12% ao ano ao final de 2027 se as contas públicas estiverem em ordem ou tiverem tendência de equilíbrio".
Rafael Richter explica que dificilmente a Selic cairá a menos de 10%, uma vez que a taxa neutra de juros é de cerca de 5%. Sobre os limites de crescimento, ele diz que dificilmente irá subir do patamar atual.
As variáveis
Contudo, ele reforça que, no cenário atual, alcançar uma taxa de 9-10% em 2027 é muito difícil. Para essa "previsão" se cumprir, ele acrescenta: "Tudo vai depender da disposição do governo em enfrentar reformas fiscais relevantes. Dois pontos ajudariam muito: um é não flertar com medidas heterodoxas que podem deteriorar muito as expectativas. Outro é uma questão que depende de sorte. Se o cenário externo ajudar, sobretudo com relação às guerras, o trabalho do Banco Central fica bem mais fácil".
Os indicadores mais relevantes para a definição da Taxa Selic, conforme enfatiza o economista, são câmbio e inflação. Ele exemplifica: "Se a taxa de câmbio ficar em patamar muito desvalorizado, então o trabalho do Banco Central fica mais difícil, pois esse câmbio gera um efeito inflacionário".
Mas além deles, em 2027, também deve entrar na balança uma nova questão: a efetividade das reformas fiscais, que estão sendo discutidas, assim como medidas prometidas pelo governo, como revisão do crédito direcionado/subsidiado.
Expectativas
Diante da importância da Selic para o funcionamento da economia, o especialista esclarece a tendência desse indicador, de acordo com o mercado: "É possível que os cortes na Selic sejam mais lentos do que gostaríamos, mas vejo que ainda é possível ver alguns cortes no próximo ano".
Rafael diz que, idealmente, o governo deveria atuar em facilitar os cortes de juros com sinalizações mais claras de controle de gastos e equilíbrio fiscal e finaliza: "Enquanto tivermos 'bateção de cabeça' com o Banco Central enxugando liquidez da economia e o governo injetando liquidez, teremos juros altos".
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