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Geopolítica

FMI vê desaceleração da economia brasileira em 2027

O órgão entende que o efeito é causado por três condições diferentes fiscais e monetárias

Dinheiro
As previsões do órgão mundial são mais positivas do que as do próprio mercado brasileiro (Foto: Pixabay)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento da economia brasileira abaixo do previsto para a América Latina em 2026 e 2027. A região deve manter um Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% em 2026 e 2,5% até o fim do ano que vem.

Para o Brasil, a previsão do FMI é de que a economia brasileira apresente um crescimento de 2,2% até o fim deste ano e de apenas 1,9% em 2027. Os números fazem parte do estudo World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial, em português), publicado em outubro.

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Segundo o FMI, a desaceleração é um reflexo das "condições monetárias ainda restritivas — voltadas para o retorno da inflação à meta —, a retirada de estímulos da política fiscal e a incerteza global".

Além disso, há previsão de queda da inflação, para 4,4% esse ano e 4,1% em 2027, ao passo em que a taxa de desemprego subiria de 6% em 2025 para 6,2% este ano e 6,8% em 2027.

FMI é mais otimista que o mercado brasileiro

Por outro lado, as previsões do órgão mundial são mais positivas do que as do próprio mercado brasileiro. O último boletim Focus, por exemplo, indicou que o Brasil fecharia 2026 e 2027 com inflação de 5,01% e 4,3% respectivamente.

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, já fimou seu compromisso em seguir cortando a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Ainda assim, o índice está em 13,75% ao ano — que já saiu de 15%, no patamar mais alto da história.

Já os dados mais recentes sobre o PIB brasileiro evidenciam uma desaceleração após um crescimento em 2024 (3,4%) e 2025 (2,3%). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o segundo trimestre de 2026 registrou uma alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior, um avanço menor do que o aumento de 1,1% registrado no primeiro trimestre.

O Focus do início de outubro, por sua vez, acredita que o aumento do PIB do Brasil será de 1,85% este ano e 1,4% em 2027 — mais baixo do que o valor projetado pelo FMI.

Vale lembrar que esta é a quarta semana consecutiva em que as previsões de crescimento da economia brasileira caíram nas projeções do Focus.

Brasil precisa de reformas fiscais

Em junho, uma outra avaliação econômica do FMI sobre o Brasil identificou que a economia brasileira se mostra resiliente mesmo com embates e cenários críticos, como a Guerra do Oriente Médio.

Além disso, o órgão concluiu que a prática adotada pelo Banco Central (BC) de baixar os juros conforme a política de metas da inflação têm auxiliado a manter a economia resiliente.

Por outro lado, reformas fiscais se tornam necessárias para diminuir ainda mais a dívida pública. Outro ponto de atenção avaliado pelo fundo internacional é a vigilância contínua, principalmente sobre o risco de crédito para pessoas físicas.

O Brasilianista mostrou que a questão fiscal é um dos maiores problemas que o mercado vê no governo atual. A dívida pública da União bateu recorde em 2026 ao atingir 77,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril. O dado indica que os débitos do país foram maiores do que o endividamento do setor privado, que era de 75,7% do PIB no mesmo mês.

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