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Geopolítica

Nova porta-voz da Casa Branca fala pouco, mas diz muito sobre estratégia de Trump

O presidente dos Estados Unidos escolheu Katie Zacharia para substituir Karoline Leavitt

Katie Zacharia e Donald Trump
Em sua primeira aparição em coletiva de imprensa, a nova porta-voz falou durante apenas quatorze minutos (Foto: Reprodução Instagram)

A nova porta-voz da Casa Branca, Katie Zacharia, deixou a imprensa americana em choque após o primeiro pronunciamento oficial em nome do governo de Donald Trump.

O presidente dos Estados Unidos escolheu Zacharia para substituir Karoline Leavitt, que deixou o cargo em agosto. Em sua primeira aparição em coletiva de imprensa, a nova porta-voz falou durante apenas quatorze minutos e respondeu somente três jornalistas. 

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Katie Zacharia, de 41 anos, é natural da Califórnia. Ela é advogada e comentarista política, mas já teve experiência como consultora de comunicação da Truth Social, a rede social do presidente republicano. No início da carreira, fez estágio na Casa Branca durante o governo de George W. Bush.

Outras experiências dela incluem seu cargo como conselheira jurídica da organização conservadora Fix California, bem como porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

No pronunciamento oficial, Zacharia aceitou apenas perguntas não confrontadoras e de veículos de comunicação que demonstram simpatia pelo presidente Trump. 

Vale lembrar que a atual porta-voz da Casa Branca ficou conhecida por sua participação em programas da Fox News e da Newsmax, nos quais defendia posições similares ao governo americano. 

Além disso, Trump elogiou o histórico de apoio de Zacharia e a classificou como uma apoiadora leal e brilhante ao anunciar a escolha de quem ficaria com o cargo.

A mudança acontece em um momento delicado para Trump. Em poucas semanas para os americanos redefinirem o Congresso nas eleições de meio mandato, a aprovação do republicano caiu. Na imprensa, as relações já estavam estremecidas após o presidente barrar algumas emissoras de entrarem na Casa Branca. 

O Brasilianista já mostrou como o líder do Executivo dos EUA pode utilizar a imprensa para facilitar a eleição de aliados políticos agora em novembro. O recente acordo entre Paramount e Warner poderia ser utilizado como uma "carta na manga", por exemplo.

Emissoras de notícias na mira

O acordo bilionário reúne duas grandes emissoras de notícias dos EUA sob o mesmo guarda-chuva corporativo. Antes do acordo, a Paramount era proprietária da CBS News e a Warner Bros. era proprietária da CNN.

Mesmo separadas, ambas enfrentaram intensa pressão política do governo Trump, inclusive com a expulsão da CNN da Casa Branca e mudanças de liderança.

Porém, a Paramount planeja cortar bilhões em custos em toda a empresa resultante da fusão e os alvos podem ser significativos nos veículos de imprensa. Além das possíveis reduções de pessoal, há forte preocupação do Estado interferir nas emissoras e controlar as informações divulgadas. 

No dia 3 de novembro, os Estados Unidos realizam suas eleições de meio de mandato, que decidirão o controle da Câmara e de parte do Senado. O que estará em disputa é a capacidade do republicano de governar durante a segunda metade do mandato com um Congresso aliado ou diante de uma oposição democrata fortalecida.

Estratégia de mídia de Trump

O conflito político com a imprensa faz parte de sua maneira de construir politicamente a realidade, segundo especialista entrevistado nesta reportagem.

Veículos de imprensa americanos processaram Donald Trump no final do mês passado após serem barrados de acessar a Casa Branca. CNN, MS NOW e Politico assinam a ação. Porém, essa disputa não é apenas sobre Trump, CNN ou os outros veículos de notícia.

As empresas alegam que a medida violou seus direitos à liberdade de expressão e de imprensa garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. 

Trump trabalha há anos com uma oposição entre duas fontes de legitimidade. De um lado, instituições mediadoras, imprensa tradicional, especialistas, burocracias, e determinadas instituições públicas. De outro, a comunicação direta entre o líder e a sua base.

Na prática, se a imprensa critica Trump para seus apoiadores mais fiéis, isso pode ser apresentado não como evidência contra ele, mas como evidência de que o sistema está contra ele. Ou seja, é um conflito estrutural e não utilizado necessariamente apenas por Trump.

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