A fusão da Paramount com a Warner Bros. Discovery foi concluída na última terça-feira (06). O acordo avaliado em US$ 110 bilhões (R$ 546,6 bilhões) une gigantes do entretenimento em um dos maiores contratos do setor.
Uma juíza federal dos Estados Unidos aprovou na semana passada um acordo da Paramount com 12 estados americanos que processaram a empresa para tentar barrar a compra. Ao avaliar a proposta de consentimento como “justa, razoável e de boa-fé” para lidar com danos concorrenciais alegados na ação, a compra da Warner se tornou possível.
O Brasilianista já mostrou como a combinação deve reunir os estúdios Paramount Pictures e Warner Bros., além de marcas como CBS, CNN, TNT, MTV, BET, HBO Max e Paramount+, ampliando significativamente sua participação na indústria audiovisual. Além das preocupações com o tamanho do conglomerado, a imprensa americana indica que há grandes chances da CNN e CBS serem prejudicadas nesse processo.
O documento aprovado pela juíza determina que a companhia se comprometa, entre outras atividades, a criar um mecanismo de monitoramento editorial para CNN e CBS.
Porém, ainda não é possível saber como ele vai funcionar exatamente ou se os veículos jornalísticos podem ser utilizados para favorecer aliados do governo de Donald Trump poucos meses antes das eleições de meio mandato.
Emissoras de notícias na mira
O acordo reúne duas grandes emissoras de notícias dos EUA sob o mesmo guarda-chuva corporativo. Antes do acordo, a Paramount era proprietária da CBS News e a Warner Bros. era proprietária da CNN.
Mesmo separadas, ambas enfrentaram intensa pressão política do governo Trump, inclusive com a expulsão da CNN da Casa Branca e mudanças de liderança.
Mark Thompson, chefe da CNN, deve seguir no comando após a conclusão da aquisição. A editora-chefe da CBS News, Bari Weiss, também deve continuar em seu cargo.
Porém, a Paramount planeja cortar bilhões em custos em toda a empresa resultante da fusão e os alvos podem ser significativos nos veículos de imprensa. Além das possíveis reduções de pessoal, há forte preocupação da medida impedir a liberdade nas redações.
Ou seja, o Estado pode interferir nas emissoras e controlar as informações divulgadas.
O impasse de Trump
No dia 3 de novembro, os Estados Unidos realizam suas eleições de meio de mandato, que decidirão o controle da Câmara e de parte do Senado.
Não se trata de uma nova eleição presidencial americana. Donald Trump continuará presidente independentemente do resultado de novembro.
O que estará em disputa é a capacidade do republicano de governar durante a segunda metade do mandato com um Congresso aliado ou diante de uma oposição democrata fortalecida.
Hoje, os republicanos controlam o Senado por 53 a 47 e mantêm uma vantagem estreita de 218 a 214 na Câmara.
Porém, Trump chega a outubro com aprovação de 32%, enquanto democratas lideram os republicanos por 44% a 37% entre eleitores registrados.
Estratégia de mídia de Trump
Veículos de imprensa americanos processaram Donald Trump no final do mês passado após serem barrados de acessar a Casa Branca. CNN, MS NOW e Politico assinam a ação.
As empresas alegam que a medida violou seus direitos à liberdade de expressão e de imprensa garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Porém, essa disputa não é apenas sobre Trump, CNN ou os outros veículos de notícia.
O conflito político com a imprensa faz parte de sua maneira de construir politicamente a realidade, segundo especialista entrevistado nesta reportagem.
Trump trabalha há anos com uma oposição entre duas fontes de legitimidade. De um lado, instituições mediadoras, imprensa tradicional, especialistas, burocracias, e determinadas instituições públicas. De outro, a comunicação direta entre o líder e a sua base.
Na prática, se a imprensa critica Trump para seus apoiadores mais fiéis, isso pode ser apresentado não como evidência contra ele, mas como evidência de que o sistema está contra ele. Ou seja, é um conflito estrutural e não utilizado necessariamente apenas por Trump.
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