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Economia

Trumpismo atrapalha negociação entre Brasil e EUA

Chances de Flávio Bolsonaro vencer a eleição também devem atrapalhar as negociações entre as duas nações

Trumpismo atrapalha negociação entre Brasil e EUA
Em julho, o governo dos EUA tarifou em quase 38% as exportações brasileiras (Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República)

A reunião entre representantes do Brasil e dos EUA, na semana passada, para tratar das tarifas impostas pelo foi considerada muito positiva pelo governo brasileiro.

Fontes que participam das negociações afirmam que o governo dos EUA está dispostos a dialogar, inclusive Marco Rubio, secretário de Estado da gestão Donald Trump.

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De acordo com essas fontes, a proximidade entre Marco Rubio e o chanceler do Brasil, Mauro Vieira, facilita o diálogo. Na última Assembleia-Geral da ONU, Rubio cumprimentou Vieira e tentou falar com Lula logo após o discurso do petista em Nova York. 

O problema, segundo os presentes na reunião, é a pressão do Trumpismo contra a obtenção de qualquer resultado, principalmente antes das eleições presidenciais no Brasil.

Fator Flávio

A possibilidade de Flávio Bolsonaro ser eleito presidente do Brasil no próximo dia 25 deve prejudicar ou, no mínimo, atrasar as negociações. Trump pode negociar com Lula ou Flávio, mas sabe que terá mais facilidade com o candidato do PL.

A proximidade ideológica entre o Bolsonarismo e o Trumpismo, que têm se ajudado mutuamente, inclusive nas eleições no Brasil, faz com que Flávio se torne o presidente favorito para os objetivos de Donald Trump, que considera a América Latina uma zona de influência dos EUA. 

As tarifas

Em julho de 2026, o governo dos EUA tarifou em quase 38% as exportações brasileiras por ordem de Donald Trump. A pressão econômica tem como pano de fundo as tensões geopolíticas do Republicano com a China, as disputas regulatórias com o governo Lula e as exigências comerciais não atendidas pelo Brasil. 

Foram duas taxas. Uma de 25% sobre cerca de 3 mil itens de origem brasileira. Em determinados segmentos industriais e manufaturados, com a soma de alíquotas anteriores e taxas punitivas secundárias (como adicionais de até 12,5% por alegações regulatórias), o impacto tarifário total acumulado chegou a atingir 37,5%.
 
O aço e o alumínio exportados pelo Brasil também foram prejudicados com sobretaxas específicas. Os setores mais diretamente impactados foram o de bens de capital, manufaturados e biocombustíveis.
 
A taxação atingiu principalmente a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas, o setor de calçados, têxteis, móveis, papel, aço e o etanol brasileiro, encarecendo a entrada dessas mercadorias no mercado norte-americano e gerando retração nas encomendas.
 
O governo americano abriu exceções a produtos considerados cruciais para o abastecimento interno e suas cadeias produtivas. Ficaram isentos das tarifas adicionais de 25% itens estratégicos da pauta exportadora brasileira, como café, carne bovina, petróleo bruto, celulose, suco de laranja e aeronaves civis (Embraer).