A disputa pelo segundo turno das eleições de 2026 se espalha cada vez mais pelo ambiente digital. Perfils bolsonaristas, assim como perfis de esquerda e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizam de falas curiosamente contraditórias com o objetivo de defender os candidatos.
O último domingo (04) mostrou um resultado das urnas em que Lula marcou 45,14% dos votos válidos, contra 47,04% dos votos para seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto Lula corre atrás do prejuízo de ter ignorado a estratégia digital na campanha, perfis de apoio à Flávio utilizam da figura de Leonel Brizola, herdeiro político de Getúlio Vargas e João Goulart e exilado durante a Ditadura Militar.
Por outro lado, páginas que impulsionam as mensagens de Lula agora utilizam falas do candidato Renan Santos (Missão), que não avançou ao segundo turno, para expor como a própria direita enxerga as propostas de Flávio Bolsonaro.
Anti-Lula se apoia em Brizola
O algoritmo dos usuários que se alinham às ideias de Flávio, ou mesmo aqueles que somente são contra o atual presidente — mas ainda assim não concordam com o filho de Jair Bolsonaro — começou a mostrar, após o último domingo, um vídeo de entrevista de Leonel Brizola.
O ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro foi um dos primeiros integrantes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) gaúcho.
Em 1950, Brizola se casou com Neuza Goulart, irmã do então deputado estadual João Goulart, o Jango. Ele foi um dos principais participante do Comício das Reformas, liderando a resistência à Ditadura Militar em 1964. Brizola foi exilado no Uruguai e retornou ao Brasil somente em 1979, com a Lei da Anistia.
Apesar de representar ideias, em teoria, contrárias ao movimento anti-Lula, um vídeo em que o ex-governador do Rio de Janeiro faz críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) ressurge como forma de legitimar o discurso à favor do bolsonarismo.
No vídeo, um recorte de uma entrevista de Brizola no Roda Viva, o político comenta que os apoiadores do PT são da elite do Rio de Janeiro, citando que a maioria de seus eleitores residiam em bairros como Ipanema, Leblon, Copacabana, Vila Isabel, Tijuca, entre outros.
Perfis de apoio à Lula recorrem a Renan Santos
O candidato do Missão, Renan Santos, por sua vez, virou o "pupilo" dos perfis nas redes sociais que tentam compartilhar o discurso de que Flávio Bolsonaro não representa toda a direita política.
O líder do Movimento Brasil Livre (MBL), já fez repetidas críticas ao senador Flávio Bolsonaro e disse ter "asco" do candidato na última quarta-feira (07).
Apesar de não indicar voto para nenhum dos dois candidatos disputando o segundo turno, deixando mais de 2 milhões de eleitores sem referência, uma série de páginas de apoio ao presidente Lula e mesmo influenciadores compartilham falas e posicionamentos que podem ser usados como estratégia pela esquerda nessas eleições.
Um exemplo é um vídeo em que o ex-presidenciável do Missão jogava a toalha e desistia de disputar o termo "direita" com parlamentares como Lucas Pavanatto e Eduarda Campopiano, ambos do PL.
Outras alegações de Renan Santos, como a de que o bolsonarismo "pariu um bicho estranho" do ponto de vista eleitoral; ou mesmo a de que é uma direita que somente acredita e confia na família Bolsonaro ajudam, curiosamente, a propagar uma nova mensagem aos eleitores indecisos.
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