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Justiça

PF aponta ACM Neto como líder de organização investigada na Overclean

Relatório cita 232 ligações com o “Rei do Lixo”

ACM Neto
Candidato ao governo da Bahia também apareceu em apurações relacionadas ao Banco Master Foto: reprodução

A Polícia Federal apontou ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, como liderança de uma organização investigada por suspeita de obter recursos públicos por meio de contratos superfaturados.

A conclusão aparece em relatório sigiloso da Operação Overclean, revelado nesta quarta-feira (30) pela CNN Brasil.

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Segundo a PF, o grupo teria direcionado licitações e contratos da Secretaria de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.

Os investigadores afirmam que integrantes ligados ao esquema teriam sido colocados em posições estratégicas da administração municipal para favorecer empresas relacionadas a José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, e ao empresário Alex Parente. Ao menos três contratos somam cerca de R$ 77,8 milhões.

O relatório afirma que ACM Neto e Moura mantiveram 232 contatos telefônicos entre agosto e dezembro de 2024.

Para a PF, os registros reforçariam a proximidade entre os dois. A corporação também sustenta que Neto teria participado da indicação de Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador, para assumir a mesma pasta em Belo Horizonte.

A PF pediu busca e apreensão contra ACM Neto e bloqueio de até R$ 77,8 milhões. A Procuradoria-Geral da República concordou com as medidas, mas o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou os pedidos relacionados ao candidato.

Segundo a CNN, o ministro entendeu que os elementos apresentados não eram suficientes para autorizar as medidas contra Neto naquele momento.

Em nota, ACM Neto disse haver uma “tentativa de interferir no processo eleitoral” por meio da divulgação de informações que classificou como falsas. A assessoria afirmou ainda que vazamentos seletivos tentam associar o candidato a situações das quais ele diz não ter participado.

Rei do Lixo

A relação entre ACM Neto e o chamado Rei do Lixo já havia aparecido em etapas anteriores da Overclean.

O Brasilianista mostrou que um consórcio ligado a Moura venceu, em 2018, uma licitação de R$ 85,5 milhões para serviços de coleta de lixo em Salvador, durante a administração de ACM Neto. Os contratos continuaram durante a gestão de Bruno Reis.

A investigação também relacionou Bruno Barral ao núcleo investigado. Barral ocupou a Secretaria de Educação de Salvador durante a gestão de Neto e posteriormente assumiu a mesma área na Prefeitura de Belo Horizonte.

A PF investiga se contratos com empresas ligadas a Moura e aos irmãos Parente foram direcionados durante sua passagem pela administração mineira.

José Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados pela PF em uma frente da Operação Overclean.

A investigação estima que o grupo investigado tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos sob suspeita. Moura nega irregularidades.

Caso Master

O nome de ACM Neto também apareceu ao longo das investigações relacionadas ao Banco Master.

Em março, O Brasilianista revelou que dados analisados pelo Coaf apontavam R$ 3,6 milhões em pagamentos do Banco Master e da Reag Investimentos para a A&M Consultoria, empresa de ACM Neto e de sua esposa.

O político confirmou a prestação dos serviços e afirmou que os contratos eram formais, tributados e relacionados a consultoria sobre o cenário político e econômico.

Dados mais amplos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado indicaram posteriormente R$ 5,45 milhões em pagamentos do Master à consultoria ligada a ACM Neto. Os registros não significam, por si só, irregularidade nos contratos.

O político também foi citado em uma proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, mas rejeitada pelas autoridades.

Segundo o relato do ex-controlador do Master, ACM Neto e Antônio Rueda teriam direito a uma parcela sobre recursos captados para o banco junto a entidades públicas, valor que Vorcaro estimou em R$ 200 milhões. 

Neto negou irregularidades e sustentou que os serviços efetivamente prestados por sua empresa foram regulares.

O Brasilianista está aberto a manifestações dos citados e atualizará a reportagem caso receba posicionamentos.

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