Justiça

Violência lidera preocupações e pressiona eleição de 2026

Quaest/Pax mostra que 28% apontam violência como principal problema do país; governo federal recebe 36% de avaliação negativa na segurança e Judiciário, 35%

Segurança Pública
Dados reforçam pesquisas anteriores acompanhadas pelo O Brasilianista sobre o peso do tema na disputa eleitoral Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A segurança pública chega às últimas semanas da campanha presidencial de 2026 como uma das principais preocupações do brasileiro.

Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia, realizada pela Quaest em parceria com a Pax e divulgada nesta sexta-feira (18), mostra que 28% dos entrevistados apontam a violência como o principal problema do país, à frente da corrupção, mencionada por 22%, da economia, com 19%, e da saúde, com 15%.

O levantamento também mostra uma percepção disseminada de deterioração da segurança.

70% dizem que a violência aumentou muito nos últimos dois anos e outros 9% consideram que aumentou um pouco.

Entre os que enxergam piora, 73% dizem perceber simultaneamente maior quantidade de crimes e maior violência nos delitos.

A sensação de impunidade aparece junto. Para 67% dos entrevistados, a punição aplicada a criminosos diminuiu nos últimos anos. Outros 22% acreditam que aumentou.

Em fevereiro, O Brasilianista já havia mostrado que o medo do crime ganhava espaço no debate eleitoral.

Em agosto, nova reportagem indicou que segurança aparecia entre as prioridades esperadas pelos eleitores de diferentes candidaturas.

Governo federal

Na pergunta sobre o trabalho das instituições na segurança pública, 26% classificam positivamente a atuação do governo federal, 34% consideram regular e 36% avaliam negativamente. Outros 4% não souberam responder.

O Poder Judiciário apresenta números próximos: 23% de avaliação positiva, 38% regular e 35% negativa.

As avaliações das forças policiais são diferentes no mesmo levantamento. A Polícia Militar do estado do entrevistado registra 45% de avaliação positiva, a Polícia Federal, 44%, e a Polícia Civil, 41%.

O levantamento não mede apenas a satisfação com uma gestão específica. Ele mostra como os entrevistados distribuem responsabilidades por uma área que, constitucionalmente, envolve União, estados, municípios, Judiciário, Ministério Público e diferentes forças policiais.

Essa divisão institucional nem sempre aparece da mesma maneira na percepção da população.

Resultado recorrente

A Quaest/Pax não é a primeira pesquisa de 2026 a registrar insatisfação com o desempenho federal na segurança.

Em março, levantamento Ipsos-Ipec mostrou que 49% avaliavam a atuação do governo Lula na área como ruim ou péssima, enquanto 25% consideravam ótima ou boa. Em junho, a avaliação negativa oscilou para 47% e a positiva para 26%.

Outro levantamento, realizado pelo Meio/Ideia em julho, registrou 45% de avaliação ruim ou péssima para a segurança pública, contra 26,5% de ótima ou boa.

As pesquisas utilizam perguntas e metodologias diferentes e, portanto, seus percentuais não devem ser tratados como uma única série estatística.

Ainda assim, todas registram uma parcela relevante de avaliação negativa na área.

A relação com a eleição apareceu de maneira explícita no Datafolha de maio.

Naquele levantamento, 16% dos entrevistados disseram que segurança pública era a área em que o governo Lula apresentava seu pior desempenho.

Quando perguntados sobre as prioridades do próximo presidente, 12% indicaram segurança, atrás de saúde e educação.

O instituto ouviu 2.004 eleitores nos dias 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Prioridade cresceu

Quatro meses depois, a pesquisa Quaest/Pax coloca violência isoladamente em 28% como principal problema nacional.

As perguntas não são idênticas, portanto os 12% do Datafolha e os 28% da Quaest/Pax não representam uma evolução diretamente comparável.

O que os levantamentos permitem afirmar é que o tema aparece repetidamente entre as principais preocupações do eleitor em 2026.

Em agosto, O Brasilianista reuniu justamente essa sequência de pesquisas ao perguntar por que segurança pública havia adquirido tamanho peso eleitoral. 

O cientista político Alan Camargo explicou ao jornal que a força do tema resulta da combinação entre experiência cotidiana, medo e cobrança sobre as autoridades.

Medo cotidiano

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha mostrou em maio que 96,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais manifestavam algum tipo de insegurança física, patrimonial ou financeira.

Quase 60% disseram ter medo de sofrer agressão física por causa de sua escolha política ou partidária. 

Em junho, outro Datafolha mostrou que 16% consideravam criminalidade o principal problema do Brasil, atrás apenas da saúde, enquanto 41% da população dizia perceber influência do crime organizado no local onde vivia.

PCC e Comando Vermelho ganharam destaque nacional depois que os Estados Unidos os classificaram como organizações terroristas estrangeiras em junho.

A medida não mudou a legislação brasileira, mas ampliou a discussão sobre rastreamento financeiro, cooperação internacional e capacidade das facções de operar por meio de empresas e estruturas aparentemente legais. 

Facções reprovadas

A própria Quaest/Pax mostra que a percepção positiva sobre as polícias não significa satisfação com todas as áreas de atuação.

Quando os entrevistados foram convidados a avaliar tarefas específicas, o combate às facções criminosas recebeu 43% de avaliação negativa e 27% positiva.

Foi o item com maior proporção negativa entre as atividades policiais avaliadas.

Em contraste, captura de foragidos recebeu avaliação positiva de 38%. Investigação e esclarecimento de crimes, patrulhamento e prevenção nas ruas e identificação de suspeitos ficaram em 36%.

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