A eleição presidencial de 2026 terá um grupo de estados com capacidade de alterar o resultado nacional. O peso não depende apenas do número de eleitores.
Histórico de votação, competitividade entre os candidatos, quantidade de indecisos, avaliação do governo federal e influência dos governadores também podem determinar onde uma campanha concentrará esforços.
O Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em outubro. São Paulo lidera com 34,1 milhões, seguido por Minas Gerais, com 16,4 milhões, Rio de Janeiro, com 12,9 milhões, Bahia, com 11,3 milhões, e Paraná, com 8,6 milhões.
Juntos, os cinco maiores colégios eleitorais concentram 83,3 milhões de pessoas, ou 52,45% do eleitorado nacional.
O cenário atual reforça a importância desses territórios. Pesquisa Genial/Quaest mostra diferenças relevantes entre os estados e indica que Minas Gerais se tornou mais favorável ao PT em comparação com ciclos anteriores, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro mantêm vantagem para a oposição. A Bahia, por outro lado, continua como um dos principais redutos de Lula.
São Paulo concentra o maior número de votos
São Paulo aparece como o principal território da disputa pelo tamanho do eleitorado.
O estado tem 34.104.226 eleitores, o equivalente a 21,48% dos votantes brasileiros. Aproximadamente um em cada cinco eleitores do país está no estado.
O peso paulista também está relacionado à importância econômica do estado. Além de concentrar o maior mercado consumidor do país, São Paulo reúne setores industriais, financeiros, tecnológicos e de serviços com influência sobre o debate econômico nacional.
Na corrida presidencial, entretanto, o estado apresenta uma vantagem para a oposição.
O Datafolha divulgado em agosto aponta Flávio Bolsonaro com 47% contra 42% de Lula em um eventual segundo turno.
O resultado coloca São Paulo entre os principais territórios que podem ampliar ou reduzir a distância nacional entre os dois polos.
A disputa pelo governo estadual acrescenta outro componente. O governador Tarcísio de Freitas lidera a corrida pela reeleição e aparece com 45% no Datafolha, contra 27% de Fernando Haddad. Em eventual segundo turno, Tarcísio teria 54% contra 35% de Haddad.
O peso político de Tarcísio pode transformar São Paulo em uma das principais bases de mobilização da oposição.
Ao mesmo tempo, a Grande São Paulo representa 48% do eleitorado estadual e foi vencida por Haddad em 2022, o que mantém a região metropolitana como alvo estratégico do PT.
Minas Gerais pode funcionar como fiel da balança
Minas Gerais ocupa uma posição diferente. Com 16.377.659 eleitores, o estado representa 10,32% do eleitorado brasileiro e é o segundo maior colégio eleitoral do país.
Além disso, os mineiros elegem 53 deputados federais, o equivalente a 10,33% das cadeiras da Câmara.
O histórico eleitoral aumenta ainda mais a importância de Minas. Em 2018, o estado registrou uma vantagem expressiva para Jair Bolsonaro.
Em 2022, porém, houve praticamente um empate entre Lula e Bolsonaro. Agora, segundo a Genial/Quaest, Lula aparece novamente à frente no estado.
O Datafolha mais recente confirma a competitividade. Em um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 46%, contra 42% do senador, dentro da margem de erro.
A disputa estadual também merece atenção. Cleitinho Azevedo lidera os cenários para o governo de Minas, enquanto Alexandre Kalil e Patrus Ananias aparecem atrás. Pesquisa RealTime Big Data indica vantagem de Cleitinho também nas simulações de segundo turno.
Rio de Janeiro mantém vantagem para a oposição
O Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral, com 12.857.000 eleitores, correspondentes a 8,10% do eleitorado nacional.
O estado também tem forte peso político por concentrar uma das maiores bancadas eleitorais do país e por sua influência no debate nacional.
O cenário presidencial, neste momento, favorece Flávio Bolsonaro. Segundo o Datafolha, o senador teria 49% contra 40% de Lula em um eventual segundo turno no estado. A diferença é semelhante à vantagem observada para a oposição nos últimos ciclos eleitorais.
A disputa pelo governo, entretanto, apresenta outro desenho. Eduardo Paes aparece na liderança, com 41% das intenções de voto, enquanto Douglas Ruas registra 19%.
Na pesquisa espontânea, porém, 52% dos entrevistados não indicaram candidato, mostrando que ainda existe espaço relevante para movimentação durante a campanha.
O Rio também apresenta uma disputa competitiva pelo Senado. Pesquisa Genial/Quaest apontou 22% a 23% de indecisos nos cenários testados, além de percentuais elevados de brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar.
Bahia preserva força do lulismo
A Bahia ocupa a quarta posição entre os maiores eleitorados do país, com 11.321.005 pessoas aptas a votar.
O estado representa 7,13% do eleitorado brasileiro e concentra uma das maiores forças eleitorais do Nordeste.
Historicamente, a Bahia se tornou uma das principais bases eleitorais do PT. O levantamento da Genial/Quaest aponta Lula com 71% das intenções de voto no estado em um dos cenários analisados, mantendo uma vantagem expressiva sobre a oposição.
Esse desempenho faz com que a Bahia tenha função diferente de São Paulo e Minas.
Enquanto os dois estados podem definir a disputa por meio de uma virada ou de uma diferença pequena, a Bahia funciona como território de preservação da vantagem do campo governista.
O resultado baiano também tem relação com a força política do grupo que administra o estado.
O governador Jerônimo Rodrigues, do PT, está no centro da articulação política local e pode contribuir para a mobilização da base governista durante a eleição.
Pernambuco é estratégico para o Nordeste
Pernambuco possui um eleitorado menor que os quatro estados anteriores, mas apresenta importância política acima do tamanho do colégio eleitoral.
O estado é um dos principais centros políticos do Nordeste e tem histórico de alternância entre grupos de esquerda e centro.
A pesquisa Datafolha divulgada em agosto mostra Lula com 62% contra 29% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Além disso, Pernambuco registra a maior aprovação do governo Lula entre os cinco estados pesquisados, com 46% classificando a administração como ótima ou boa.
A disputa pelo governo estadual, contudo, é competitiva. Raquel Lyra aparece com 47%, contra 40% de João Campos, segundo o levantamento mais recente citado pelo Datafolha.
O resultado estadual pode ter impacto sobre a campanha presidencial porque João Campos e Raquel Lyra representam forças políticas com capacidade de articulação regional.
A posição do governador ou do grupo que controlar o Palácio do Campo das Princesas pode influenciar alianças, palanques e mobilização de prefeitos.
Paraná completa o grupo dos maiores colégios
O Paraná fecha o grupo dos cinco maiores eleitorados, com 8.609.026 eleitores, ou 5,42% do total nacional.
Somado a São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, o estado ajuda a formar mais da metade do eleitorado brasileiro.
O Paraná também possui importância política para a oposição e para a disputa entre diferentes grupos de direita.
O histórico eleitoral recente mostra forte presença desse campo político no estado, enquanto a eleição para governador e Senado pode influenciar a formação dos palanques presidenciais.
A disputa estadual, portanto, precisa ser acompanhada não apenas pelo resultado para o governo, mas pela capacidade dos candidatos de transferir votos e organizar alianças para a corrida presidencial.
Indecisos podem mudar o mapa eleitoral
Além dos grandes colégios, o comportamento dos eleitores que ainda não decidiram o voto pode alterar a fotografia atual.
Em São Paulo, por exemplo, o Datafolha registrou 11% entre indecisos, brancos e nulos na disputa pelo governo.
No Rio de Janeiro, a margem de indefinição é ainda mais significativa. Na pesquisa espontânea para governador, 52% não indicaram candidato, o que mostra a distância entre a intenção de voto consolidada e o eleitor que ainda pode mudar de escolha.
O Ceará apresenta outro exemplo. Pesquisa RealTime Big Data divulgada em agosto mostrou Elmano de Freitas e Ciro Gomes empatados em 44% no cenário estimulado, enquanto 5% estavam indecisos. Na pesquisa espontânea, porém, os indecisos chegaram a 46%.
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