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Política

Por que a segurança pública é tão forte nas eleições?

Segundo especialista, a combinação de experiências, emoção e cobrança política torna a pauta sensível e estratégica para os candidatos

Por que a segurança pública é tão forte nas eleições?

A Pesquisa Meio/Ideia revelou a segurança pública como uma das prioridades que o eleitor espera do próximo presidente, junto com o combate à corrupção (44%).

A última pesquisa, realizada em agosto, mostra que o eleitor espera que os candidatos também priorizem esse tema. Para 50,8% dos eleitores de Flávio Bolsonaro, espera-se que, caso seja eleito, ele priorize esse tema, enquanto para Lula esse índice é de 42%.

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A evolução da percepção da população sobre a segurança pública ao longo das rodadas anteriores evidencia que a avaliação segue como “pior” para 44,8% dos entrevistados. Nas últimas duas pesquisas, realizadas em maio, foi registrado o maior pico: entre 55% e 56,1%.

Apenas 28% classificaram como ótimo, enquanto 25,2% classificaram como regular.

Tema é sensível e eleitor quer resposta imediata

De acordo com o analista e doutor em ciência política, Alan Camargo, o tema comove o eleitor por fatores combinados que são convertidos em mobilização política. Entre eles está a vida cotidiana, que interfere em como o eleitor escolhe por onde transitar em sua ida e volta para casa, a proteção da família e do patrimônio e, no “plano emocional”, a transformação da experiência vivida em medo, indignação e desamparo.

Tudo isso é convertido para o político como uma demanda que precisa de respostas imediatas, sendo que a diferença das soluções apresentadas é apenas “o enquadramento político e a instrumentalização política”.

“É essa combinação entre experiência cotidiana, emoção social e cobrança política que explica por que o tema se torna tão sensível e estratégico. Por isso, a questão principal não é saber se a segurança pública será tema central da disputa, mas como ela será trabalhada junto ao eleitor. Nenhum candidato que tenha a pretensão de ser minimamente competitivo poderá ignorá-la”, diz o analista.

Plano de segurança

Como O Brasilianista noticiou sobre o plano de governo, os candidatos à Presidência da República, especialmente Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adotaram discursos e propostas que seguem uma “linha dura” no combate à violência e às organizações criminosas.

Isso ocorre para contrapor o presidente Lula, que pretende criar um plano de integridade e combate à corrupção caso seja reeleito, além de dar sequência à criação do Ministério da Segurança Pública caso a PEC da Segurança seja aprovada — e que se comprometeu em combater o crime organizado (a proposta ainda aguarda análise dos senadores, com apenas mais uma semana de esforço concentrado antes das eleições).

Em seu primeiro discurso, realizado em ato em Santo André, Lula disse que vai prender todos os que se acham “donos de bairros pobres”, fazendo referência a organizações que dominam periferias e criam estruturas sofisticadas de combate à atuação das forças de segurança no território nacional.

Classificação terrorista

Flávio Bolsonaro segue por outro caminho e pretende declarar guerra ao crime organizado, mencionando explicitamente o PCC e o CV, que passariam a ser classificados como organizações narcotraficantes.

Caiado também propõe a mudança da classificação para “terrorismo doméstico”, justamente para não criar inseguranças jurídicas que implicariam a atuação das Forças Armadas diretamente contra o crime organizado, sem a necessidade de acionar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Lula não pretende mudar a classificação das facções criminosas para “terrorismo”.

Caiado é o único a tratar em suas propostas da mudança de regime de pena para elevar penas mínimas em até 45 anos para líderes, financiadores e recrutadores, enquanto Flávio é o único a mencionar a necessidade de criação de novos presídios de segurança máxima.

Caiado e Lula reforçam que esse plano, para ser executado, também passaria por uma coordenação nacional que articule forças federais, estaduais e municipais, além do compartilhamento de informações para operações em áreas dominadas por facções.

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