Justiça

Caso Master: O ataque à Celina Leão

Vorcaro indicou em mensagens que a governadora do DF não ficou de fora das negociações com o BRB

Celina Leão
Vorcaro afirmou em mensagens que uma descredibilização dele e do Master precisaria ser "atacada" (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O papel da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), na negociação entre Banco de Brasília (BRB) e Banco Master voltou a ser questionado após mais uma quebra de sigilo de mensagens da Operação Compliance Zero.

Uma conversa entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Thiago Miranda, divulgada pela Folha de S. Paulo, mostrou o descontentamento de Vorcaro com a posição da então vice-governadora do DF sobre o tema.

Mensagens trocadas no dia 5 de abril de 2025, oito dias depois da assembleia do conselho de administração do BRB aprovar a compra de 58% das ações do Master, mostram Thiago enviando a Vorcaro uma reportagem do jornal O Globo, em que Celina afirmou não ter sido consultada sobre a negociação.

"A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora tá querendo aparecer porque ficou de fora da operação", escreveu Miranda após compartilhar o link da reportagem com o título "O climão na cúpula do governo do Distrito Federal com a compra bilionária do Master", disse Miranda.

Por sua vez, Vorcaro nega que a governadora tenha ficado de fora e afirma que uma descredibilização dele e do Master precisaria ser "atacada".

"Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política. Discussão política da operação não me preocupa. Se for esse o novo foco. Problema é a descredibilização minha e do Master. Isso sim temos que atacar", disse o dono do banco liquidado.

Vale lembrar que não há confirmação de conversas diretas entre Vorcaro e a governadora, ou descrições da participação dela no negócio.

A negociação BRB e Master

O Banco Master vendeu créditos falsos, sem lastro real, sob a promessa de retornos extraordinários. No ano passado, o BRB tentou comprar o Master, mas o Banco Central rejeitou a tentativa de aquisição.

O Master foi liquidado em novembro de 2025, após o plano de aquisição ter exposto a crise da incapacidade do banco em conseguir cumprir seus compromissos financeiros.

Para conseguir recursos, por causa da situação financeira do banco, o dono passou a vender créditos fictícios para o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.

O Master não tinha capacidade de criar crédito consignado em grande volume, nem estrutura operacional para gerar esse tipo de crédito. Para formalizar esse processo, Vorcaro usou a empresa Tirreno para repassar recursos para o Master e, em seguida, vendeu para o BRB.

Mesmo após a aquisição, BRB ficou com a dívida. A parcela que corresponde aos créditos fictícios equivale a R$ 12,2 bilhões.

O BRB ainda segue sem cobertura em virtude da fraude e tenta encontrar credores que ajudem a sustentar o rombo.

O Brasilianista ainda mostrou que uma perícia realizada em agosto deste ano indica que a diretoria do BRB, controlada pelo governo do DF, autorizou a compra da carteira do Banco Master entre 2024 e 2025. A PF indica que essa fraude custou R$ 17,5 bilhões.

O ex-governador Ibaneis Rocha recebeu três pedidos de impeachment por diversas acusações, entre elas, a má gestão do BRB em relação ao caso Master. Ele renunciou do cargo em março deste ano, quando Celina Leão asusmiu o posto.

Celina sugere ter sido atacada

Após a publicação da reportagem da Folha, na última terça-feira (15), Celina divulgou um vídeo nas redes sociais em que diz que nunca teve qualquer tipo de contato com Vorcaro e que sempre foi contra a operação BRB-Master.

A governadora indica que as informações da reportagem foram tiradas de contexto e que a conversa “cria uma narrativa que não é verdadeira”.

Ainda sugeriu que Vorcaro e Miranda sabiam de seu posicionamento contrário à compra e, por isso, a ordem dada por Vorcaro foi “partir para o ataque” contra ela.

Veja o vídeo:

O que diz Thiago Miranda?

Nota da defesa do empresário Thiago Miranda, que enviou a reportagem de O Globo para Vorcaro nas mensagens interceptadas pela Folha, alega que as conversas divulgadas são recortes de diálogos privados e, isoladamente, podem levar a interpretações que não correspondem ao que efetivamente ocorreu.

Os advogados afirmam que, pelo que era do conhecimento de Miranda, Celina Leão não participou da negociação envolvendo a aquisição do Banco Master pelo BRB.

"A defesa renova o respeito ao trabalho da imprensa e o direito da sociedade à informação. Da mesma forma, considera fundamental que mensagens privadas sejam analisadas dentro de seu contexto e que não sejam atribuídas a elas conclusões que não encontram respaldo no próprio conteúdo divulgado", conclui a nota.

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