Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no Irã nesta terça-feira (1º).
Os bombardeiros aconteceram em retaliação às tentativas de ataque contra navios comerciais no Estreito de Ormuz e contra tropas americanas posicionadas na região, como informou o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
Essa é a nova rodada de ataques depois de mais de um mês em cessar-fogo e negociações para um acordo. EUA e Irã trocaram os primeiros desparos entre a noite de domingo (30) e segunda-feira (31).
No final de semana, o Irã confirmou ter disparado mísseis contra alvos militares dos EUA na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, em resposta a um ataque americano contra lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak.
Como mostrou O Brasilianista, a ofensiva americana contra o Irã destruiu desde fevereiro mais de 2 mil alvos militares, incluindo centros de comando, bases de mísseis, instalações nucleares e estruturas estratégicas. Em resposta à ampliação dessa campanha, Teerã expandiu sua retaliação para bases militares, radares, aeronaves e embarcações ligadas aos Estados Unidos em diferentes países da região.
O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os Estados Unidos "vão se arrepender" dos novos ataques. Por sua vez, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os avanços americanos terão "um nível muito mais duro e elevado" em caso de resposta iraniana.
O controle do Estreito de Ormuz
A principal fonte de instabilidade segue sendo a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global que, mesmo após o anúncio da trégua, não teve reabertura plena.
Trump alegou no início de agosto que o país já possui controle total do estreito e que estuda manter esse controle. Ele ainda alegou que o bloqueio naval está sendo chamado de “muro de aço” contra navios iranianos ou que comercializem em portos do Irã.
O republicano sustenta a narrativa de que o regime iraniano está sendo derrotado e de que suas Forças Armadas não possuem mais recursos para combater o Exército americano. No entanto, a superioridade militar americana não se traduz imediatamente para a afirmação de um controle total da guerra — afinal, ela ainda não acabou.
Especialista entrevistado por O Brasilianista avaliou que o cenário menos arriscado para a comunidade internacional seria uma solução negociada que restabelecesse de maneira estável a liberdade de navegação pelo estreito de Ormuz, acompanhada de mecanismos de segurança e de redução das tensões.
Os objetivos de guerra
Com a guerra iniciada em fevereiro, a principal justificativa da entrada dos EUA e Israel no conflito com o Irã era impedir o aumento de arsenal nuclear do país pérsico.
O objetivo de guerra do presidente dos EUA era negar ao Irã a capacidade de desenvolver uma arma nuclear. No entanto, esse arsenal era algo que o Irã afirmou nunca ter planejado fazer.
Vale lembrar que esse já era um objetivo dos EUA há muitos anos. O republicano avaliava que o acordo nuclear global com o Irã, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) — intermediado pelo ex-presidente americano Barack Obama — era muito fraco.
Além disso, Trump declarou que tinha a intenção de fazer uma mudança de regime no Irã. Em vídeo anunciando a guerra, ele convocou os iranianos a assumirem o controle do governo quando os bombardeios EUA-Israel terminassem.
Mesmo com o assassinato do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, a rendição dos líderes iranianos não aconteceu. A intenção de Trump era repetir o ataque de Washington à Venezuela, em que conseguiu capturar o presidente Nicolás Maduro e ter maior controle sobre a política e economia do país sul-americano.
Em seis meses de guerra, há poucas evidências de qualquer resultado significativo para Trump na questão nuclear. Apesar dos bombardeios a instalações nucleares no Irã, o país segue com um estoque significativo de urânio enriquecido próximo ao grau de pureza necessário para armas nucleares. A hipótese é de que esse elemento esteja escondido em cilindros de gás sob os escombros.
Impactos econômicos nos países envolvidos
Em seis meses de guerra entre Irã e Estados Unidos, a inflação americana é um dos principais indicadores que preocupam os mercados financeiros ao redor do mundo, bem como os residentes americanos, que podem cobrar uma diminuição nesse índice nas eleições de meio mandato.
Para Trump, a questão do poder de compra é o fator que mais pode prejudicá-lo nas eleições que devem reestruturar o Congresso americano. Além disso, os impactos na economia dos EUA são sentidos em diversos países.
Já o Irã enfrenta uma das maiores crises de preços em meio ao conflito que mira, entre os alvos principais, o controle do Estreito de Ormuz.
O Brasilianista mostrou como empresas iranianas estão recorrendo cada vez mais a sistemas de “compre agora, pague depois” e outras estratégias para atrair clientes à medida que o custo de vida na região sai do controle.
Veja mais notícias de O Brasilianista nas redes sociais

